Os filhos de Reuel foram: Naate, Zerá, Samá e Mizá. Estes foram os filhos de Basemate, mulher de Esaú.
1. Introdução
Quatro nomes e uma fórmula de fechamento. É o segundo ramo do capítulo, e o mais regular de todos.
Naate, Zerá, Samá e Mizá são filhos de Reuel, neto de Esaú por Basemate. Os quatro reaparecem no versículo 17 como chefes, na mesma ordem, e nenhum tem descendência registrada.
Duas coisas merecem atenção.
A primeira é a regularidade. Aqui não há concubina, não há filho fora do padrão, não há divergência entre manuscritos. Quatro filhos, quatro chefes. É o único dos três ramos sem nenhuma anomalia — e vale notar isso logo depois do versículo 12, que traz todas elas.
A segunda é o nome Zerá. Vinte versículos adiante, no versículo 33, aparecerá um rei de Edom chamado Jobabe, filho de Zerá, de Bozra. Se é o mesmo homem, é a única ligação que o capítulo permite traçar entre a lista dos chefes e a dos reis. O item 4 examina até onde isso pode ser levado.
Sobre os outros três, é honesto dizer que não há informação. Aparecem aqui, aparecem no versículo 17, são copiados em 1 Crônicas 1:37, e acabam.
2. Contexto Histórico e Cultural
Como uma linhagem vira clãs
O capítulo tem uma lógica de três degraus, e este versículo mostra o segundo funcionando.
No primeiro degrau há um homem: Esaú. No segundo, os filhos dele — cinco. No terceiro, os netos, e é aí que a lista para: nenhum deles tem filhos registrados.
A razão é prática. Numa sociedade organizada por parentesco, o grupo que efetivamente age no mundo — que ocupa um vale, negocia com vizinhos, responde por dívidas e vai à guerra — não é a família nuclear nem o povo inteiro. É o clã: algumas dezenas ou centenas de pessoas que se reconhecem descendentes de um mesmo antepassado a duas ou três gerações de distância.
Uma lista feita para registrar quem manda no quê precisa chegar até esse degrau e não precisa passar dele. Chegou, parou.
Por que a terceira geração é a que interessa
Vale ver a conta.
Esaú tem cinco filhos. Elifaz gera seis, Reuel gera quatro, e os três filhos de Oolibama não geram nenhum. Somando os que a lista de chefes reconhece, dão-se onze grupos.
Onze é um número plausível para os clãs que dividiam um território do tamanho de Seir. Se a lista descesse mais uma geração, teria dezenas de nomes e deixaria de servir a qualquer finalidade prática.
É por isso que este versículo, aparentemente insignificante, é parte do núcleo do documento: são estes quatro nomes que aparecerão como chefes.
Nomes que voltam
Três dos quatro nomes deste versículo reaparecem em Israel, aplicados a outras pessoas.
Zerá é o nome de um filho de Judá com Tamar, em Gênesis 38:30, e de um clã que aparece em Josué 7:1, na história de Acã. Samá é nome de um irmão de Davi, em 1 Samuel 16:9, e de dois dos guerreiros dele, em 2 Samuel 23. Naate reaparece em 1 Crônicas 6:26, como levita.
Nada disso indica parentesco. Indica que aqueles nomes circulavam pela região, entre povos vizinhos que falavam línguas próximas.
É a mesma cautela que o versículo 11 exigiu a respeito de Quenaz, e vale como regra: nome igual, em textos antigos, é ponto de partida para investigação e não conclusão.
3. Análise Teológica do Versículo
"Os filhos de Reuel foram"
Fórmula idêntica à do versículo 11, aplicada ao segundo ramo.
A simetria entre os dois versículos é quase perfeita: mesma abertura, mesma enumeração, mesma ausência de comentário. A diferença está no número — cinco lá, quatro aqui — e no que veio no meio.
