Então vieram a ele os discípulos de João e perguntaram: "Por que jejuamos nós e os fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?"
1. Introdução
Há perguntas que vêm de inimigos, e há perguntas que vêm de quem está perto. A pergunta dos discípulos de João, em Mateus 9:14, é do segundo tipo. Eles não são adversários de Jesus — são discípulos de um profeta que apresentou Jesus ao mundo. Vêm com curiosidade legítima, talvez com perplexidade, talvez com uma pequena dose de cobrança. E a pergunta toca em um ponto delicado: por que Jesus parece dispensar uma prática religiosa que, para eles, é central?
O versículo abre um novo episódio dentro do capítulo 9 de Mateus. A cena da casa de Mateus já terminou; a controvérsia com os fariseus foi resolvida. Agora vem outro grupo, com outra preocupação. A questão não é mais com quem Jesus come — é por que os seguidores dele não jejuam. O texto inteiro do capítulo está construído como um conjunto de perguntas dirigidas a Jesus, e cada resposta dele revela uma dimensão da novidade do seu ministério. Este estudo examina o papel do jejum no judaísmo do primeiro século, a relação entre João e Jesus, o que a pergunta dos discípulos de João revela sobre as expectativas religiosas da época, e como a resposta de Jesus (no versículo seguinte) reorganiza a discussão.
2. Contexto Histórico e Cultural
O jejum ocupava lugar importante na vida religiosa judaica do primeiro século. A Lei prescrevia apenas um jejum obrigatório: o do Yom Kippur, o Dia da Expiação (Levítico 16:29). Mas, ao longo dos séculos, jejuns adicionais foram incorporados à prática, alguns ligados a momentos históricos de luto (como os jejuns relacionados à destruição do Primeiro Templo), outros à devoção pessoal ou comunitária.
Os fariseus haviam desenvolvido uma rotina de jejum semanal — geralmente segundas e quintas-feiras. Essa prática regular era vista como sinal de piedade superior. Lucas 18:12 registra o fariseu da parábola dizendo "jejuo duas vezes por semana", como parte da sua autoavaliação positiva. Para esse grupo, o jejum era exercício de disciplina espiritual, expressão de seriedade religiosa e marca distintiva diante de outros judeus.
Os discípulos de João Batista também praticavam jejum frequente. João tinha um estilo de vida marcadamente ascético: vivia no deserto, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre, vestia roupa rude. O jejum era parte da austeridade que caracterizava o seu ministério profético. Os discípulos dele herdaram essa marca. Para eles, jejuar era expressão concreta da espera ansiosa pela vinda do Reino que João anunciava.
É nesse pano de fundo que surge a estranheza. Os fariseus jejuavam. Os discípulos de João jejuavam. Mas os discípulos de Jesus, que ele convivia com os mesmos cenários religiosos, não jejuavam. A pergunta dos discípulos de João é compreensível — eles não conseguem encaixar a prática de Jesus no padrão que conhecem.
Há também um pano de fundo emocional importante. João Batista estava preso por Herodes, ou já havia sido executado, na época desse diálogo (dependendo de como se ordena a cronologia dos Evangelhos). Os discípulos dele estavam em luto, em incerteza, em transição. O jejum, nesse contexto, fazia sentido também como expressão de tristeza. A liberdade dos discípulos de Jesus podia parecer descompasso emocional — como se eles não estivessem reconhecendo a gravidade do momento.
A resposta de Jesus, registrada nos versículos seguintes, vai usar a imagem do casamento: enquanto o noivo está com os convidados, não se jejua. Ele se identifica como o noivo. A vinda dele é tempo de festa, não de luto. O jejum tem seu lugar — mas seu lugar não é o presente em que ele está corporalmente entre os discípulos.
3. Análise Teológica do Versículo
Então vieram a Jesus os discípulos de João e perguntaram
Os discípulos de João Batista eram seguidores de uma figura profética que enfatizava o arrependimento e a preparação para a vinda do Messias. A abordagem que fazem a Jesus indica reconhecimento da sua autoridade e o desejo de compreender seus ensinamentos. Esse encontro evidencia o período de transição entre a antiga aliança, representada por João, e a nova aliança, representada por Jesus. A forma de se aproximarem de Jesus também reflete o costume judaico de buscar ensinamento rabínico e esclarecimento sobre práticas religiosas.
Por que jejuamos nós e os fariseus tantas vezes
O jejum era uma prática religiosa comum no judaísmo, frequentemente associada ao luto, ao arrependimento e à busca pelo favor de Deus. Os fariseus, uma das principais seitas judaicas, jejuavam regularmente, em geral duas vezes por semana, como demonstração de piedade e devoção. Os discípulos de João, seguindo o estilo de vida ascético de seu mestre, também praticavam jejum frequente. Esta pergunta revela uma preocupação com a observância religiosa e a aparente discrepância entre as práticas deles e as dos seguidores de Jesus.
