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Êxodo 6:15

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✍️ Por Alberto Adriano·13 de setembro de 2026·⏱️ 20 min de leitura·👁 28 acessos
Os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia; estas são as famílias de Simeão.
Colunas de nomes em escrita hebraica num rolo aberto, com uma linha do meio marcada por um traço de tinta mais escura, sobre madeira gasta e luz lateral de lamparina.

Estudo


Os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia; estas são as famílias de Simeão.

1. Introdução

Segundo versículo da lista, segunda tribo, mesma estrutura: cabeçalho, nomes, fórmula de fechamento. Simeão entra e sai numa linha, exatamente como Rúben.

Só que aqui há uma coisa que não havia lá. No meio dos seis nomes, o texto para e informa quem era a mãe de um deles: Saul, filho da cananeia.

É a única vez, nos doze versículos desta lista, em que uma origem materna é registrada. Todos os outros nomes — dezenas deles — entram como filhos de alguém e nada mais.

O achado deste versículo não está no conteúdo da nota, que já foi examinado onde ela aparece pela primeira vez, em Gênesis 46:10. Está no fato de a nota estar aqui. O Êxodo copiou uma lista antiga e podia ter copiado só os nomes; manteve o detalhe que não lhe serve para nada.

E vale registrar desde já a comparação que organiza este estudo: cinco capítulos antes, em Êxodo 1:2, o mesmo livro pegou a mesma lista de filhos de Jacó e retirou todos os acréscimos. Aqui ele conserva um. Não é possível decidir por quê, mas o contraste é verificável e vale a pena vê-lo de perto.

2. Contexto Histórico e Cultural

De quem é o filho, num sistema que conta pelo pai

Quem era a cananeia, o que a palavra "cananeu" designava no segundo milênio antes de Cristo e como uma mulher era identificada num registro antigo — tudo isso está tratado no estudo de Gênesis 46:10, e não se repete. A pergunta deste versículo é a seguinte: numa lista organizada por linha paterna, que diferença fazia a mãe ser estrangeira?

Nenhuma, para efeito de pertencimento

A resposta que os textos permitem é clara, e é a menos esperada por um leitor moderno: para o lugar da pessoa no grupo, não fazia diferença nenhuma.

A descendência corria pelo pai. Quem era filho de um homem da casa pertencia à casa, e o registro do nome da mãe não abria nem fechava nenhuma porta. Saul está na lista de Simeão com o mesmo estatuto dos cinco irmãos, dá origem a um clã como eles e é contado entre os simeonitas em Números 26:13 sem uma palavra de ressalva.

A Bíblia é consistente nisso ao longo de todo o período dos patriarcas e do Egito. Os dois filhos de José com uma egípcia — assunto dos estudos de Gênesis 41:50 e Gênesis 48 — não se tornam meio-israelitas: tornam-se duas tribos inteiras. Os filhos de Judá com uma cananeia entram na linha de Judá. O filho de Moisés com uma midianita é filho de Moisés.

Em nenhum desses casos o texto registra desconforto. Em nenhum deles a origem materna produz consequência jurídica.

O sistema muda, e muito depois

Aqui está o dado que dá peso à nota deste versículo, e ele vem do outro extremo da história bíblica.

No tempo do retorno do exílio, a mesma questão vira crise nacional. Esdras 9 e 10 descrevem uma comunidade recém-reinstalada em Judá em que os casamentos com mulheres dos povos vizinhos são tratados como ameaça à existência do grupo, e o desfecho é o mais duro de todo o Antigo Testamento nesse terreno: a separação das mulheres e dos filhos havidos delas. Neemias 13:23-27 registra o mesmo problema por outro ângulo — filhos que já não sabiam falar a língua de Judá — e invoca o exemplo de Salomão como advertência.

São dois regimes diferentes, e a distância entre eles é de séculos.

O que explica a diferença

Convém expor as explicações e marcar que nenhuma é demonstrável.