Vale registrar essa comparação, porque ela é o que dá sentido ao versículo. O ramo de Elifaz precisou de dois versículos e trouxe uma concubina, um filho fora do padrão e um problema de manuscrito. O ramo de Reuel cabe em uma linha e não traz nada disso.
Não é qualidade nem defeito. É apenas o que o documento tinha sobre cada um.
Quatro filhos, quatro chefes
O detalhe mais consequente do versículo aparece quando se compara com o versículo 17.
Lá se lê: "estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá, o chefe Mizá". Os mesmos quatro nomes, na mesma ordem, com um título acrescentado.
A correspondência é exata: cada filho vira um chefe, sem sobras e sem faltas. É diferente do ramo de Elifaz, em que cinco filhos produzem sete chefes.
Isso confirma como a lista funciona. O nome do neto e o nome do clã são a mesma coisa — o homem dá nome ao grupo que dele descende, e o grupo passa a ser designado por ele.
E aí está uma ambiguidade que atravessa o capítulo e não tem solução. Quando o texto diz "Naate", trata-se do indivíduo, do clã que leva o nome dele ou do território que o clã ocupa? Nas listas antigas, geralmente das três coisas ao mesmo tempo.
Os três nomes sem história
Naate, Samá e Mizá.
Não há informação sobre eles, e é preciso dizer isso em vez de preencher. Aparecem aqui, aparecem no versículo 17, são copiados em 1 Crônicas 1:37, e não voltam.
Nenhum território edomita foi identificado com esses nomes. Nenhum profeta os menciona. Nenhum livro histórico os retoma.
Os léxicos propõem sentidos para os nomes, e as propostas variam em solidez — algumas razoáveis, outras claramente conjeturais. O item 10 as apresenta com a marcação devida.
Zerá, e a única ponte possível
O segundo nome é o que carrega alguma coisa.
No versículo 33 aparecerá um rei de Edom: "Jobabe, filho de Zerá, de Bozra". Se este Zerá for aquele, então a lista dos reis, dos versículos 31 a 39, se conecta à genealogia dos primeiros versículos — e o segundo rei de Edom seria bisneto de Esaú.
Seria a única passagem entre as duas partes do capítulo. Em nenhum outro ponto o texto liga um rei a um nome da árvore genealógica.
Mas a ligação não pode ser afirmada, e as razões são fortes. O texto não a faz. O nome Zerá é comum. E o versículo 31 situa aqueles reis num período que a lista de chefes não cobre, o que torna a coincidência de gerações difícil.
O que se pode dizer é que a possibilidade existe, que comentaristas a levantaram, e que ela permanece em aberto. O versículo 33 trata daquele rei.
"Estes foram os filhos de Basemate, mulher de Esaú"
A fórmula de fechamento, pela segunda vez em dois versículos.
Ela conta os netos, não os filhos: Basemate teve um filho, Reuel, e a fórmula cobre os quatro netos por ele. É o mesmo uso amplo da palavra que o versículo 12 fez com Ada.
A etiqueta "mulher de Esaú" volta aqui pela quinta vez no capítulo — e sua função ficou clara no versículo anterior, quando o texto precisou registrar uma posição diferente.
Há uma pequena diferença de forma entre este fecho e o do versículo 12, que a tradução consegue mostrar: aqui há um verbo, "estes foram", e lá não havia. É variação de estilo, sem consequência interpretativa, e o item 10 a registra.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
Naate
Primeiro filho de Reuel. Aparece aqui, no versículo 17 como chefe, e em 1 Crônicas 1:37.
Nada mais se sabe. O nome está ligado, com boa probabilidade, à raiz hebraica de descansar, e significaria algo como "descanso" ou "quietude".
Outro Naate aparece em 1 Crônicas 6:26, na genealogia dos levitas, sem relação com este.
Zerá
Segundo filho de Reuel, chefe segundo o versículo 17.
O nome vem provavelmente da raiz que descreve o nascer do sol, e significaria "aurora", "raiar", "brilho que se levanta". É das etimologias mais seguras deste capítulo.