Mas os teus discípulos não jejuam?
Os discípulos de Jesus não eram observados jejuando, o que parecia inusitado para os discípulos de João e os fariseus. Essa diferença na prática sublinha a novidade do ministério de Jesus e a chegada do Reino de Deus, que trouxe uma mudança na expressão religiosa. Jesus mais adiante explica que a sua presença é tempo de alegria, semelhante a uma festa de casamento, em que jejuar é inadequado. Essa resposta aponta para Jesus como o Noivo, cumprindo profecias messiânicas e indicando uma nova era no plano redentor de Deus.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
1. Os Discípulos de João Seguidores de João Batista, que praticavam o jejum como sinal de arrependimento e devoção.
2. Jesus Figura central do Novo Testamento, cujos ensinamentos e ações frequentemente desafiavam as práticas tradicionais judaicas.
3. Os Fariseus Seita judaica conhecida pela adesão rigorosa à Lei e às tradições, inclusive ao jejum regular.
4. O Jejum Prática religiosa que envolve abstenção de comida, frequentemente associada ao luto, ao arrependimento ou à busca por orientação divina.
5. Pontos de Ensino
Entender o jejum em contexto O jejum não é mero ritual, mas uma disciplina espiritual destinada a aproximar o crente de Deus. A resposta de Jesus destaca a importância de compreender o propósito e o momento certo do jejum.
A presença de Cristo Jesus indica que sua presença muda a dinâmica das práticas espirituais. Quando Cristo está conosco, o foco passa do ritual para o relacionamento.
Perspectiva da Nova Aliança Sob a Nova Aliança, práticas como o jejum se transformam. Não são abolidas, mas recebem novo significado à luz da obra de Cristo.
Equilíbrio entre tradição e relacionamento Embora tradições como o jejum tenham valor, não devem ofuscar o relacionamento pessoal com Cristo. As práticas espirituais devem aprofundar, e não atrapalhar, a caminhada com ele.
Discernimento nas práticas espirituais O crente é chamado a discernir a adequação das disciplinas espirituais em sua vida, garantindo que estejam alinhadas aos ensinamentos de Cristo e à orientação do Espírito Santo.
6. Aspectos Filosóficos
A pergunta dos discípulos de João abre um problema filosófico-religioso clássico: a relação entre forma e conteúdo na vida espiritual. Eles assumem que a quantidade de jejum é um indicador confiável da seriedade da fé. Jesus discorda — não da seriedade do jejum em si, mas da equação automática entre prática externa e qualidade interior. Toda tradição religiosa enfrenta esse desafio: como cultivar formas que ajudam a fé sem deixar que as formas se tornem o ponto.
O filósofo Søren Kierkegaard tratou desse problema em vários de seus textos. Para ele, a religiosidade autêntica não pode ser confundida com a religiosidade institucional. Kierkegaard chamou de "cristandade" o sistema social que se autonomeia cristão sem necessariamente envolver a decisão interior de fé. A diferença entre cristandade e cristianismo é a mesma diferença que Jesus está estabelecendo aqui: pode-se jejuar muito e estar longe da disposição certa; pode-se não jejuar e estar próximo de Deus.
Há também uma dimensão fenomenológica importante. Edmund Husserl ensinou que toda consciência é "consciência de algo" — sempre se dirige a um objeto. A pergunta a se fazer sobre o jejum, então, é: a quem ou ao quê essa prática se dirige? Se o jejum se torna autorreferente — feito para se mostrar disciplinado, para se sentir religioso, para se diferenciar de outros — perde sua finalidade. Quando dirige-se a Deus, encontrando-o como objeto da consciência, recupera seu sentido.
A resposta de Jesus (no versículo seguinte) introduz uma categoria temporal: enquanto o noivo está com os convidados, não se jejua. Isso aponta para o que Henri Bergson chamaria de kairos — o tempo qualitativo, em oposição ao chronos, o tempo cronológico medido. Há tempos espirituais diferentes: tempo de festa, tempo de luto, tempo de silêncio, tempo de ação. A sabedoria espiritual consiste em reconhecer em qual tempo se está e responder com a prática adequada. O erro dos discípulos de João é aplicar uma prática única (jejum constante) a todos os tempos.
7. Aplicações Práticas
Examinar a relação entre prática e propósito Toda disciplina espiritual — jejum, oração, leitura, silêncio — precisa ser feita com clareza de propósito. A pergunta a se fazer regularmente é simples: por que estou fazendo isso? Se a resposta é "por costume", "porque sempre fiz" ou "porque os outros fazem", está na hora de redescobrir o sentido.
