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Êxodo 9:25

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✍️ Por Alberto Adriano·19 de setembro de 2026·⏱️ 11 min de leitura·👁 26 acessos
O granizo feriu, em toda a terra do Egito, tudo o que estava no campo, desde os homens até os animais. O granizo feriu toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo.
Pomar egípcio de tamareiras e sicômoros depois da tempestade, com galhos partidos e troncos quebrados no chão coberto de pedras de gelo, sob um céu que clareia.

Estudo


O granizo feriu, em toda a terra do Egito, tudo o que estava no campo, desde os homens até os animais. O granizo feriu toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo.

1. Introdução

Passada a tempestade, o texto faz o balanço: o granizo feriu tudo o que estava no campo — gente, animais, plantas — e quebrou as árvores.

A lista vai do que se perde num dia ao que leva anos para voltar.

O versículo diz "feriu", não "matou", e não conta vítimas.

E a palavra "campo" aparece três vezes: o que estava dentro de casa não entra no inventário.

2. Contexto Histórico e Cultural

Árvore no Egito era bem escasso

O Egito é um vale estreito entre dois desertos. Fora da faixa irrigada pelo Nilo não cresce quase nada, e dentro dela a terra era disputada pela lavoura. A maior parte das árvores úteis não nascia sozinha: era plantada, regada, protegida, e levava anos para dar fruto e sombra.

As espécies principais eram poucas, e cada uma tinha função:

O sicômoro, uma figueira de porte grande, dava figos pequenos, sombra densa e a madeira mais usada do país — dela se faziam caixões, estátuas, móveis e ferramentas. Era também árvore sagrada: a deusa Hathor era chamada "Senhora do Sicômoro", e as pinturas de túmulo mostram uma deusa saindo da copa de um sicômoro para dar água e pão ao morto.

A tamareira dava a tâmara, alimento e adoçante; as folhas davam esteiras, cestos e cordas; o tronco servia de viga nos telhados das casas.

A palmeira-dum, típica do Alto Egito, com tronco que se divide em galhos, dava um fruto duro e fibroso.

Havia ainda a persea, a acácia, a tamargueira, o salgueiro, a romãzeira e a videira, estas duas trazidas de fora em épocas diferentes.

O jardim de Ineni

Um documento mostra o valor que se dava a isso. Ineni, arquiteto do rei Tutmés I, por volta de 1500 a.C., mandou pintar no próprio túmulo, em Tebas, o jardim da sua casa e a lista das árvores que havia nele, uma por uma, para que as tivesse também na vida depois da morte. Entre outras: 170 tamareiras, 120 palmeiras-dum, 73 sicômoros, 31 perseas, 16 alfarrobeiras, 12 videiras, 10 tamargueiras, 8 salgueiros, 5 figueiras, 5 romãzeiras.

Um alto funcionário contava as suas árvores como se contam bens, e as levava para a eternidade no inventário da sepultura. É um bom indício do que significava perder um pomar.

A madeira que vinha de fora

Madeira boa de construção o Egito não tinha. Para vigas longas, mastros de barco, portas de templo e caixões de luxo, importava cedro e pinho do Líbano, por mar, desde o Império Antigo. A árvore nativa era preciosa justamente porque a alternativa era cara e distante.

O que o granizo quebrou, portanto, não foi paisagem. Foi comida de vários anos, madeira que não se repunha, sombra num país de sol forte, e árvores que tinham valor religioso.

3. Análise Teológica do Versículo

"O granizo feriu, em toda a terra do Egito"

O sujeito é o granizo, e o verbo é o de golpear. O texto trata a tempestade quase como um agente que anda pelo país batendo. É o mesmo verbo com que o Nilo foi "ferido" pelo cajado no começo das pragas: a série começou com um golpe na água e chega aqui a um golpe vindo do céu.

"tudo o que estava no campo, desde os homens até os animais"

O critério do aviso do versículo 19 se cumpre: foi atingido o que estava no campo. O que foi recolhido para as casas, como fizeram os servos do versículo 20, não entra na frase.

O versículo diz "feriu". O anúncio tinha dito "morrerão". O texto não informa se houve mortos, quantos, nem quem; não fala de luto nem de enterro. Fica o verbo, que admite desde a ferida até a morte.

"Desde os homens até os animais" é o modo hebraico de dizer "todos, de uma ponta à outra". A lista começa pelo que mais importa.

"O granizo feriu toda planta do campo"

A ordem do versículo 22 incluía "toda a planta do campo", e aqui ela é cumprida com as mesmas palavras. A lavoura, o pasto, a horta, tudo o que crescia rente ao chão.

O "toda" não deve ser lido com rigor de contabilidade. O próprio capítulo, nos versículos 31 e 32, dirá o que se perdeu e o que escapou na lavoura, e aquela conta é deles.