O interesse dele está na possível ligação com o versículo 33, onde se lê "Jobabe, filho de Zerá, de Bozra", segundo rei da lista edomita.
Vale pesar a hipótese com cuidado. A favor: o nome é o mesmo, os dois estão no mesmo capítulo, e Bozra é cidade edomita. Contra: o texto não faz a ligação, o nome é comum, e o versículo 31 situa a lista de reis num tempo que a genealogia não alcança.
Se a identificação valesse, seria a única ponte entre a lista de chefes e a de reis no capítulo inteiro. É justamente por ser tão conveniente que ela exige mais cautela, e não menos.
Outros com o nome Zerá
É nome frequente no Antigo Testamento, e convém separar os casos.
Gênesis 38:30 traz Zerá, filho de Judá com Tamar, irmão gêmeo de Perez — aquele cuja mão saiu primeiro no parto, com o fio de escarlate amarrado. Josué 7:1 apresenta Acã como descendente dele.
Números 26:13 traz um Zerá entre os filhos de Simeão. 1 Crônicas 6:21 traz um levita com o mesmo nome. E 2 Crônicas 14:9 menciona "Zerá, o etíope", que atacou Judá no tempo de Asa.
Nenhum deles tem parentesco com este. É bom exemplo de quanto um nome comum pode aparecer em contextos independentes.
Samá
Terceiro filho de Reuel, chefe segundo o versículo 17. Nada mais se sabe.
A origem do nome é discutida. Foi ligada a uma raiz que tem a ver com assombro ou desolação, e também a outras propostas menos convincentes. Os léxicos não fecham a questão.
O nome é conhecido em Israel: um irmão de Davi se chama Samá, em 1 Samuel 16:9, e dois dos trinta guerreiros dele aparecem com esse nome em 2 Samuel 23. Coincidência, sem ligação com este.
Mizá
Quarto filho de Reuel, chefe segundo o versículo 17.
É o nome mais obscuro do versículo. Aparece três vezes na Bíblia — aqui, no versículo 17 e em 1 Crônicas 1:37 — e em nenhuma outra parte.
A origem é incerta. As propostas registradas nos léxicos são conjeturas, e o mais honesto é dizer que não se sabe.
Reuel e Basemate
Reuel é o segundo filho de Esaú, apresentado no versículo 4 e reapresentado no versículo 10. Basemate é a filha de Ismael, irmã de Nebaiote, apresentada no versículo 3.
O ramo deles se fecha aqui. Quatro netos, todos chefes, nenhum com descendência registrada.
Note-se o contraste com o ramo anterior: nenhuma concubina, nenhum filho fora do padrão, nenhuma divergência entre manuscritos. É o bloco mais regular do capítulo.
Onde estes nomes reaparecem
Gênesis 36:17 os repete com o título de chefe, na mesma ordem, acrescentando "estes são os chefes de Reuel na terra de Edom".
1 Crônicas 1:37 os copia sem alteração: "os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá".
Fora dessas três passagens, os quatro nomes não aparecem juntos em lugar nenhum.
5. Pontos de Ensino
Uma lista para onde precisa parar
A genealogia de Esaú chega aos netos e não desce mais. Este versículo é um dos que fecham esse degrau.
A razão é que o clã — o grupo de algumas dezenas ou centenas de parentes que age em conjunto — se forma justamente na terceira geração. É ele que ocupa território e responde por acordos.
Um documento feito para registrar isso não precisa de mais gerações. Se descesse outra, teria dezenas de nomes e serviria a menos coisas.
O nome do homem vira o nome do grupo
Os quatro filhos deste versículo reaparecem, no versículo 17, como quatro chefes. A correspondência é exata.
Isso mostra que, na lista, indivíduo e clã levam o mesmo nome. E cria uma ambiguidade que não se resolve: ao ler "Naate", não há como saber se o texto fala do homem, do grupo ou do distrito.
