Quando os fariseus viram isso, perguntaram aos discípulos: "Por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores?"
1. Introdução
Uma pergunta pode revelar mais sobre quem pergunta do que sobre o tema em questão. Em Mateus 9:11, os fariseus observam a cena da refeição na casa de Mateus e formulam uma indagação que, à primeira vista, parece buscar esclarecimento — mas que, no fundo, expõe a estrutura mental de quem a faz. A pergunta dirigida aos discípulos é um exercício de julgamento disfarçado de questionamento.
O versículo é o segundo movimento de uma cena que começou no versículo anterior. Jesus está à mesa com publicanos e pecadores; os fariseus observam à distância e reagem. A reação não é direta — eles não confrontam Jesus, e sim procuram os discípulos. Esse detalhe narrativo é importante: revela a estratégia, a postura e a teologia daqueles que vigiam o ministério de Jesus. Este estudo examina a identidade do grupo que faz a pergunta, o conteúdo da pergunta em si, o que essa cena diz sobre a tensão entre legalismo e graça, e como o leitor contemporâneo é colocado diante das mesmas perguntas que os fariseus fizeram naquele dia.
2. Contexto Histórico e Cultural
Os fariseus formavam um dos principais grupos religiosos do judaísmo do século I. Diferentes dos saduceus, que estavam ligados ao templo e à aristocracia sacerdotal, os fariseus eram um movimento popular, presente nas sinagogas e nas comunidades locais. Sua autoridade vinha não de cargos institucionais, mas do prestígio que conquistavam pela observância rigorosa da Lei de Moisés e da tradição oral acumulada ao longo de séculos.
A preocupação central dos fariseus era a pureza ritual. Eles estendiam para a vida cotidiana regras de pureza que originalmente se aplicavam aos sacerdotes em serviço no templo. Lavagem das mãos antes das refeições, separação rigorosa entre alimentos puros e impuros, distância de pessoas e objetos considerados contaminantes — tudo isso compunha um modo de vida orientado pela vigilância sobre os limites. Para os fariseus, a santidade se manifestava nessa separação cuidadosa.
Comer junto, nesse contexto, era um ato altamente regulado. A refeição compartilhada significava aceitação plena: aceitar a companhia, a comida, a casa, o status do anfitrião. Por isso os fariseus evitavam refeições com pessoas cuja pureza não pudessem garantir. Eles tinham até refeições de associação — os haverim — em que apenas integrantes do grupo participavam, justamente para evitar contaminação.
A cena na casa de Mateus rompia esse código em todos os pontos. Um ex-publicano hospeda Jesus; outros publicanos e pessoas categorizadas como "pecadoras" estão à mesa; e Jesus, reconhecido publicamente como mestre religioso, partilha da refeição sem reserva. Para os fariseus, isso não era um detalhe — era uma transgressão visível das fronteiras que definiam, em sua leitura, o que significava viver diante de Deus.
A escolha de dirigir a pergunta aos discípulos, e não a Jesus, também tem peso cultural. No mundo rabínico, o discípulo era responsável por defender e explicar a conduta do mestre. Questionar os discípulos era uma forma de avaliar o ensino de Jesus indiretamente, expor possíveis fragilidades e, ao mesmo tempo, semear dúvidas no grupo que o seguia.
3. Análise Teológica do Versículo
Quando os fariseus viram isso
Os fariseus eram um grupo religioso conhecido pela adesão rigorosa à Lei de Moisés e às tradições orais. Posicionavam-se como guardiões da pureza judaica e exerciam grande influência nas sinagogas. A observação que fazem das ações de Jesus reflete o papel que assumiam como vigilantes religiosos, examinando comportamentos que se desviassem de suas interpretações da Lei. O encontro ocorre num ambiente em que Jesus está à mesa, provavelmente em uma casa, espaço comum para ensino e comunhão na cultura judaica.