A mais aceita é de situação: um povo que vive na sua terra, com instituições próprias, pode absorver quem chega; um resto pequeno, recém-voltado do cativeiro e cercado por populações maiores, teme desaparecer por diluição. A mesma prática, em duas situações opostas, recebe dois julgamentos opostos.

Há também a hipótese de que a própria regra de contagem tenha mudado com o tempo — de uma linha exclusivamente paterna para um critério em que a origem da mãe passa a pesar. Isso é discutido e não se decide com os textos disponíveis, porque eles não formulam a regra: mostram decisões concretas em situações concretas.

Por que isso importa para ler a linha

Porque impede o erro mais comum diante dela, que é ler a nota como marca de suspeita.

No momento em que esta lista foi montada, dizer que a mãe de Saul era cananeia era informação de registro, do mesmo tipo de uma data ou de um lugar de nascimento. O texto não repreende ninguém, não explica a união e não liga essa origem a nada que aconteça depois. Quem lê a linha com os olhos de Esdras está trazendo para o Egito uma discussão que só vai existir mil anos adiante.

3. Análise Teológica do Versículo

"Os filhos de Simeão:"

O cabeçalho é o mínimo possível. Rúben ganhou um título — "o primogênito de Israel"; Simeão não ganha nada. Nome e dois pontos.

Não convém procurar desprezo nisso. Nenhum outro filho de Jacó recebe título nesta lista, e o de Rúben é o que a posição de primeiro exigia. Simeão entra como entrarão todos: pelo nome.

"Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul"

Seis nomes, contra os quatro de Rúben — e é o único lugar do capítulo em que uma tribo não levítica recebe seis.

O que chama atenção, porém, não é a quantidade: é que esta lista de seis é idêntica à de Gênesis 46:10, na mesma ordem e com a mesma grafia, enquanto as listas posteriores dos filhos de Simeão, em Números 26 e em 1 Crônicas 4, trazem cinco nomes e várias diferenças. O estudo de Gênesis 46:10 compara os quatro registros e expõe o que se pode e o que não se pode concluir disso.

Para a leitura desta linha basta o dado: o Êxodo está reproduzindo o registro mais antigo, sem atualizá-lo. Ele não corrigiu a lista pelo que veio depois.

"filho da cananeia"

Aqui está o achado do versículo, e ele exige que se separe com cuidado o que é da nota e o que é do gesto de mantê-la.

A nota diz que a mãe de Saul não era da família. Só isso — não diz o nome dela, não diz como se casaram, não diz o que Simeão pensou, não diz se houve oposição. E, sobretudo, não diz que isso seja bom ou ruim.

O gesto é outra coisa. Esta é uma lista com pressa: ela precisa atravessar duas tribos para chegar em Levi, e atravessa cada uma em um versículo. Numa lista assim, cada palavra que não serve ao objetivo é peso morto — e esta não serve a nada. Saber de quem Saul é filho não ajuda em nada a estabelecer que Moisés e Arão são levitas.

E ainda assim ela ficou.

O contraste com Êxodo 1:2

O contraste vale a pena porque é do mesmo livro e da mesma família de listas.

Em Êxodo 1:2 o Êxodo pegou a lista dos filhos de Jacó e a deixou pelada: tirou "o primogênito", tirou o cabeçalho das mães, e deixou de fora tudo o que Gênesis 49 tinha dito sobre cada um. Aquele estudo mostra a retirada linha a linha.

Aqui o comportamento é o oposto. O que estava na fonte permaneceu, inclusive um detalhe que não presta serviço nenhum à finalidade da lista.

As leituras possíveis são duas, e o texto não permite escolher. Ou o Êxodo está copiando um registro como registro — isto é, sem direito de mexer no que o documento trazia. Ou a nota foi mantida de propósito, e aí a intenção é matéria de hipótese, porque nada no capítulo a enuncia. Não é possível decidir, e quem apresentar uma das duas como certa estará afirmando o que não sabe.

"estas são as famílias de Simeão."