É característica das fontes antigas, e reconhecê-la evita perguntas que a fonte não pode responder.
Nem todo ramo tem história
O ramo de Elifaz ocupa dois versículos e traz uma concubina, um filho fora do padrão e uma divergência de manuscrito. O de Reuel cabe em uma linha e não traz nada.
A diferença não indica importância maior ou menor. Indica apenas o que o documento tinha sobre cada um.
Vale como cautela de leitura: o volume de informação sobre alguém, num registro antigo, diz mais sobre o que sobreviveu do que sobre o que aconteceu.
Nome igual não é pessoa igual
Zerá é filho de Reuel aqui, filho de Judá em Gênesis 38:30, simeonita em Números 26:13 e etíope em 2 Crônicas 14:9.
Samá é filho de Reuel aqui e irmão de Davi em 1 Samuel 16:9.
O estoque de nomes era pequeno e as famílias reaproveitavam os dos avós. A repetição é a regra, e supor identidade por coincidência de nome é o erro mais comum na leitura de genealogias.
6. Aspectos Filosóficos
Quanto de uma lista antiga é fato e quanto é forma
O versículo levanta uma questão que só aparece quando se olha o capítulo de longe: a lista é regular demais.
Quatro filhos, quatro chefes, correspondência exata, nenhuma sobra. Onze chefes ao todo no primeiro grupo, doze reis e chefes em outros pontos do capítulo. Ismael tinha doze filhos; Jacó, doze.
Números redondos e correspondências perfeitas costumam indicar organização, não contagem. E isso levanta uma dúvida legítima: até que ponto uma lista dessas registra o que havia, e até que ponto arruma o que havia numa forma que se pudesse memorizar e transmitir?
Convém não exagerar em nenhuma das duas direções.
De um lado, a suspeita tem fundamento. Listas antigas são conhecidamente esquemáticas: agrupam, arredondam, pulam gerações, e o fazem porque a função delas é ser retida e recitada, não ser exata.
De outro, o próprio capítulo traz coisas que uma lista arrumada não inventaria. Uma concubina no meio do ramo principal. Um nome de mulher entre chefes, no versículo 41. Uma genealogia de povo estrangeiro misturada à da família. Nomes que não batem com o resto do livro. Um número de chefes que não fecha em doze.
Essas irregularidades são o melhor argumento contra a hipótese de construção livre. Quem constrói uma lista para servir a um propósito não a enche de pontas soltas.
O resultado provável é o menos elegante: material antigo, real em boa parte, organizado numa forma que facilitava a memória — com o encaixe funcionando em alguns pontos e não funcionando em outros, exatamente como se vê.
Onde marcar o limite: o texto não diz nada disso, e nenhum critério interno permite separar, linha a linha, o que veio do registro e o que veio do arranjo. Toda afirmação sobre a proporção entre as duas coisas é estimativa, não medida — e quem apresentar uma resposta precisa para essa pergunta estará afirmando mais do que se pode saber.
7. Aplicações Práticas
Anotar o que não se sabe
Três dos quatro nomes deste versículo não têm nenhuma informação associada, e os sentidos que os léxicos propõem variam de razoáveis a conjeturais.
A prática comum, em listas de significados de nomes bíblicos, é escolher a proposta mais bonita e apresentá-la sem ressalva. O leitor sai achando que sabe.
A alternativa custa uma linha: dizer que a origem é incerta, dizer qual proposta é mais sólida, e parar aí. Vale para qualquer levantamento em que parte dos dados simplesmente não existe.
Desconfiar da conexão conveniente
Se o Zerá deste versículo for o Zerá do versículo 33, o capítulo ganha uma ponte entre a lista dos chefes e a dos reis. Seria elegante.
É exatamente por isso que a hipótese exige mais cuidado, e não menos. Conclusões que resolvem um problema de modo satisfatório têm mais chance de serem aceitas sem exame.