Perguntaram aos discípulos
Os fariseus se aproximaram dos discípulos em vez de Jesus diretamente, o que sugere uma estratégia para minar a autoridade de Jesus por meio do questionamento dos seguidores. Essa abordagem indireta também pode indicar intimidação ou tentativa de semear dúvida entre os discípulos. Os discípulos, sendo aprendizes e seguidores de Jesus, eram frequentemente questionados sobre os ensinamentos e ações do mestre, refletindo a natureza comunitária do ensino rabínico, em que os discípulos eram esperados defender e explicar as ações do seu mestre.
"Por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores?"
Os publicanos eram desprezados na sociedade judaica pelo papel de recolher impostos para os ocupantes romanos e, frequentemente, pela reputação de extorsão. Os "pecadores", nesse contexto, designavam os que eram vistos como vivendo fora dos limites da Lei, inclusive aqueles que não aderiam às interpretações farisaicas sobre a pureza. Comer com tais indivíduos era visto como sinal de aceitação e comunhão, algo escandaloso para os fariseus, que enfatizavam a separação da impureza. A pergunta destaca a tensão entre o ministério de Jesus, que enfatizava a graça e o cuidado com os marginalizados, e o foco farisaico na pureza ritual e na separação. As ações de Jesus aqui antecipam sua missão de levar a salvação a todos, inclusive aos marginalizados pela sociedade, cumprindo profecias como Isaías 61:1-2, que fala de levar boas novas aos pobres e liberdade aos cativos.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
1. Jesus Figura central do Novo Testamento, o Filho de Deus, que ensina e demonstra o Reino de Deus por meio das suas ações e palavras.
2. Os Fariseus Grupo religioso do judaísmo conhecido pela adesão rigorosa à Lei e às tradições. Questionavam com frequência as ações e os ensinamentos de Jesus.
3. Os Discípulos Seguidores de Jesus que aprendiam com seus ensinamentos e observavam o seu ministério.
4. Os Publicanos Considerados pecadores e párias na sociedade judaica devido ao papel que exerciam, recolhendo impostos para os ocupantes romanos. Eram frequentemente vistos como traidores e corruptos.
5. Os "Pecadores" Termo usado para descrever os que eram vistos como vivendo fora das leis morais e religiosas da época.
5. Pontos de Ensino
A missão de Jesus aos marginalizados Jesus se associa intencionalmente aos considerados párias para demonstrar o amor e a graça de Deus por todas as pessoas, e não apenas pela elite religiosa.
O desafio do legalismo A pergunta dos fariseus revela uma mentalidade legalista que valoriza a pureza ritual acima da compaixão e da misericórdia. O crente é chamado a priorizar o amor e a graça em vez da adesão rígida à tradição.
Compreender a verdadeira justiça A justiça verdadeira não consiste em separar-se dos pecadores, mas em engajar-se com eles para trazer cura e transformação por meio de Cristo.
O papel do discipulado Como discípulos, somos chamados a seguir o exemplo de Jesus, alcançando os marginalizados e compartilhando a mensagem de esperança e redenção.
Reflexão sobre atitudes pessoais Esta passagem nos desafia a examinar nossas próprias atitudes em relação aos que a sociedade considera "pecadores" e a alinhar o coração ao amor inclusivo de Jesus.
6. Aspectos Filosóficos
A pergunta dos fariseus é um exemplo claro do que os filósofos contemporâneos chamam de "violência simbólica". O conceito, desenvolvido por Pierre Bourdieu, descreve a forma de coerção que opera não pela força física, mas pela imposição de categorias de pensamento que classificam, hierarquizam e excluem. Quando os fariseus perguntam "por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores", eles não estão buscando informação — estão aplicando uma categoria pronta sobre a cena que veem. A pergunta é, em si, uma sentença.
Hannah Arendt, ao analisar a forma como sociedades produzem grupos descartáveis, observou que a primeira etapa da exclusão é sempre linguística: dar um nome que separa, marca e diminui. "Pecadores", no vocabulário farisaico, exercia exatamente essa função — um rótulo que dispensava o conhecimento da pessoa concreta e autorizava o distanciamento. Ao romper a fronteira ao se sentar à mesa, Jesus não apenas acolhe indivíduos; desautoriza o uso do rótulo.