"e quebrou todas as árvores do campo"

Aqui o verbo muda. As plantas foram "feridas"; as árvores foram quebradas. O hebraico usa a forma intensiva do verbo de quebrar, a que indica despedaçar, fazer em pedaços. Galhos arrancados, copas desfeitas, troncos partidos.

E com as árvores a perda muda de tempo. O cereal perdido se replanta na estação seguinte. O animal se repõe em alguns anos. A árvore frutífera leva muito mais: uma tamareira demora anos para voltar a produzir. O versículo termina no dano mais lento de reparar.

A lista em ordem

Lido de ponta a ponta, o versículo desce: homens, animais, plantas, árvores. E a palavra "campo" amarra tudo, três vezes. É a geografia do aviso do versículo 19: fora de casa, tudo; dentro de casa, nada é mencionado. A tempestade atingiu exatamente o espaço que o aviso tinha apontado.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

O granizo

Sujeito dos dois verbos de dano, "feriu" e "quebrou". O texto o repete como se fosse um agente.

Os homens e os animais do campo

Os que ficaram fora, incluindo os servos e os rebanhos deixados no campo no versículo 21.

As plantas e as árvores

A lavoura e os pomares do Egito. As árvores entram pela primeira vez entre os alvos de uma praga.

O Egito

"Toda a terra do Egito" — com a exceção que o versículo seguinte vai registrar.

5. Pontos de Ensino

O aviso delimitou o dano

O granizo atingiu o campo, que era o lugar apontado no versículo 19. O que foi recolhido, escapou.

O texto não conta mortos

O versículo registra o golpe e não faz contagem. Onde o anúncio disse "morrerão", o balanço diz "feriu".

O prejuízo que dura

A lista termina nas árvores. O dano mais grave é o que leva anos para ser reparado.

6. Aspectos Filosóficos

O versículo organiza a perda pelo tempo que ela leva para ser reposta: um dia de gente e de bicho no campo, uma estação de lavoura, anos de pomar. A ordem sugere que a gravidade de uma perda não se mede só pelo tamanho, mas pela duração do seu efeito. Um desastre que quebra árvores atinge também os anos seguintes, e quem planta árvore planta para um tempo que talvez não veja. O texto não formula nada disso; a lista, na ordem em que está, é que o mostra.

7. Aplicações Práticas

Proteja primeiro o que não se repõe

O versículo mostra perdas de ritmos diferentes: a colheita de uma estação e a árvore de muitos anos. Na vida prática vale a mesma distinção — a saúde, a confiança, a reputação, uma relação longa. Diante de um risco anunciado, o que leva anos para ser construído merece o cuidado primeiro.

Um inventário honesto

O texto faz o balanço sem exagerar nem esconder: diz o que foi atingido e não inventa números. Depois de uma crise, uma conta sóbria do que se perdeu é o começo da reconstrução.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

O granizo atingiu as árvores sagradas dos templos?

O texto não diz. Havia sicômoros e bosques junto a santuários egípcios, e o sicômoro era árvore de Hathor. Uma leitura que visse no versículo um golpe contra os deuses do Egito teria aqui um apoio possível — mas o versículo fala só de "árvores do campo", e não menciona templo nem deus. É hipótese, e o texto não a sustenta nem a exclui.

O granizo atingiu os egípcios que tinham recolhido os seus?

Pelo que o versículo diz, não: ele fala do que "estava no campo". As casas não são mencionadas entre os alvos.

Os israelitas perderam árvores?

O versículo seguinte diz que em Gósen não houve granizo. O texto não fala de danos lá.

9. Conexão com Outros Textos

A praga lembrada nos salmos

Salmo 78:47 — "Destruiu as suas vinhas com granizo, e os seus sicômoros com a geada."

O salmo nomeia a árvore: o sicômoro, a principal do Egito.

Salmo 105:33 — "Feriu também as suas vinhas e as suas figueiras, e quebrou as árvores do seu território."

O mesmo verbo deste versículo, "quebrou", para as mesmas árvores.

O valor da árvore na lei

Deuteronômio 20:19 — "Quando você sitiar uma cidade por muitos dias, lutando contra ela para tomá-la, não destrua as suas árvores metendo nelas o machado, porque delas você comerá; não as corte."

A lei proíbe cortar árvores frutíferas até na guerra. O que o granizo fez era o que a Torá não permitia a um exército.

A perda das árvores como desastre

Joel 1:12 — "A vide secou, a figueira murchou; a romãzeira, a palmeira e a macieira, todas as árvores do campo secaram…"

Ageu 2:17 — "Eu os feri com crestamento, com ferrugem e com granizo em toda a obra das suas mãos…"

O granizo volta como golpe de Deus sobre a lavoura, agora em Israel.