Fecho igual ao do versículo anterior, com a mesma conversão: os seis nomes entram como filhos e saem como clãs.

E aqui o fecho faz uma coisa a mais, que só se percebe com a nota à vista. Ele inclui Saul. O filho da mulher de fora está dentro do "estas são as famílias de Simeão", sem asterisco e sem ressalva. Se a lista quisesse marcá-lo como caso à parte, este era o lugar — e não marcou.

Depois desta linha, Simeão desaparece do capítulo. Duas tribos entraram, duas saíram, e a lista vai para onde sempre quis ir.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Simeão

Segundo filho de Jacó e Lia. O nascimento, o episódio de Siquém e o destino da tribo — a maior queda de população entre os dois recenseamentos do deserto, o território dentro do de Judá e a ausência na bênção de Deuteronômio 33 — estão examinados nos estudos de Gênesis 46:10 e de Gênesis 49:7.

No Êxodo, o nome aparece duas vezes e nas duas como item de lista: em Êxodo 1:2 e aqui.

Os seis filhos

Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul. Quem são, e o que acontece com cada nome nas listas posteriores, está no estudo de Gênesis 46:10, onde os quatro registros bíblicos da descendência de Simeão são comparados um a um.

Convém apenas repetir o aviso que aquele estudo faz, porque o erro é frequente: este Saul não é o rei Saul. São quase mil anos de distância, tribos diferentes — este é simeonita, o rei é benjamita, segundo 1 Samuel 9:1-2 — e nenhuma ligação entre os dois. O nome era corrente.

A cananeia

Não tem nome, não tem pai declarado, não tem história. Aparece nesta linha e em Gênesis 46:10, sempre do mesmo modo: identificada pela procedência e ligada ao filho.

A genealogia de Êxodo 6 menciona quatro mulheres, e só duas têm nome: Joquebede, no versículo 20, e Eliseba, no versículo 23 — as duas que se casam com levitas. As outras duas aparecem sem nome: esta, identificada apenas como "a cananeia", e "uma das filhas de Putiel", no versículo 25, que é mãe de Fineias. A diferença entre os dois pares vale registrar: as nomeadas entram pela casa em que se casaram; as anônimas entram pela origem — uma pelo povo, a outra pelo pai.

Um dado de contagem, para quem acompanha o bloco

Vale registrar, porque organiza a leitura dos versículos seguintes: a lista dedica um versículo a Rúben, um a Simeão e dez a Levi. As outras nove tribos não aparecem.

Esse desequilíbrio é o dado mais visível de toda a genealogia, e o versículo 16 é onde ele fica explícito.

5. Pontos de Ensino

Um registro pode carregar o que não usa

A nota sobre a mãe de Saul não serve ao objetivo desta lista. Ficou.

Há aí um ponto de método que vale para qualquer leitura da Bíblia: nem tudo o que está escrito está a serviço do argumento de quem escreve. Parte do que há num texto antigo está lá porque estava na fonte, e tratar cada detalhe como carregado de intenção é o caminho mais curto para ler coisas que ninguém disse.

Registrar não é julgar

O texto informa e cala. Não elogia a união, não a condena, não a explica, não a liga a nada do que acontece com a tribo depois.

É um exercício difícil de imitar, porque o impulso de acrescentar o veredicto junto com o dado é quase automático. Aqui o dado vai sozinho.

Quem pertence, pertence inteiro

O fecho do versículo inclui Saul entre as famílias de Simeão sem nenhuma marca de exceção. O filho da mulher de fora conta como os outros cinco, e Números 26:13 o confirma dando o nome dele a um clã.

A lição não é sobre tolerância no sentido moderno, e convém não forçá-la nessa direção — a Bíblia terá, em outros livros, posições bem mais duras sobre casamento com estrangeiras, e elas estão no item 2. O que esta linha mostra é mais estreito e mais firme: no documento que a organiza, a tribo de Simeão inclui um filho de mãe cananeia, e a inclusão não vem com asterisco.