Há ainda uma dimensão epistemológica na cena. Os fariseus "viram" — mas o que viram foi filtrado pela estrutura prévia de classificação que carregavam. Ver, neste sentido, não é um ato neutro: é um ato interpretativo. Maurice Merleau-Ponty, na sua fenomenologia da percepção, mostrou que toda visão é situada — vê-se a partir de um corpo, de uma história, de um conjunto de convicções. A acusação dos fariseus revela menos o que estava acontecendo na mesa e mais o lugar de onde olhavam.
A reação de Jesus, registrada nos versículos seguintes, será desmontar a estrutura: "Não são os sãos que precisam de médico, mas os enfermos". Essa resposta opera o que o filósofo francês Paul Ricoeur chamou de "hermenêutica da suspeita aplicada à própria suspeita" — quem julga é convidado a interrogar a si mesmo. A pergunta volta para quem a fez: e você, com base em que olha, classifica e exclui?
7. Aplicações Práticas
Examinar a própria forma de "ver" Antes de qualquer aplicação externa, este versículo coloca uma pergunta interna: com que lente eu olho para as pessoas ao redor? Categorias prontas — "esse é problemático", "essa não combina com a igreja", "esse aí já era" — operam silenciosamente em nossos julgamentos. Identificar essas categorias é o primeiro passo para soltá-las.
Evitar a crítica indireta Os fariseus não foram a Jesus; foram aos discípulos. Esse padrão se repete hoje: comentários laterais, observações pelas costas, julgamentos compartilhados em grupos paralelos. A coragem cristã é levar a questão a quem ela diz respeito, em conversa direta e respeitosa, em vez de cultivar o murmúrio.
Não confundir piedade com distância Em muitas comunidades, "ser santo" foi traduzido como "não se misturar". A vida de Jesus desmente isso. A santidade dele não se preserva pelo distanciamento — se manifesta no encontro. Aproximar-se de quem é diferente, de quem carrega histórias difíceis, é parte do que significa viver como Cristo viveu.
Refletir sobre o uso de rótulos Em uma cultura de redes sociais, os rótulos circulam mais rápido do que nunca. Definir alguém por uma categoria — política, moral, comportamental — é um atalho que dispensa o trabalho de conhecer a pessoa real. O discípulo de Cristo é chamado a resistir a esse atalho e investir no encontro concreto.
Acolher quem é "questionado" Em toda comunidade existem pessoas que são, de algum modo, "os publicanos da vez" — alvo de críticas, suspeitas ou afastamento. Estar do lado dessas pessoas, como Jesus esteve, é uma das marcas mais concretas de fidelidade ao Evangelho. Não significa endossar tudo o que fazem, mas garantir que a mesa esteja aberta.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas sobre o Versículo
1. Como a disposição de Jesus para comer com publicanos e pecadores desafia a nossa compreensão de santidade e separação do mundo?
A santidade bíblica não é, fundamentalmente, distanciamento físico — é uma forma de presença qualificada. Jesus se aproxima dos publicanos sem se identificar com a corrupção; come com os pecadores sem chancelar o pecado. A santidade dele revela que pureza e proximidade não são opostas. Quando a santidade é entendida apenas como afastamento, ela se torna estéril; quando é entendida como o modo de Cristo estar entre as pessoas, ela se torna missionária.
2. De que formas, como discípulos contemporâneos, podemos seguir o exemplo de Jesus alcançando os marginalizados ou considerados "pecadores" em nossa sociedade?
O primeiro passo é a observação atenta: quem, no nosso bairro, no nosso trabalho, na nossa família estendida, está na posição equivalente à dos publicanos do século I? Pode ser alguém que carrega um estigma, alguém que foi afastado da comunidade religiosa, alguém cuja história é objeto de fofoca. Aproximar-se com interesse genuíno, sem agenda, é o gesto inicial. Convites para refeições, conversas longas, disposição para ouvir sem moralizar — esses são os atos concretos do discipulado.