O teste prático é simples: além do que torna a conexão conveniente, o que a sustenta? Aqui, um nome comum — e nada mais.
Silêncio não é ausência
O ramo de Reuel não tem episódio, anomalia nem história. O de Elifaz tem tudo isso.
Concluir daí que o primeiro foi menos importante seria erro. O que se sabe é apenas que sobre um deles chegou mais informação.
É distinção útil diante de qualquer arquivo: o que ficou registrado e o que aconteceu são conjuntos diferentes, e o primeiro é sempre menor.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
O Zerá deste versículo é o pai do rei Jobabe, no versículo 33?
É possível e não é demonstrável.
A favor: mesmo nome, mesmo capítulo, e Bozra é cidade edomita. Contra: o texto não faz a ligação, o nome é dos mais comuns do Antigo Testamento, e o versículo 31 situa a lista de reis num período que a genealogia dos chefes não alcança.
Se a identificação valesse, seria a única passagem entre as duas partes do capítulo — motivo para examiná-la com mais rigor, não com menos.
Por que o ramo de Reuel é tão mais simples que o de Elifaz?
Porque foi o que o documento conservou sobre ele.
Elifaz recebeu dois versículos, com uma concubina, um sexto filho e uma divergência de manuscrito. Reuel recebeu uma linha, com quatro nomes.
Não há indicação de que um ramo importasse mais do que o outro. Há indicação de que sobre um deles sobrou mais informação.
Por que os quatro filhos viram exatamente quatro chefes?
Porque, nesse tipo de lista, o nome do neto e o nome do clã são a mesma coisa.
Cada homem da terceira geração dá nome ao grupo de parentes que dele descende, e o grupo passa a ser designado por ele. A correspondência é automática.
É diferente do ramo de Elifaz, em que cinco filhos produzem sete chefes — porque ali entram Amaleque, filho da concubina, e Corá, cuja presença naquela lista é problema de texto tratado no versículo 5.
Estes nomes são de pessoas ou de lugares?
Provavelmente das duas coisas, e não há como separar.
Nas listas antigas, o antepassado, o clã que dele descende e o distrito ocupado pelo clã levam o mesmo nome. O caso mais claro no capítulo é Temã, que os profetas tratam abertamente como região.
No caso destes quatro, nenhum território foi identificado — o que impede até de testar a hipótese.
O Samá deste versículo tem relação com o irmão de Davi?
Nenhuma. São povos diferentes, tribos diferentes e séculos de distância.
O nome aparece em 1 Samuel 16:9, entre os filhos de Jessé, e em 2 Samuel 23, entre os guerreiros de Davi.
Coincidência de nome era comum entre povos vizinhos que falavam línguas próximas. Supor parentesco por causa dela é o erro mais frequente na leitura de genealogias.
9. Conexão com Outros Textos
Os mesmos nomes como chefes
Gênesis 36:17 — "E estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá, o chefe Mizá; estes são os chefes de Reuel na terra de Edom; estes são os filhos de Basemate, mulher de Esaú."
Os quatro nomes deste versículo com um título acrescentado, e a mesma fórmula de fechamento.
1 Crônicas 1:37 — "Os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá."
A cópia séculos depois, sem alteração e sem a menção à mãe.
As outras fórmulas de fechamento do capítulo
Gênesis 36:12 — "Estes são os filhos de Ada, mulher de Esaú."
Gênesis 36:14 — "E estes foram os filhos de Oolibama, mulher de Esaú."
Os três blocos maternos fechados pela mesma construção.
O possível ponto de contato com a lista dos reis
Gênesis 36:33 — "E morreu Belá; e reinou em seu lugar Jobabe, filho de Zerá, de Bozra."
A única passagem do capítulo em que um rei recebe filiação com nome que já apareceu na genealogia.
Outros com estes nomes
Gênesis 38:29-30 — "E saiu depois o seu irmão, em cuja mão estava o fio de escarlate; e chamaram-lhe Zerá."