Não medir espiritualidade pelo volume A pergunta dos discípulos de João presume que mais jejum é igual a mais fé. Essa equação é falsa. Espiritualidade não se mede por quantidade. Pode-se jejuar pouco e ter um coração inteiro voltado para Deus; pode-se jejuar muito e estar internamente longe. A medida verdadeira é o amor a Deus e ao próximo.
Reconhecer os tempos espirituais A vida cristã tem ritmos. Há momentos de celebração e momentos de quebrantamento. Há tempos de ação e tempos de silêncio. Forçar uma única prática para todos os tempos é não respeitar essa pulsação. A sabedoria está em reconhecer em que momento se está e responder com a postura adequada.
Acolher a novidade de Cristo Os discípulos de João estavam presos a um modelo. Jesus estava trazendo algo novo. Em qualquer época, há o risco de aprisionar Cristo a um modelo religioso pré-existente. A novidade do Reino sempre desafia padrões. O crente é chamado a estar atento ao que Deus está fazendo agora, não apenas a repetir o que sempre se fez.
Praticar o jejum quando for tempo A resposta de Jesus não abole o jejum — apenas o reposiciona. Há momentos em que a abstenção alimentar abre espaço para oração mais focada, para discernimento mais claro, para arrependimento mais profundo. Quando esse tempo chega, vale a pena exercitar a prática com seriedade.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas sobre o Versículo
1. Como a presença de Jesus muda a compreensão tradicional do jejum para seus discípulos?
A presença corporal de Jesus durante seu ministério terrestre é apresentada como tempo de festa — de encontro com o Noivo. Nesse tempo, jejuar seria um descompasso com o que está acontecendo. Após sua ascensão, o jejum recupera seu lugar como expressão de espera, anseio e aprofundamento espiritual. A questão de fundo é que a presença de Cristo redefine o sentido das práticas: tudo agora gira em torno do relacionamento com ele, e cada disciplina ganha ou perde sentido conforme contribui ou não para esse relacionamento.
2. De que formas o jejum pode ser uma prática significativa para os cristãos hoje, e como deve diferir do mero ritual?
O jejum significativo não é o que cumpre uma regra; é o que abre espaço interior para encontrar Deus. Pode ser uma abstenção alimentar pontual ligada a um pedido específico em oração, a um período de discernimento sobre uma decisão importante, a um momento de arrependimento mais profundo, ou simplesmente a uma busca renovada de Deus em meio à correria. O que diferencia o jejum espiritual do mero ritual é a presença de oração, atenção a Deus e disposição de mudança. Sem isso, é dieta — e dieta não transforma o coração.
3. Como podemos garantir que nossas práticas espirituais, como o jejum, estejam focadas em aprofundar o relacionamento com Cristo e não em cumprir obrigações religiosas?
A primeira garantia é a honestidade interior. Perguntar com regularidade: estou fazendo isso para encontrar Deus ou para cumprir uma cota? A segunda é a discrição. Jesus, em Mateus 6, orienta que o jejum seja praticado em segredo, sem ostentação. Práticas espirituais que precisam ser percebidas pelos outros já estão contaminadas pela busca de reconhecimento. A terceira garantia é a flexibilidade. Tradição é boa quando serve; quando vira camisa de força, perde a função original.
4. Que lições podemos tirar dos discípulos de João e dos fariseus sobre as armadilhas potenciais das práticas religiosas?
A primeira armadilha é confundir prática com identidade — "eu sou alguém que jejua duas vezes por semana" como base da autopercepção. Essa identidade é frágil porque depende de fazer, não de ser. A segunda armadilha é a comparação — usar a prática para medir-se em relação aos outros, gerando julgamento. A terceira armadilha é a inflexibilidade — aplicar a mesma prática a todos os tempos e contextos, sem reconhecer que o Espírito sopra como quer. A vida cristã madura aprende a manter as práticas sem ser controlada por elas.
5. Como podemos aplicar os princípios do jejum e de outras disciplinas espirituais em nossa vida cotidiana para refletir os ensinamentos de Jesus?
A aplicação começa por entender que disciplinas espirituais não são uniformes — são variadas e podem se combinar. Jejum, oração, leitura da Palavra, silêncio, generosidade, hospitalidade, serviço, adoração. Cada uma cultiva uma dimensão diferente da vida com Deus. O cristão maduro vai descobrindo, ao longo do tempo, quais disciplinas mais o ajudam em cada estação da vida, e ajusta a prática conforme as necessidades. O princípio condutor é simples: a disciplina deve servir ao crescimento; quando deixa de servir, é hora de reavaliar.