3. Como as ações dos fariseus nesta passagem refletem uma mentalidade legalista, e de que formas podemos nos resguardar contra atitudes semelhantes em nossa própria vida?
O legalismo aparece quando a regra se torna mais importante do que a pessoa que a regra deveria servir. Os fariseus observavam a mesa de Jesus e viam apenas a violação do código de pureza; não viam os rostos. O resguardo prático contra essa mentalidade é treinar a atenção ao concreto: perguntar sempre, diante de uma regra, "essa regra está servindo a uma pessoa real ou está servindo apenas à minha consciência?". Quando a regra desumaniza, ela traiu sua função.
4. Que outros exemplos bíblicos você consegue encontrar em que Jesus ou seus seguidores alcançaram os considerados párias, e o que podemos aprender desses exemplos?
A samaritana em João 4 é um exemplo claro — Jesus inicia conversa com uma mulher, samaritana, em situação de exposição moral, atravessando três barreiras de exclusão de uma vez. Zaqueu, em Lucas 19, recebe Jesus em casa, novamente um publicano. Filipe e o eunuco etíope em Atos 8 mostram a continuidade do padrão na igreja primitiva. O aprendizado comum é que a iniciativa parte sempre de quem segue a Cristo: não se espera que o "outro" venha; vai-se ao encontro.
5. Como podemos aplicar o princípio da graça acima do legalismo em nossas interações diárias com os outros, especialmente com aqueles que talvez não compartilhem nossas crenças ou valores?
A graça em ação aparece em gestos simples: ouvir sem interromper, fazer perguntas em vez de afirmações categóricas, deixar que a outra pessoa termine de se apresentar antes de responder. A pressa em corrigir, a disposição em apontar o erro logo no início, o uso da diferença de crença como muro — tudo isso é o legalismo em forma cotidiana. A graça é o oposto: começa pela presença qualificada, abre espaço para o relacionamento, e só depois, quando há confiança, oferece a palavra que pode transformar.
9. Conexão com Outros Textos
Lucas 5:30
Relato semelhante em que os fariseus questionam a associação de Jesus com publicanos e pecadores, destacando o desafio constante que Jesus enfrentava da parte dos líderes religiosos:
"Mas os fariseus e os escribas dentre eles murmuravam contra os discípulos de Jesus, dizendo: 'Por que comeis e bebeis com os publicanos e pecadores?'" (Lucas 5:30)
Marcos 2:16
Outra passagem paralela que enfatiza o mesmo evento, mostrando a importância deste momento de ensino nos Evangelhos Sinóticos:
"Os escribas dos fariseus, vendo-o comer com os pecadores e publicanos, perguntavam aos seus discípulos: 'Por que come ele com os publicanos e pecadores?'" (Marcos 2:16)
Mateus 11:19
Jesus é acusado de ser amigo de publicanos e pecadores, e usa essa acusação para ilustrar a incompreensão da sua missão:
"Veio o Filho do Homem, comendo e bebendo, e dizem: 'Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores'. Mas a sabedoria é justificada pelas suas obras." (Mateus 11:19)
1 Timóteo 1:15
Paulo afirma que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores, em consonância com a missão de Jesus demonstrada nesta passagem:
"Esta é uma palavra fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou o maior." (1 Timóteo 1:15)
10. Original Grego e Análise
Versículo em português: "Quando os fariseus viram isso, perguntaram aos discípulos: 'Por que o vosso Mestre come com publicanos e pecadores?'" (Mateus 9:11)
Texto em grego: Καὶ ἰδόντες οἱ Φαρισαῖοι ἔλεγον τοῖς μαθηταῖς αὐτοῦ· Διὰ τί μετὰ τῶν τελωνῶν καὶ ἁμαρτωλῶν ἐσθίει ὁ διδάσκαλος ὑμῶν;
Transliteração: Kai idontes hoi Pharisaioi elegon tois mathētais autou: Dia ti meta tōn telōnōn kai hamartōlōn esthiei ho didaskalos hymōn?
