Os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Gatã e Quenaz.
1. Introdução
Cinco nomes, e é tudo o que o versículo tem.
São os filhos de Elifaz, primogênito de Esaú — a terceira geração da lista, e a única que o capítulo desenvolve em detalhe. Todos os cinco reaparecem nos versículos 15 e 16 com o título de chefe.
Sobre três deles quase nada se sabe. Omar, Zefô e Gatã aparecem aqui, reaparecem na lista de chefes, são copiados em 1 Crônicas 1:36, e desaparecem. Não há episódio, não há território identificado com segurança, não há menção posterior.
Os outros dois têm história.
Temã vira o nome de uma região edomita e, mais do que isso, sinônimo de sabedoria nos profetas. O assunto é do versículo 15, que trata dele por inteiro.
Quenaz é o caso deste versículo. O nome reaparece séculos depois em Israel, ligado a Calebe e a Otniel, o primeiro juiz — e há um povo chamado quenezeu que Gênesis 15:19 situa em Canaã antes mesmo de Esaú nascer. O que se pode e o que não se pode concluir disso está no item 4.
2. Contexto Histórico e Cultural
Quando um nome de pessoa vira nome de lugar
Este versículo dá cinco pessoas. Os textos posteriores tratam pelo menos duas delas como regiões.
A transformação era comum e tinha lógica prática. Um grupo de parentes ocupava um vale, o vale passava a ser identificado pelo nome do chefe, e depois de algumas gerações ninguém distinguia mais o homem do território.
Amós 1:12 fala do "fogo em Temã", que devora "os palácios de Bozra". Ali Temã é lugar, não pessoa. Habacuque 3:3 diz que "Deus vem de Temã", como se diria de uma direção no mapa.
Isso cria uma ambiguidade que atravessa todo este capítulo, e não há como resolvê-la caso a caso. Quando o versículo 15 diz "o chefe Temã", trata-se do homem, do clã que leva o nome dele, ou do distrito que o clã ocupa? Provavelmente das três coisas ao mesmo tempo, e essa é justamente a maneira antiga de pensar.
Chefes, não reis
Os cinco nomes deste versículo reaparecem, quatro versículos adiante, com um título.
A palavra hebraica traduzida por "chefe" designa o cabeça de um grupo de parentesco — algo entre o chefe de clã e o governador de distrito. Não é rei, não é sacerdote, não é general.
É importante notar a ordem em que o capítulo apresenta as duas formas de poder. Primeiro os chefes, nos versículos 15 a 19; depois os reis, nos versículos 31 a 39. Duas organizações políticas distintas, e o texto guarda as duas listas.
Isso sugere que Edom passou por mais de uma forma de organização ao longo do tempo, o que seria esperado. Como as duas se sucederam ou se sobrepuseram, o capítulo não conta.
Nomes que variam entre manuscritos
Um detalhe pequeno e instrutivo: o terceiro nome deste versículo aparece de duas formas na Bíblia.
Aqui e no versículo 15 é Zefô. Em 1 Crônicas 1:36 é Zefi. A diferença, em hebraico, está numa única letra final, e as duas letras envolvidas são das mais fáceis de confundir na escrita à mão.
Os comentaristas tratam o caso como variação normal, e é o que provavelmente é. Vale o registro pelo que ele ensina sobre o tipo de texto que se está lendo: listas de nomes acumulam pequenas divergências, e nem toda divergência é significativa.
3. Análise Teológica do Versículo
"Os filhos de Elifaz foram"
A fórmula é a mais simples possível, e abre a única geração que o capítulo desenvolve em detalhe.
Vale medir a estrutura. Esaú tem cinco filhos, listados nos versículos 4 e 5. Deles, apenas dois têm filhos registrados: Elifaz, aqui, e Reuel, no versículo 13. E apenas Elifaz tem um sexto filho, nascido de concubina, no versículo 12.
Depois disso a lista para de descer. Nenhum dos netos tem filhos registrados — a genealogia de Esaú termina na terceira geração.
Isso diz o que o documento é. Não é árvore genealógica que busca profundidade; é registro dos grupos que ocupavam o território, e três gerações bastavam para chegar a eles.
Cinco nomes que viram sete chefes
A comparação com os versículos 15 e 16 é instrutiva, e revela como a lista funciona.