Comparar as duas listas ensina a ler as duas

Esta linha só rende quando posta ao lado de Gênesis 46:10 e de Êxodo 1:2. Sozinha, é uma sequência de nomes; comparada, mostra um livro que ora tira, ora conserva.

6. Aspectos Filosóficos

A informação que sobra

Um documento feito para uma finalidade tende a conter só o que serve àquela finalidade. Quando sobra alguma coisa, vale olhar para ela.

Aqui sobra uma nota. Ela não prova nada, não qualifica ninguém e não ajuda a lista a chegar aonde ela vai. É informação sem função.

E é justamente aí que reside uma diferença que costuma passar despercebida: um arquivo não é a mesma coisa que um argumento. Um argumento carrega o que precisa e descarta o resto, porque tudo nele está a serviço da conclusão. Um arquivo carrega o que recebeu, inclusive o que não lhe serve — e é essa fidelidade ao que não serve que o torna confiável.

Um registro que só guardasse o conveniente deixaria de ser registro no momento em que começasse a escolher. A nota inútil sobre a mãe de Saul é, nesse sentido, um sinal de que se está diante de um documento e não de uma peça de defesa.

Convém marcar o limite, porque a observação é de quem lê e não do texto. O Êxodo não diz que está sendo fiel a uma fonte, não comenta a nota e não se explica. Que a permanência dela seja escrúpulo de copista é hipótese razoável, não dado — e a leitura contrária, de que a nota foi mantida de propósito, tampouco se demonstra.

7. Aplicações Práticas

Copiar sem melhorar

Quem repassa uma informação recebida tem sempre a chance de aparar o que não serve. Este versículo mostra o outro comportamento: o dado passou adiante inteiro, com a parte que não interessava.

A aplicação é direta e vale para qualquer lugar em que se transmita informação de terceiros — um relato, um histórico, um recado. Resumir é legítimo; aparar o que enfraquece o próprio ponto é outra coisa, e a diferença entre as duas costuma aparecer só quando alguém compara com a fonte.

Dizer de onde alguém vem sem transformar isso em rótulo

A origem da mãe de Saul está registrada e não gruda nele. Ele é contado entre os simeonitas, funda um clã, e nenhum texto posterior volta ao assunto para explicar alguma coisa da vida dele por causa disso.

O hábito contrário é conhecido: a informação de origem entra na apresentação da pessoa e passa a explicar tudo o que ela faz. A linha mostra o outro modo — o dado fica no registro, no lugar de registro, e não vira legenda.

Um limite

Não se deve puxar deste versículo uma tese sobre casamento com pessoas de fora do grupo, em nenhuma das duas direções. O texto não recomenda e não proíbe; e a Bíblia, em outros livros e em outra situação, tratará o assunto de modo bem mais severo, como o item 2 expõe. Quem quiser discutir o tema precisa da Bíblia inteira, não desta linha.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

A nota sobre a cananeia é uma censura discreta a Simeão?

Não há nada no texto que sustente isso. A nota não vem com adjetivo, não vem com explicação e não é retomada em nenhum lugar da Bíblia para justificar coisa alguma sobre a tribo de Simeão.

Há comentaristas que leem assim, ligando a nota ao declínio da tribo. O problema dessa leitura é simples: a ligação é feita por eles, não pelo texto, e os livros que narram esse declínio — Josué, Números, 1 Crônicas — nunca a mencionam. É leitura possível, não é dado.

Por que só esta mãe aparece, se havia dezenas de mulheres envolvidas?

O texto não diz. A explicação mais econômica é que a nota já vinha na fonte, em Gênesis 46:10, e foi copiada junto — o que empurra a pergunta para trás, sem respondê-la.

O que se pode afirmar é o que a ausência das outras mostra: numa lista organizada por linha paterna, a regra é não registrar a mãe. Esta linha é a exceção, e exceção sem explicação continua sendo exceção.

Saul, filho da cananeia, é meio-israelita?

