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Mateus 9:8

✍️ Por Alberto Adriano·13 de abril de 2026·⏱️ 11 min de leitura·👁 299 acessos
E as multidões, vendo isto, se maravilharam e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.
A multidão em Cafarnaum, tomada de temor reverente, glorificando a Deus diante do paralítico curado.

Estudo


Vendo isso, a multidão ficou cheia de temor e glorificou a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

1. Introdução

O episódio se fecha com a reação da multidão: diante do paralítico curado, as pessoas "temeram, e glorificaram a Deus, que tinha dado tal autoridade aos homens". O medo reverente e o louvor se misturam. O povo reconhece que algo divino aconteceu ali, ainda que sem compreender inteiramente o alcance do que viu.

Há um detalhe notável no final. A multidão glorifica a Deus "que dera tal autoridade aos homens". A autoridade que Jesus acabara de exercer — perdoar pecados, curar com a palavra — é percebida como um dom de Deus concedido no plano humano. O povo não formula uma doutrina precisa sobre quem é Jesus; apenas reconhece, com temor e gratidão, que a autoridade divina se manifestou na terra, entre os homens. É um reconhecimento verdadeiro, embora ainda incompleto.

2. Contexto Histórico e Cultural

A multidão conhecia bem o ensino de que só Deus pode perdoar pecados. Por isso, ver um homem declarar o perdão e confirmá-lo com uma cura era ao mesmo tempo espantoso e perturbador. A reação de temor não é medo de ameaça, mas o assombro reverente que os relatos bíblicos descrevem quando alguém percebe a presença e a ação de Deus. É o mesmo tipo de reação que aparece diante de outros milagres nos evangelhos.

Glorificar a Deus por um acontecimento extraordinário estava profundamente enraizado na tradição judaica: o povo louvava a Deus como fonte de todo prodígio. Aqui, porém, há uma sutileza. Eles reconhecem que Deus deu "tal autoridade aos homens" — uma percepção parcial. Não chegam a confessar a divindade de Jesus; enxergam-no como um homem a quem Deus concedeu um poder extraordinário. É um reconhecimento genuíno, mas ainda a caminho, que capta a origem divina do que viram sem alcançar plenamente a identidade de quem o realizou.

3. Análise Teológica do Versículo

"Quando as multidões viram isto,"

O contexto é a cura do paralítico e o perdão dos seus pecados. A multidão conhecia o ensino de que só Deus pode perdoar pecados, o que tornava as ações de Jesus ao mesmo tempo espantosas e controversas. Esse testemunho público de obras milagrosas e de autoridade divina foi decisivo para o reconhecimento do poder de Jesus.

"temeram,"

O termo grego traduz-se por "temor", "reverência" ou assombro. Essa reação aparece ao longo dos evangelhos quando as pessoas testemunham os milagres de Jesus, indicando o reconhecimento de uma intervenção divina. A resposta emocional profunda reflete o poder e a autoridade extraordinários de Jesus, que ultrapassam a compreensão humana comum.

"e glorificaram a Deus,"

A glorificação revela que a multidão reconheceu Deus como a fonte da autoridade e do poder de Jesus. Essa resposta está em sintonia com a tradição judaica de louvar a Deus pelos acontecimentos milagrosos. Os milagres de Jesus serviam para revelar a glória de Deus e inspirar adoração, em consonância com outros relatos bíblicos em que a intervenção de Deus gera louvor.

"que tinha dado tal autoridade aos homens."

A frase ressalta a autoridade singular concedida a Jesus que, embora plenamente humano, exerce um poder divino. O reconhecimento da multidão reflete uma compreensão apenas parcial da identidade messiânica de Jesus. Essa autoridade cumpre profecias do Antigo Testamento sobre um Salvador dotado de poder divino e prefigura a autoridade que Jesus mais tarde concederia aos seus discípulos.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

As multidões — o povo que testemunha a cura e reage com temor reverente e louvor, reconhecendo a ação de Deus, embora sem compreendê-la por inteiro.

Jesus — quem exerceu a autoridade de perdoar e curar, percebida pela multidão como um poder de origem divina.

O paralítico curado — a prova viva que provoca o assombro e o louvor do povo.

Cafarnaum — a cidade onde ocorre o milagre e a reação da multidão.

O temor e a glorificação — a resposta do povo, que mistura assombro reverente e gratidão a Deus.

5. Pontos de Ensino

A resposta de temor e louvor

Diante da ação de Deus, o assombro reverente e a adoração são reações justas. Testemunhar o poder divino deve conduzir ao louvor.

Reconhecimento parcial

A multidão reconheceu a origem divina do que viu, mas não alcançou plenamente quem era Jesus. Há graus no reconhecer a Deus.