Aqui são cinco filhos. Ali são sete chefes descendentes de Elifaz: os cinco daqui, mais Corá e mais Amaleque.
Amaleque é o filho da concubina Timna, registrado no versículo seguinte — e entra na lista de chefes em pé de igualdade com os demais. É dado de peso, e o versículo 12 o trata.
Corá, nessa lista, é o problema de texto examinado no versículo 5: ele é filho de Esaú por Oolibama, não descendente de Elifaz, e o Pentateuco Samaritano não o traz ali.
Ou seja: dos sete chefes atribuídos a Elifaz, cinco estão neste versículo, um vem de concubina e um provavelmente entrou por erro de cópia.
Os três nomes sobre os quais nada se sabe
Omar, Zefô e Gatã.
É honesto dizer com todas as letras: não há informação sobre eles. Aparecem aqui, aparecem nos versículos 15 e 16 como chefes, aparecem em 1 Crônicas 1:36, e acabou. Nenhum episódio, nenhuma região identificada com segurança, nenhuma menção em profeta ou livro histórico.
Os léxicos registram propostas de significado para os três, e as propostas são inseguras. Omar tem sido ligado à palavra hebraica de falar, dando algo como "eloquente"; Zefô, a uma raiz de vigiar, dando "vigia"; e sobre Gatã os léxicos costumam anotar simplesmente que a origem é desconhecida.
Nenhuma dessas leituras se impõe. Convém dizê-lo em vez de escolher a mais bonita e apresentá-la como sentido do nome — que é o que se faz com frequência em listas de significados de nomes bíblicos.
Quenaz
O quinto nome é o que carrega matéria, e ela está desenvolvida no item 4.
Em resumo do que ali se examina: este Quenaz é edomita, neto de Esaú, e vira chefe no versículo 15. Séculos depois, o mesmo nome aparece em Israel, ligado a Calebe e a Otniel, e existe um grupo chamado quenezeu que Gênesis 15:19 lista entre os povos de Canaã na época de Abraão.
A questão é se há ligação, e ela não se resolve. O item 4 apresenta os dados, as três explicações possíveis e a objeção de tempo que pesa contra a mais atraente delas.
Onde este versículo se encaixa
Vale registrar o que a posição dele significa.
O bloco que começou no versículo 9 anunciou "as gerações de Esaú, pai dos edomitas, na região montanhosa de Seir". O versículo 10 recolocou os dois filhos que se desdobram. Este dá o primeiro desdobramento.
Daqui em diante o capítulo não volta mais atrás. Os versículos 12, 13 e 14 completam os três ramos, e os versículos 15 a 19 os repetem com títulos.
É a parte mais seca de um capítulo seco, e é também o núcleo do documento: são estes nomes que os textos posteriores usarão ao falar de Edom.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
Quenaz, o edomita
Quinto filho de Elifaz, neto de Esaú. Aparece aqui, como chefe no versículo 15, e outra vez na lista final do versículo 42. É copiado em 1 Crônicas 1:36 e 1:53.
Nada mais se sabe dele como pessoa. Não há episódio, e o território que o clã dele ocupava não foi identificado.
O interesse do nome está no que acontece com ele em outros livros.
Os quenezeus de Gênesis 15:19
Aqui está o dado que complica tudo, e é preciso pô-lo primeiro.
Gênesis 15:18-21 registra a promessa da terra a Abrão, com a lista dos povos que a ocupavam: "os queneus, os quenezeus, os cadmoneus, os heteus, os ferezeus, os refains, os amorreus, os cananeus, os girgaseus e os jebuseus".
Os quenezeus estão ali, na época de Abrão. Esaú ainda não tinha nascido; Elifaz, muito menos; e este Quenaz é filho de Elifaz — três gerações depois.
A consequência é direta: o povo quenezeu de Gênesis 15:19 não pode descender do Quenaz deste versículo. Barnes (Albert Barnes, comentarista norte-americano do século XIX) diz isso sem rodeios ao notar que se tratava de uma tribo mais antiga.
Isso não encerra a questão, mas exclui a explicação mais simples — a de que os quenezeus seriam simplesmente os descendentes deste homem.
Calebe, o quenezeu
O segundo dado vem do tempo do êxodo, e é de outro tipo.