A categoria não existe no texto. Ele é filho de Simeão, está na lista de Simeão, e Números 26:13 dá o nome dele a um dos clãs contados no recenseamento. O item 2 mostra como funcionava a contagem de descendência e quando ela deixou de funcionar assim.

Por que Simeão tem seis filhos e Rúben, quatro?

Porque as listas registram o que registram, e não há razão para esperar simetria. A observação que vale é outra: as duas tribos recebem um versículo cada, independentemente do número de nomes. O espaço da lista não é distribuído por tamanho de família — é distribuído por interesse, e o interesse está em Levi.

Vale conferir esta lista com as de Números e de 1 Crônicas?

Vale, e o resultado é instrutivo: os quatro registros bíblicos dos filhos de Simeão não são iguais entre si. A comparação completa, com as explicações propostas para as diferenças, está no estudo de Gênesis 46:10.

9. Conexão com Outros Textos

A fonte que este versículo copia

Gênesis 46:10 — "Os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia."

Palavra por palavra o mesmo, inclusive a nota. Só o fecho — "estas são as famílias de Simeão" — é acréscimo do Êxodo.

A mesma lista, atualizada por outros livros

Números 26:12-13 — "Os filhos de Simeão, segundo as suas famílias: de Nemuel, a família dos nemuelitas; de Jamim, a família dos jaminitas; de Jaquim, a família dos jaquinitas; de Zerá, a família dos zeraítas; de Saul, a família dos saulitas."

Cinco nomes, não seis, e três deles com forma diferente. Saul atravessa sem alteração e com clã próprio.

O mesmo livro, retirando em vez de conservar

Êxodo 1:2 — "Rúben, Simeão, Levi e Judá;"

A comparação que organiza este estudo. Ali o Êxodo tirou todos os acréscimos da lista que copiava; aqui conservou o único que havia.

Filhos de mãe estrangeira, sem ressalva do texto

Gênesis 41:50 — "Antes de chegar o ano da fome, nasceram a José dois filhos, que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om."

Gênesis 48:5 — "Agora, os seus dois filhos, Efraim e Manassés, que lhe nasceram na terra do Egito antes que eu viesse a você no Egito, são meus; como Rúben e Simeão, serão meus."

Os dois netos de mãe egípcia não entram como caso especial: entram como tribos, equiparados justamente aos dois nomes dos versículos 14 e 15 deste capítulo.

Quando a origem da mãe passa a pesar

Neemias 13:23-24 — "Vi também, naqueles dias, judeus que tinham casado com mulheres de Asdode, de Amom e de Moabe; e seus filhos falavam meio asdodita e não sabiam falar a língua de Judá, mas conforme a língua de cada povo."

Séculos depois, a mesma situação é descrita como emergência. É a distância que o item 2 examina.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

Os filhos de Simeão: Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia; estas são as famílias de Simeão.

Texto hebraico

וּבְנֵ֣י שִׁמְע֗וֹן יְמוּאֵ֨ל וְיָמִ֤ין וְאֹ֙הַד֙ וְיָכִ֣ין וְצֹ֔חַר וְשָׁא֖וּל בֶּן־הַֽכְּנַעֲנִ֑ית אֵ֖לֶּה מִשְׁפְּחֹ֥ת שִׁמְעֽוֹן׃

Transliteração

U-venei Shim'on: Yemu'el ve-Yamin ve-Ohad ve-Yakhin ve-Tsohar ve-Sha'ul ben-ha-Kena'anit; elleh mishpehot Shim'on.

Análise palavra por palavra

וּבְנֵי — u-venei, "e os filhos de".

Repare na letra inicial: o versículo começa com a conjunção "e", que o versículo 14 não tinha. É o modo hebraico de encadear itens de uma mesma série — o primeiro entra solto, os seguintes vêm amarrados ao anterior.

O detalhe tem consequência de leitura. Os versículos 14 e 15 não são duas listas separadas: são dois itens da mesma, e a conjunção é o que os prende. O mesmo acontecerá no versículo 16.

שִׁמְעוֹן — Shim'on, Simeão.