Análise palavra por palavra:
ἰδόντες (idontes) Particípio aoristo de ὁράω (horaō), "ver". O aoristo marca a ação como concluída: eles viram, no sentido de presenciaram, observaram. O particípio dá à frase o sentido de "tendo visto" — a pergunta nasce da visão. O detalhe é importante porque o que eles veem já chega filtrado pela teologia que carregam.
οἱ Φαρισαῖοι (hoi Pharisaioi) "Os fariseus". O nome deriva possivelmente do aramaico perishaya, "os separados". Era um grupo religioso popular, conhecido pelo zelo pela Lei e pelas tradições orais. A nomenclatura "separados" é reveladora: a identidade do grupo se construía sobre a distância em relação ao que consideravam impuro.
ἔλεγον (elegon) Imperfeito de λέγω (legō), "dizer". O imperfeito indica uma ação contínua ou repetida no passado. Eles não fizeram a pergunta uma única vez — ficavam dizendo, repetindo, espalhando o questionamento. O tempo verbal revela o caráter persistente da crítica.
τοῖς μαθηταῖς αὐτοῦ (tois mathētais autou) "Aos discípulos dele". A pergunta é dirigida aos seguidores, não a Jesus. μαθητής (mathētēs) significa aprendiz, aquele que aprende com um mestre. Os fariseus exploram a posição dos discípulos — aprendizes ainda em formação — como o ponto mais vulnerável para introduzir a dúvida.
Διὰ τί (Dia ti) "Por que". Pergunta causal. Mas no contexto, não é uma pergunta aberta; é uma acusação em forma de pergunta. O equivalente em português seria "como é possível que" ou "que sentido tem".
μετὰ τῶν τελωνῶν καὶ ἁμαρτωλῶν (meta tōn telōnōn kai hamartōlōn) "Com os publicanos e pecadores". A preposição μετά (meta) com genitivo expressa companhia íntima — não apenas "perto de", mas "junto com". É o tipo de comunhão que se estabelece numa refeição compartilhada. τελώνης (telōnēs) é o cobrador de impostos romano; ἁμαρτωλός (hamartōlos), o que desvia do alvo, aquele cuja conduta foi classificada como fora dos parâmetros aceitáveis pelos religiosos.
ἐσθίει (esthiei) Presente do indicativo de ἐσθίω (esthiō), "comer". O presente indica ação em curso: ele está comendo, agora, neste momento. A flagrante atualidade do ato é o que torna a cena escandalosa para os fariseus.
ὁ διδάσκαλος ὑμῶν (ho didaskalos hymōn) "O vosso Mestre". διδάσκαλος (didaskalos) é o equivalente grego de "rabi" — mestre que ensina. O uso aqui é levemente irônico: ao chamarem Jesus de "vosso mestre", os fariseus marcam distância e sugerem que esse mestre não corresponde ao que um mestre verdadeiro deveria fazer.
11. Conclusão
Mateus 9:11 registra uma pergunta — e é justamente na pergunta que está o ensino. Os fariseus, ao olharem para a mesa de Jesus, não veem um mestre que se ocupa daqueles que mais precisam; veem uma violação do código que organiza o mundo deles. A diferença de perspectiva entre o que Jesus faz e o que os fariseus enxergam é a diferença entre dois modos de habitar a fé: um que se constitui pela separação, outro que se constitui pela aproximação.
A pergunta dirigida aos discípulos é, ao mesmo tempo, uma pergunta dirigida a todo leitor do Evangelho: com que olhos você observa quem está ao redor? Quais categorias prontas você aplica antes mesmo de conhecer a pessoa? Que mesa você está disposto a compartilhar?
A resposta de Jesus, registrada nos versículos seguintes, desmonta o pressuposto da pergunta: o médico vai aos enfermos, não aos sãos. Quem entende a graça entende que ninguém merece a mesa — e que justamente por isso ela está aberta. Esse é o coração da Boa Nova: não a recompensa do justo, mas o convite ao pecador. Os publicanos e pecadores na casa de Mateus são uma antecipação da Igreja de todos os tempos, formada não pelos puros, mas pelos chamados.