Calebe, um dos doze enviados a espiar Canaã, é chamado de "filho de Jefoné, o quenezeu" em Números 32:12 e em Josué 14:6 e 14:14. Ao mesmo tempo, Números 13:6 o apresenta como representante da tribo de Judá.
Ou seja: um homem identificado por um nome de povo estrangeiro ocupa posição de chefia dentro de uma tribo israelita.
A explicação usual, e ela é razoável, é a de absorção: um grupo quenezeu teria se juntado a Judá e sido incorporado à tribo. A Cambridge Bible ("Bíblia de Cambridge", série de comentários da universidade inglesa) diz exatamente isso — uma família edomita que se ligou a Judá no sul da Palestina.
Vale notar que a Bíblia tem outros casos assim. Rute é moabita e entra na linhagem de Davi; Urias é heteu e é oficial do exército de Davi. A absorção de indivíduos e grupos estrangeiros não é excepcional nesses textos.
Otniel, filho de Quenaz
O terceiro dado é o mais impressionante, e por isso o que exige mais cautela.
Josué 15:17 e Juízes 1:13 registram: "Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, a tomou" — a cidade de Debir, e com ela a filha de Calebe por mulher.
E Juízes 3:9-11 diz que, quando Israel clamou ao SENHOR, ele lhes levantou um libertador: "Otniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe". Otniel julga Israel, e a terra tem descanso por quarenta anos.
Otniel é o primeiro juiz de Israel. E o pai dele se chama Quenaz.
Uma observação de leitura, antes de qualquer conclusão: a frase hebraica é ambígua quanto a quem é irmão de Calebe, se Otniel ou Quenaz. As traduções divergem, e a maioria entende que Otniel é o irmão mais novo. A ambiguidade não muda o essencial, que é a presença do nome Quenaz naquela família.
O que se pode concluir
Três explicações estão em campo, e convém pesá-las uma a uma.
A primeira é a de coincidência de nome. Quenaz seria um nome comum na região, usado por edomitas e por israelitas sem parentesco entre si. É a explicação mais econômica, e a Bíblia tem muitos casos assim — o próprio capítulo traz Corá, nome de um filho de Esaú e de um levita rebelde sem nenhuma relação entre si.
A segunda é a de origem comum. Existiria um grupo quenezeu antigo, anterior a Esaú, do qual descenderiam tanto este Quenaz edomita quanto a família de Calebe. Explicaria a menção de Gênesis 15:19 e o nome nas duas linhas, e não exigiria que uma descendesse da outra.
A terceira é a de absorção. Um clã edomita descendente deste Quenaz teria migrado para o sul de Judá e sido incorporado a Israel. É a leitura de vários comentaristas, e tem apoio no fato de o território de Calebe — Hebrom e Debir — ficar no extremo sul, exatamente na faixa de contato com Edom.
Nenhuma das três se impõe. A segunda e a terceira podem, inclusive, ser as duas verdadeiras em momentos diferentes.
O limite honesto
É preciso dizer o que não se pode afirmar, porque a conclusão atraente está à mão e é sedutora.
Se a ligação existir, o primeiro juiz de Israel teria vindo de uma família de origem edomita — descendente, portanto, de Esaú, o irmão preterido. É uma frase forte, e ela circula.
O que a sustenta: um nome em comum, uma vizinhança geográfica e a designação de Calebe como quenezeu.
O que a derruba, ou pelo menos a enfraquece muito: os quenezeus já existiam na época de Abrão, segundo Gênesis 15:19, o que impede que descendam do Quenaz deste versículo; e nenhum texto bíblico afirma parentesco entre a família de Calebe e Edom.
Portanto: é conexão possível, discutida, e não demonstrável. Apresentá-la como fato é ir além do que os dados permitem — e omiti-la seria esconder do leitor uma das discussões mais interessantes que um nome deste capítulo levanta.
Os outros quatro nomes
Temã, o primogênito, dá nome a uma região edomita e vira sinônimo de sabedoria em Jeremias 49:7 e Obadias 8. É o único do grupo com peso nos textos posteriores, e o versículo 15 trata dele.
Omar, Zefô e Gatã aparecem apenas em listas — aqui, nos versículos 15 e 16, e em 1 Crônicas 1:36. Zefô é grafado Zefi naquela passagem, variação de uma letra.