O nome é ligado, em Gênesis 29:33, ao verbo hebraico de ouvir, e aquele estudo trata do jogo entre o nome e a frase da mãe.

יְמוּאֵל · וְיָמִין · וְאֹהַד · וְיָכִין · וְצֹחַר · וְשָׁאוּל — os seis nomes.

A grafia é idêntica à de Gênesis 46:10, sem uma letra de diferença. É um dado que só se nota quando existe o contrário — e existe: comparadas com estas, as formas de Números 26:12-13 e de 1 Crônicas 4:24 trazem variações em três dos seis nomes. O estudo de Gênesis 46:10 expõe a comparação.

Quanto à forma da série, aqui todos os nomes a partir do segundo levam a conjunção "e", e não apenas o último. É uma lista amarrada de ponta a ponta, diferente da do versículo 14, que vinha em pares. A variação é de estilo e não permite conclusão: listas hebraicas fazem as duas coisas.

בֶּן־הַכְּנַעֲנִית — ben-ha-Kena'anit, "filho da cananeia".

Duas palavras ligadas. A primeira é "filho de"; a segunda é o nome do povo na forma feminina, com artigo.

O artigo é a parte interessante, e o estudo de Gênesis 46:10 já o havia apontado: o texto não diz "uma cananeia", diz "a cananeia". Em português a diferença soa pequena; em hebraico ela indica que se fala de uma pessoa identificável para quem lê, e não de uma procedência genérica.

Vale registrar o que isso não permite concluir. Não permite dizer que o leitor antigo soubesse quem ela era, porque o artigo também se usa, no hebraico, para designar a única representante de uma categoria dentro de um contexto — "a cananeia" no sentido de "a que era cananeia, entre as mulheres desta casa". As duas leituras são defensáveis e o texto não decide entre elas.

A forma feminina do nome do povo aparece poucas vezes na Bíblia hebraica, e este é um dos lugares. Nos demais, ela costuma vir do mesmo modo: ligada a um filho, para dizer de onde veio a mãe.

אֵלֶּה מִשְׁפְּחֹת שִׁמְעוֹן — elleh mishpehot Shim'on, "estas são as famílias de Simeão".

Fórmula de fechamento idêntica à do versículo 14, com o nome trocado. A palavra para clã e a conversão que ela opera — nomes de pessoas que se tornam nomes de grupos — foram examinadas naquele versículo.

O que cabe acrescentar aqui é uma observação de contagem: a fórmula abrange os seis nomes, sem excluir nenhum. O hebraico não tem, nesta frase, nenhuma partícula de ressalva, nenhuma construção que separe Saul dos cinco. O plural do fecho recolhe todos.

11. Conclusão

Duas conclusões, e elas puxam em direções opostas — o que é próprio de uma linha que informa e não comenta.

Primeira: o Êxodo aqui conserva, e cinco capítulos antes ele tinha aparado. A lista de Êxodo 1:2 chegou nua; esta chega com tudo o que a fonte trazia, inclusive um detalhe que não presta serviço à finalidade do documento. Dois comportamentos diferentes diante do mesmo tipo de material, no mesmo livro. Se isso é escrúpulo de quem copia um registro ou escolha de quem escreve, não é possível decidir — e a diferença entre os dois versículos é, ela sim, verificável linha a linha.

Segunda: a inclusão não vem com ressalva. O filho da mulher de fora está dentro do fecho, e o fecho não separa ninguém. Isso não transforma o versículo numa tese sobre casamento com estrangeiras — a Bíblia tratará o assunto com muito mais aspereza em outra época e em outra situação, e o item 2 mostra onde e por quê. O que a linha estabelece é apenas isto, e já é bastante: no registro que organiza as tribos, a origem da mãe foi anotada e não foi usada contra ninguém.

E com esta linha a lista se despede de Simeão. Duas tribos entraram e saíram em dois versículos; a partir do próximo, o texto para de andar de lado e vai para onde sempre quis ir.

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