A autoridade dada aos homens

O povo glorifica a Deus por conceder tal autoridade no plano humano, apontando para o modo como Deus age na terra por meio de Jesus.

O testemunho que gera adoração

A cura visível levou a multidão a glorificar a Deus. As obras de Deus, quando reconhecidas, despertam adoração.

6. Aspectos Filosóficos

O versículo apresenta um reconhecimento verdadeiro e, ao mesmo tempo, incompleto — e vale tratar isso com honestidade e o devido grau de certeza. A multidão glorifica a Deus "que dera tal autoridade aos homens". A frase é reveladora: eles percebem corretamente que a autoridade exercida por Jesus é de origem divina, mas a interpretam como um dom de Deus a um homem, não como manifestação da própria divindade de Jesus. Não é erro grosseiro; é uma verdade parcial. Eles acertam na fonte (Deus) e ficam aquém quanto à pessoa (quem é Jesus).

Isso sugere que o reconhecimento de Deus admite graus. Entre a cegueira dos escribas, que atribuíram a Jesus blasfêmia, e a plena confissão de sua divindade, há a posição intermediária da multidão: temor sincero e louvor genuíno, sobre uma compreensão ainda a caminho. O texto não condena essa reação; registra-a como resposta legítima, ainda que inacabada. Há aqui uma lição sobre a fé real das pessoas comuns: ela raramente nasce completa. Começa no assombro diante da ação de Deus e vai amadurecendo. O grau de certeza que o texto permite é este: a multidão reconheceu o divino em ação, mas o versículo, com sobriedade, não lhes atribui uma confissão que não fizeram.

7. Aplicações Práticas

Responda com louvor ao que Deus faz. A multidão glorificou a Deus diante do milagre. Reconhecer a ação divina e agradecer é uma resposta justa e saudável.

Aceite que a fé cresce por etapas. O reconhecimento do povo era parcial, e nem por isso foi rejeitado. Não despreze uma fé ainda incompleta, na sua vida ou na dos outros.

Cultive o temor reverente. O assombro diante de Deus não é medo servil, mas reconhecimento de sua grandeza. Perder esse temor é empobrecer a fé.

Deixe as obras de Deus apontarem para ele. A multidão glorificou a Deus, não o homem. Quando algo bom acontece por meio de alguém, a glória pertence à fonte divina.

Avance do assombro ao conhecimento. Admirar-se é o começo, não o fim. Vale buscar conhecer mais profundamente quem é aquele diante de quem nos admiramos.

Seja testemunha do que viu. A cena moveu o povo ao louvor público. Compartilhar aquilo que Deus fez pode conduzir outros ao mesmo reconhecimento.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

1. O que significa Mateus 9:8?

Diante do paralítico curado, a multidão reage com temor reverente e glorifica a Deus por ter dado "tal autoridade aos homens". O versículo registra um reconhecimento verdadeiro, mas parcial: o povo percebe a origem divina do que viu, sem alcançar plenamente quem é Jesus.

2. Como o versículo demonstra a autoridade de Deus dada a Jesus?

A multidão atribui a Deus a origem da autoridade que Jesus exerceu ao perdoar e curar. Reconhece que aquele poder não era humano, mas concedido por Deus e manifesto na terra, entre os homens.

3. Qual foi a reação da multidão à autoridade de Jesus?

Temor e louvor. O temor é o assombro reverente diante da presença de Deus; o louvor, a gratidão por presenciar a sua ação. As duas reações, juntas, expressam o reconhecimento de algo divino.

4. Como podemos reconhecer a autoridade de Deus no dia a dia?

Atentando às suas obras e respondendo com temor reverente e louvor, como a multidão. Reconhecer a autoridade de Deus é atribuir a ele a origem do bem que vemos e submeter-se ao seu senhorio.

5. Quais passagens do Antigo Testamento prenunciam a autoridade de Deus dada a Jesus?

Daniel 7:13-14, que descreve o Filho do homem recebendo domínio de Deus, e as promessas de um Salvador dotado de poder divino. A autoridade que a multidão reconheceu cumpre essas expectativas.

6. Por que a multidão glorificou a Deus?

Porque reconheceu nele a fonte do poder que curou o paralítico. Na tradição judaica, todo prodígio conduzia ao louvor de Deus; aqui, o milagre despertou naturalmente essa adoração.

7. O que o versículo revela sobre a relação entre Deus e a humanidade?

Revela que Deus age na terra, entre os homens, concedendo a sua autoridade. A frase "tal autoridade aos homens" aponta para um Deus que não permanece distante, mas manifesta o seu poder no plano humano — plenamente, na pessoa de Jesus.

9. Conexão com Outros Textos

Marcos 2:12

E logo ele se levantou... de tal maneira, que todos ficaram admirados, e glorificaram a Deus, dizendo: Nunca vimos algo assim.