Nada mais se sabe sobre os três, e as propostas de significado para os nomes deles são inseguras.
5. Pontos de Ensino
Uma genealogia para de descer onde cumpriu sua função
A lista de Esaú vai até a terceira geração e para. Nenhum neto tem filhos registrados.
Isso mostra para que ela serve: não para traçar uma árvore o mais fundo possível, mas para chegar aos grupos que ocupavam o território. Alcançados esses grupos, o documento se encerra.
Vale como critério de leitura: antes de perguntar por que uma lista antiga é incompleta, é preciso saber até onde ela precisava ir.
Dizer "não se sabe" é informação
Sobre Omar, Zefô e Gatã não há nada além do nome. Os léxicos propõem significados, e as propostas são inseguras.
A tentação é escolher a proposta mais bonita e apresentá-la como sentido do nome. É o que se faz em muitas listas de significados de nomes bíblicos, e o resultado é confiança falsa.
Registrar a incerteza custa uma linha e vale mais do que uma explicação inventada.
Um nome em comum não estabelece parentesco
Quenaz aparece em Edom, neste versículo, e em Israel, como pai de Otniel.
A conclusão fácil é que se trata da mesma linhagem. A conclusão honesta é que o nome circulava na região, que há indícios de contato entre os dois grupos, e que nenhum texto afirma a ligação.
O mesmo capítulo oferece o contraexemplo: há um Corá filho de Esaú e um Corá levita, sem qualquer relação entre si.
6. Aspectos Filosóficos
O que uma coincidência de nome permite concluir
Este versículo põe uma questão de método, e ela vale muito além dele: quanto se pode inferir de um nome que reaparece em outro lugar?
O caso é concreto. Quenaz é neto de Esaú aqui; Quenaz é pai do primeiro juiz de Israel em Juízes 3:9. O mesmo nome, dois povos, séculos de distância.
A tentação é imediata, e ela tem forma de descoberta: então o primeiro juiz de Israel vinha de Edom. A frase é forte, explica coisas, e por isso circula com facilidade.
O problema é que ela se apoia numa única evidência — a igualdade de nome — e evidência única não sustenta conclusão desse tamanho. Um nome comum numa região é exatamente o tipo de dado que se repete por acaso, e o próprio capítulo fornece a prova: Corá é filho de Esaú aqui e é levita rebelde em Números 16, sem qualquer relação.
Há um critério útil para separar os dois casos, e ele não é infalível. Coincidência de nome vale mais quando vem acompanhada de outras coisas: proximidade geográfica, contato histórico documentado, um segundo nome em comum, uma designação de povo. No caso de Quenaz, três dessas condições se verificam — Calebe é chamado de quenezeu, o território dele fica na faixa de contato com Edom, e o nome do povo é o mesmo.
E há, do outro lado, uma objeção que nenhuma dessas condições apaga: Gênesis 15:19 põe os quenezeus na terra antes de Esaú existir. Um dado assim não refuta a hipótese inteira, mas exclui a versão simples dela.
O resultado é insatisfatório e é o correto: conexão provável em parte, impossível de estabelecer no todo, e que deve ser apresentada com essas duas metades juntas. Dar só a primeira produz uma afirmação falsa; dar só a segunda esconde uma discussão real.
7. Aplicações Práticas
Medir a força de uma evidência antes de concluir
O caso de Quenaz é um exercício útil, e ele se transporta inteiro para fora do texto.
Um nome que aparece duas vezes, um sobrenome em comum, uma coincidência de datas: são indícios, e indício isolado não decide nada. O que decide é a soma deles, e sobretudo a existência de indícios de tipos diferentes.
A pergunta prática é sempre a mesma: além disto, o que mais aponta na mesma direção? Se a resposta for "nada", a conclusão ainda não pode ser tirada — por mais que ela explique bem o que se tem.
Registrar o que não se sabe
Sobre três dos cinco nomes deste versículo não há informação nenhuma, e dizê-lo é mais útil do que preencher.
A situação se repete em qualquer trabalho de levantamento: parte dos dados simplesmente não existe. Marcar essa parte como desconhecida, em vez de estimá-la, é o que permite a quem vier depois saber onde pisar.
Um relatório que não distingue o que foi medido do que foi suposto é pior do que um relatório incompleto.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
Os quenezeus descendem deste Quenaz?