O aviso que o balanço confirma

Êxodo 9:19 — "Agora, portanto, mande pôr a salvo os seus rebanhos e tudo o que você tem no campo. Todo homem e todo animal que estiver no campo e não for recolhido para casa, o granizo cairá sobre eles, e morrerão.’”"

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

O granizo feriu, em toda a terra do Egito, tudo o que estava no campo, desde os homens até os animais. O granizo feriu toda planta do campo e quebrou todas as árvores do campo.

Texto hebraico

וַיַּךְ הַבָּרָד בְּכָל־אֶרֶץ מִצְרַיִם אֵת כָּל־אֲשֶׁר בַּשָּׂדֶה מֵאָדָם וְעַד־בְּהֵמָה וְאֵת כָּל־עֵשֶׂב הַשָּׂדֶה הִכָּה הַבָּרָד וְאֶת־כָּל־עֵץ הַשָּׂדֶה שִׁבֵּר׃

Transliteração

wa-yakh ha-barad be-khol-erets Mitsrayim et kol-asher ba-sadeh me-adam we-ad-behemah; we-et kol-esev ha-sadeh hikkah ha-barad, we-et-kol-ets ha-sadeh shibber.

Análise palavra por palavra

וַיַּךְ הַבָּרָד — wa-yakh ha-barad, "e o granizo feriu".

Wa-yakh é a forma narrativa, muito abreviada, de nakah, golpear, ferir, na forma causativa — que, neste verbo, é a forma comum. O verbo cobre do golpe que machuca ao golpe que mata. É o verbo de Êxodo 7:20 e 7:25, quando o Nilo é "ferido", e é dele que vem uma das palavras hebraicas para "praga": makkah, "golpe".

בְּכָל־אֶרֶץ מִצְרַיִם — be-khol-erets Mitsrayim, "em toda a terra do Egito".

אֵת כָּל־אֲשֶׁר בַּשָּׂדֶה — et kol-asher ba-sadeh, "tudo o que estava no campo".

Retoma a expressão do aviso: kol-asher lekha ba-sadeh, "tudo o que você tem no campo" (versículo 19).

מֵאָדָם וְעַד־בְּהֵמָה — me-adam we-ad-behemah, "desde o homem até o animal".

A construção "desde… até…" nomeia os extremos para dizer o todo. A mesma fórmula aparece em Gênesis 6:7 e 7:23, no dilúvio, e em Jeremias 50:3.

וְאֵת כָּל־עֵשֶׂב הַשָּׂדֶה הִכָּה הַבָּרָד — we-et kol-esev ha-sadeh hikkah ha-barad, "e toda erva do campo o granizo feriu".

A ordem das palavras muda: o objeto vem primeiro, depois o verbo, depois o sujeito. É o modo hebraico de pôr o objeto em destaque — "e quanto à erva do campo, o granizo a feriu". Hikkah é o mesmo verbo nakah, agora no perfeito.

Esev ha-sadeh, a erva do campo: a vegetação rasteira, incluindo o cereal verde. A mesma expressão da ordem do versículo 22.

וְאֶת־כָּל־עֵץ הַשָּׂדֶה שִׁבֵּר — we-et-kol-ets ha-sadeh shibber, "e todas as árvores do campo ele quebrou".

Ets é árvore e também madeira. Ets ha-sadeh, "árvore do campo", é a árvore fora do povoado — a de pomar, de beira de canal, de estrada.

Shibber é a forma intensiva de shavar, quebrar. Na forma simples o verbo quer dizer "quebrar"; na intensiva, "despedaçar", "fazer em pedaços", e se usa para ídolos esmagados (Êxodo 23:24; 34:13), para as tábuas da lei (Êxodo 32:19), para os cedros quebrados pela voz do SENHOR no Salmo 29:5. O Salmo 105:33 retoma exatamente este verbo para esta praga.

O verbo fica no fim da frase, como a última palavra do versículo.

11. Conclusão

Com base no que foi dito, o versículo leva a três conclusões.

O granizo fez o que o aviso disse que faria, e onde disse. Tudo o que estava no campo foi atingido; o que estava dentro de casa não entra no inventário. A tempestade confirmou a geografia do versículo 19.

O texto registra o dano sem inflá-lo. Onde o anúncio falou em morte, o balanço fala em ferir, e não há números. O "toda" das plantas será qualificado pelo próprio capítulo.

A perda maior é a que dura. O versículo termina nas árvores, com o verbo de despedaçar. Num país onde árvore era bem escasso — contada como patrimônio até na sepultura de um alto funcionário —, o granizo atingiu o que levaria anos para voltar.

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