O relato paralelo registra a mesma reação de assombro e louvor diante do milagre.

Lucas 5:26

E todos ficaram admirados, e glorificaram a Deus; e ficaram cheios de temor, dizendo: Hoje vimos maravilhas!

Lucas une, como Mateus, o temor e a glorificação, confirmando a resposta da multidão à cura.

Atos 5:31

A este Deus exaltou com sua mão direita por Príncipe e Salvador, para dar a Israel arrependimento e perdão de pecados.

Mostra que a autoridade de perdoar, reconhecida aqui de modo parcial, é confirmada em Jesus, exaltado por Deus para conceder o perdão.

Daniel 7:14

E foi lhe dado domínio, honra, e reino, de modo que todos os povos, nações e línguas lhe serviram...

A autoridade que a multidão percebe como "dada" ecoa o domínio que Deus concede ao Filho do homem em Daniel.

10. Original Grego e Análise

Texto em português: E as multidões, vendo isto, se maravilharam e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

Texto grego: ἰδόντες δὲ οἱ ὄχλοι ἐθαύμασαν, καὶ ἐδόξασαν τὸν θεὸν τὸν δόντα ἐξουσίαν τοιαύτην τοῖς ἀνθρώποις.

Transliteração: idóntes dè hoi óchloi ethaúmasan, kai edóxasan tòn theòn tòn dónta exousían toiaútēn toîs anthrṓpois.

Análise palavra por palavra:

hoi óchloi (οἱ ὄχλοι) — "as multidões": o povo comum, distinto dos escribas. São eles, e não os líderes religiosos, que reconhecem a ação de Deus.

ethaúmasan (ἐθαύμασαν) — "maravilharam-se, admiraram-se": no Textus Receptus, o verbo é "espantar-se". Aqui surge uma observação de honestidade textual: a tradução em português diz "temeram", seguindo outra tradição de manuscritos que traz ἐφοβήθησαν (efobḗthēsan), "tiveram medo, temeram". A diferença entre "maravilharam-se" e "temeram" é uma variante entre as famílias de manuscritos; o sentido geral — uma reação reverente e intensa diante do divino — permanece o mesmo. O grau de certeza sobre a palavra exata é, portanto, moderado; sobre o sentido, alto.

edóxasan (ἐδόξασαν) — "glorificaram, louvaram": deram glória a Deus. A palavra é a raiz de "doxologia". A reação culmina em louvor.

exousían toiaútēn (ἐξουσίαν τοιαύτην) — "tal autoridade": a mesma palavra "autoridade" (exousía) do versículo 6. O povo reconhece o poder que Jesus exerceu, percebendo-o como algo excepcional.

toîs anthrṓpois (τοῖς ἀνθρώποις) — "aos homens": no plural. A multidão entende a autoridade como concedida por Deus ao plano humano — reconhecimento verdadeiro da origem divina, mas ainda aquém de confessar a divindade de Jesus.

Nota teológica: o versículo fecha o episódio com um reconhecimento genuíno, porém incompleto, e o texto o registra sem exagero. Com grau de certeza alto, a multidão atribui a Deus a origem da autoridade exercida; com honestidade, o versículo não lhes coloca na boca uma confissão da divindade de Jesus que eles não fizeram — falam de autoridade "dada aos homens". Vale ainda notar a variante textual entre "maravilharam-se" (Textus Receptus) e "temeram" (adotado na tradução), um bom exemplo de como as famílias de manuscritos por vezes divergem em uma palavra sem alterar o sentido essencial. O que o texto afirma com firmeza é que a ação de Jesus foi percebida como divina e conduziu o povo ao louvor.

11. Conclusão

Mateus 9:8 encerra o episódio com a reação do povo: temor reverente e louvor a Deus. Diante do paralítico curado, a multidão reconhece que algo divino aconteceu — mas o faz de modo parcial, glorificando a Deus por ter dado "tal autoridade aos homens", sem alcançar plenamente quem é Jesus. É um reconhecimento verdadeiro, ainda que a caminho.

O versículo ensina que a fé costuma nascer assim: no assombro diante da ação de Deus, antes da compreensão completa. Entre a cegueira dos escribas e a plena confissão da divindade de Cristo, a multidão ocupa um lugar intermediário, de temor sincero e gratidão genuína. O texto não despreza essa resposta inacabada; acolhe-a. E, ao registrar com sobriedade até a variante entre "temeram" e "maravilharam-se", lembra-nos de que a honestidade com o texto e a reverência diante do seu conteúdo caminham juntas. O que fica, ao fim, é o essencial: a autoridade divina de perdoar e curar manifestou-se na terra, e quem a viu não pôde senão glorificar a Deus.

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