Não podem descender, ao menos não os de Gênesis 15:19.
Aquela lista situa os quenezeus em Canaã na época de Abrão, gerações antes do nascimento deste Quenaz, que é bisneto de Isaque.
Sobra a possibilidade de haver dois grupos com nome parecido, ou de um grupo antigo ter dado origem ao nome nas duas linhagens. Não é possível decidir.
Otniel, o primeiro juiz, era de origem edomita?
É conexão possível, discutida, e não demonstrável.
A favor: o pai dele se chama Quenaz, Calebe é chamado de quenezeu, e o território daquela família fica no extremo sul de Judá, na faixa de contato com Edom.
Contra: nenhum texto bíblico afirma o parentesco, e os quenezeus já existiam antes de Esaú. O item 4 pesa as três explicações em campo.
Por que a genealogia de Esaú para na terceira geração?
Porque ela já cumpriu o que devia.
O documento existe para chegar aos grupos que ocupavam o território — os chefes dos versículos 15 a 19. Alcançados esses nomes, não havia razão para descer mais.
É diferente das genealogias de Gênesis 5 e 11, que existem para cobrir distância no tempo e por isso seguem em linha reta por dez gerações.
Zefô ou Zefi?
As duas formas estão na Bíblia: Zefô aqui e no versículo 15, Zefi em 1 Crônicas 1:36.
A diferença é de uma letra final, e as duas letras envolvidas estão entre as mais fáceis de confundir na escrita à mão.
Os comentaristas tratam o caso como variação comum em nomes próprios, e provavelmente é isso. Não há como saber qual forma é a original.
9. Conexão com Outros Textos
Os mesmos nomes como chefes
Gênesis 36:15-16 — "Estes são os chefes dos filhos de Esaú: os filhos de Elifaz, o primogênito de Esaú: o chefe Temã, o chefe Omar, o chefe Zefô, o chefe Quenaz, o chefe Corá, o chefe Gatã, o chefe Amaleque."
Os cinco deste versículo, mais dois — e um deles provavelmente entrou por erro de cópia.
1 Crônicas 1:36 — "Os filhos de Elifaz: Temã, Omar, Zefi, Gatã, Quenaz, Timna e Amaleque."
A mesma lista séculos depois, com Zefi em lugar de Zefô e com Timna incluída entre os filhos.
Os quenezeus antes de Esaú
Gênesis 15:18-19 — "Naquele mesmo dia fez o SENHOR uma aliança com Abrão, dizendo: À tua descendência tenho dado esta terra... o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu."
O dado que impede a explicação mais simples para o nome Quenaz.
Calebe, o quenezeu
Números 32:12 — "Exceto Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, e Josué, filho de Num, porquanto perseveraram em seguir ao SENHOR."
Josué 14:6 — "Chegaram os filhos de Judá a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o SENHOR falou a Moisés."
Um homem identificado por nome de povo estrangeiro, falando em nome de Judá.
Otniel
Josué 15:17 — "E tomou-a Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe; e ele lhe deu a sua filha Acsa por mulher."
Juízes 3:9-11 — "E o SENHOR suscitou a Israel um libertador, Otniel, filho de Quenaz, irmão mais novo de Calebe... e a terra teve descanso quarenta anos."
O primeiro juiz de Israel, com o nome deste versículo no lugar do pai.
Temã nos profetas
Amós 1:12 — "Porém enviarei fogo a Temã, e ele consumirá os palácios de Bozra."
Habacuque 3:3 — "Deus vem de Temã, e o Santo, do monte Parã."
O nome deste versículo funcionando como lugar no mapa.
10. Original Hebraico e Análise
Texto em português
Os filhos de Elifaz foram: Temã, Omar, Zefô, Gatã e Quenaz.
Texto hebraico
וַיִּהְיוּ בְּנֵי אֱלִיפָז תֵּימָן אוֹמָר צְפוֹ וְגַעְתָּם וּקְנַז׃
Transliteração
wayyihyu bene 'Elifaz: Teman, 'Omar, Tsefo, we-Ga'tam, u-Qenaz.
Análise palavra por palavra
וַיִּהְיוּ — wayyihyu, "e foram". Do verbo היה (hayah), ser, existir, vir a ser.