9. Conexão com Outros Textos
Mateus 6:16-18
Jesus ensina sobre a atitude correta diante do jejum, enfatizando sinceridade em vez de exibição pública:
"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa." (Mateus 6:16)
Isaías 58:3-7
Discute o verdadeiro propósito do jejum, focando em justiça e compaixão em vez do mero ritual:
"Porventura não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes ir livres os oprimidos, e despedaces todo jugo?" (Isaías 58:6)
Lucas 5:33-35
Relato paralelo em que Jesus explica a adequação do jejum em relação à sua presença:
"E disseram-lhe: 'Os discípulos de João jejuam frequentemente e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem.' Jesus, porém, lhes respondeu: 'Podeis fazer jejuar os convidados para as bodas, enquanto o noivo está com eles?'" (Lucas 5:33-34)
Atos 13:2-3
Os primeiros cristãos jejuavam e oravam por orientação, mostrando a continuidade da relevância do jejum no Novo Testamento:
"E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: 'Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.' Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram." (Atos 13:2-3)
10. Original Grego e Análise
Versículo em português: "Então vieram a ele os discípulos de João e perguntaram: 'Por que jejuamos nós e os fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?'" (Mateus 9:14)
Texto em grego: Τότε προσέρχονται αὐτῷ οἱ μαθηταὶ Ἰωάννου λέγοντες· Διὰ τί ἡμεῖς καὶ οἱ Φαρισαῖοι νηστεύομεν πολλά, οἱ δὲ μαθηταί σου οὐ νηστεύουσιν;
Transliteração: Tote proserchontai autō hoi mathētai Iōannou legontes: Dia ti hēmeis kai hoi Pharisaioi nēsteuomen polla, hoi de mathētai sou ou nēsteuousin?
Análise palavra por palavra:
Τότε (Tote) "Então", "naquele tempo". Adverbio temporal característico de Mateus — usado mais de 90 vezes no Evangelho para conectar episódios. Marca uma transição narrativa: terminou a cena com os fariseus, começa a cena com os discípulos de João.
προσέρχονται (proserchontai) Presente do verbo προσέρχομαι (proserchomai), "aproximar-se", "vir até". O presente histórico, comum no grego narrativo, dá imediatez à cena — como se acontecesse diante dos olhos do leitor.
οἱ μαθηταὶ Ἰωάννου (hoi mathētai Iōannou) "Os discípulos de João". μαθηταί é o plural de μαθητής, "discípulo", "aprendiz". Ἰωάννης é a forma grega de João. Eles se identificam pelo mestre — pertencer a um rabino era uma identidade social significativa no judaísmo da época.
λέγοντες (legontes) Particípio presente de λέγω (legō), "dizer". Introduz o conteúdo da fala. A construção é típica do grego bíblico.
Διὰ τί (Dia ti) "Por que". Mesma construção interrogativa usada pelos fariseus em 9:11. Mas o tom aqui é diferente: não é acusação disfarçada, mas pergunta genuína.
ἡμεῖς καὶ οἱ Φαρισαῖοι (hēmeis kai hoi Pharisaioi) "Nós e os fariseus". O pronome de primeira pessoa enfatiza a identificação dos discípulos de João com a prática farisaica do jejum — pelo menos nesse aspecto, eles se sentem do mesmo lado.
νηστεύομεν πολλά (nēsteuomen polla) "Jejuamos muito" ou "jejuamos frequentemente". νηστεύω (nēsteuō), "jejuar". O advérbio πολλά (polla) intensifica — não é jejum ocasional; é prática frequente, marcante.
οἱ δὲ μαθηταί σου (hoi de mathētai sou) "Mas os teus discípulos". A partícula δέ marca contraste. σου ("teus") personaliza a pergunta — não é só sobre seguidores em geral; é sobre os que pertencem a Jesus especificamente.
οὐ νηστεύουσιν (ou nēsteuousin) "Não jejuam". A negação οὐ é forte, definitiva. A constatação é factual: os discípulos de Jesus não estão sendo vistos em prática de jejum.
11. Conclusão
Mateus 9:14 abre uma das questões mais importantes da vida espiritual: a relação entre práticas religiosas e o coração da fé. Os discípulos de João vêm com sinceridade, mas trazem uma equação implícita — quanto mais jejum, mais piedade. Jesus, na resposta dos versículos seguintes, vai desmontar essa equação.
A pergunta é honesta e merece resposta honesta. Jesus não acusa os discípulos de João de hipocrisia (como faria com os fariseus em outros momentos). Apenas responde no idioma deles — usa a imagem nupcial, conhecida da tradição profética, para explicar por que aquele tempo específico é tempo de festa. Há, em outras palavras, momentos espirituais diferentes que pedem respostas diferentes.
Para o leitor contemporâneo, o versículo é convite a duas coisas. A primeira: examinar honestamente as próprias práticas espirituais e perguntar se elas estão produzindo encontro com Deus ou apenas cumprindo um padrão. A segunda: reconhecer que a vida cristã tem ritmos. Nem todo momento pede o mesmo. A sabedoria espiritual está em discernir em que tempo se está e responder com a prática adequada — sem rigidez, mas também sem leveza descomprometida.