É o verbo mais básico do hebraico, e a forma aqui é a que encadeia a narrativa. Traduzido ao pé da letra, o versículo começa com "e vieram a ser os filhos de Elifaz".
O uso é comum para abrir enumerações. Não carrega ênfase especial; apenas liga esta lista à anterior.
תֵּימָן — Teman, "Temã".
Formado sobre yamin, a mão direita. A ligação com o sul vem da orientação usada no hebraico bíblico: quem se volta para o nascente tem o sul à direita.
Por isso a palavra significa, ao mesmo tempo, "lado direito" e "sul". Como nome próprio, designa o território edomita meridional e a linhagem que o ocupava.
O peso desse nome nos textos posteriores é assunto do versículo 15, onde ele volta como chefe.
אוֹמָר — 'Omar, "Omar".
Origem incerta. A proposta mais repetida o liga à raiz אמר ('amar), dizer, falar, o que daria algo como "eloquente" ou "aquele que fala".
Os léxicos registram a proposta sem endossá-la. Vale a cautela geral: semelhança com uma raiz conhecida é ponto de partida para uma hipótese, não prova de derivação.
צְפוֹ — Tsefo, "Zefô".
Tem sido ligado à raiz צפה (tsafah), olhar de longe, vigiar, espreitar — a mesma que dá a palavra para atalaia, o vigia posto na muralha. O sentido seria algo como "vigia" ou "observador".
A derivação é possível e não é segura.
Este nome aparece grafado Tsefi em 1 Crônicas 1:36. A diferença está na letra final: aqui um waw, ali um yod. As duas são traços verticais curtos e estão entre as mais confundidas na cópia manual.
וְגַעְתָּם — we-Ga'tam, "e Gatã".
Os léxicos registram origem desconhecida. Não há raiz hebraica que o explique de modo convincente, e as propostas existentes são conjeturas.
É um dos casos em que o mais honesto é anotar a ignorância.
וּקְנַז — u-Qenaz, "e Quenaz".
Strong (James Strong, autor da concordância bíblica de referência em língua inglesa, século XIX) o deriva de uma raiz não atestada com sentido de caçar, dando "caçador". A derivação é apenas provável: a raiz proposta não aparece em uso em nenhum texto hebraico conhecido, o que é o mesmo que dizer que ela foi reconstruída para explicar o nome.
O nome ocorre onze vezes no Antigo Testamento, distribuídas entre o Quenaz edomita — aqui, no versículo 15, no versículo 42 e em 1 Crônicas 1:36 e 1:53 — e o Quenaz da família de Calebe, em Josué 15:17, Juízes 1:13, Juízes 3:9-11 e 1 Crônicas 4:13-15.
Dele deriva o nome de povo Qenizzi, quenezeu, que aparece em Gênesis 15:19, Números 32:12 e Josué 14:6 e 14:14.
O que se pode e o que não se pode concluir dessa distribuição é o assunto do item 4.
11. Conclusão
De cinco nomes decorrem três coisas.
A primeira é sobre o alcance do documento. A genealogia de Esaú chega à terceira geração e para: nenhum neto tem filhos registrados. Conclui-se que a lista não busca profundidade no tempo, e sim os grupos que ocupavam o território — alcançados os chefes, ela se encerra.
A segunda é sobre o que se pode dizer de três desses nomes: nada. Omar, Zefô e Gatã existem apenas em listas, e as propostas de significado que os léxicos registram são inseguras. Disso decorre um dever de método — anotar a ignorância em vez de escolher a explicação mais atraente e apresentá-la como sentido do nome.
A terceira vem de Quenaz, e é a mais interessante. O nome reaparece em Israel, na família de Calebe e como nome do pai de Otniel, o primeiro juiz; existe um povo quenezeu, e ele aparece em Gênesis 15:19 já na época de Abrão. Conclui-se que há indícios reais de contato entre as duas linhas — vizinhança geográfica, um homem chamado de quenezeu ocupando posição em Judá, o mesmo nome nos dois lados — e que a explicação simples, a de descendência direta deste Quenaz, está excluída pela cronologia.
Fica em aberto, portanto, exatamente o que interessa: se o primeiro juiz de Israel veio de família de origem edomita. Os dados permitem levantar a hipótese e não permitem estabelecê-la, e a única apresentação honesta do assunto é a que dá as duas metades juntas.