O Zerá mais conhecido da Bíblia, filho de Judá com Tamar — sem relação com este.
Josué 7:1 — "Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou do anátema."
A linhagem daquele Zerá, dentro de Israel.
1 Samuel 16:9 — "Então Jessé fez passar a Samá; porém disse: Também a este não tem escolhido o SENHOR."
Um irmão de Davi com o nome do terceiro filho de Reuel.
2 Crônicas 14:9 — "E Zerá, o etíope, saiu contra eles, com um exército de mil milhares."
Mais um homônimo, agora de outro povo — exemplo de quanto o nome circulava.
10. Original Hebraico e Análise
Texto em português
Os filhos de Reuel foram: Naate, Zerá, Samá e Mizá. Estes foram os filhos de Basemate, mulher de Esaú.
Texto hebraico
וְאֵלֶּה בְּנֵי רְעוּאֵל נַחַת וָזֶרַח שַׁמָּה וּמִזָּה אֵלֶּה הָיוּ בְּנֵי בָשְׂמַת אֵשֶׁת עֵשָׂו׃
Transliteração
we'elleh bene Re'u'el: Nachat wa-Zerach, Shammah u-Mizzah; 'elleh hayu bene Vasemat 'eshet 'Esav.
Análise palavra por palavra
נַחַת — Nachat, "Naate".
Formado sobre a raiz נוח (nuach), descansar, repousar, assentar. O sentido do nome seria "descanso", "quietude", "repouso".
É das etimologias mais seguras do capítulo, porque a raiz é comum e a formação é regular. Da mesma raiz vem o nome Noé, em Gênesis 5:29, e o verbo que descreve a arca pousando sobre o Ararate, em Gênesis 8:4.
A palavra correlata aparece em Eclesiastes 4:6, "melhor é uma mão cheia com descanso do que ambas as mãos cheias com trabalho".
וָזֶרַח — wa-Zerach, "e Zerá".
Da raiz זרח (zarach), que descreve o nascer do sol, o raiar, o brilhar que surge. O nome significa algo como "aurora" ou "brilho que se levanta".
É o verbo de Gênesis 32:31, quando o sol se levanta sobre Jacó depois da luta em Peniel, e o de Isaías 60:1, "levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz".
Gênesis 38:30 mostra a lógica de um nome assim: o gêmeo cuja mão saiu primeiro, com o fio de escarlate, recebe esse nome — o que apareceu antes.
É nome frequente no Antigo Testamento, aplicado a pessoas de vários povos e épocas. O item 4 separa os casos.
שַׁמָּה — Shammah, "Samá".
A origem é discutida. A proposta mais repetida o liga à raiz שמם (shamem), que cobre as ideias de assombro, desolação e devastação — o que daria um sentido pouco natural para nome próprio.
Há quem prefira ligá-lo a outra raiz, ou tratá-lo como forma abreviada de um nome mais longo. Nenhuma solução se impõe, e os léxicos registram a incerteza.
וּמִזָּה — u-Mizzah, "e Mizá".
Origem desconhecida. As propostas registradas nos léxicos — ligação com uma palavra de temor, ou com uma raiz de aspergir — são conjeturas sem apoio firme.
O nome aparece três vezes na Bíblia, todas em listas idênticas, o que significa que não há contexto nenhum para ajudar a decidir.
אֵלֶּה הָיוּ בְּנֵי — 'elleh hayu bene, "estes foram os filhos de".
Vale a comparação com o versículo 12, que fecha o ramo anterior sem verbo — apenas "estes os filhos de Ada".
Aqui aparece hayu, forma plural do verbo hayah, ser. O hebraico dispensa o verbo de ligação no presente, mas pode usá-lo, e o uso põe a frase no passado: "estes foram", em vez de "estes são".
A diferença é de estilo e não sustenta conclusão interpretativa. Registra-se por ser visível também em português, onde a maioria das traduções a preserva.
בָשְׂמַת אֵשֶׁת עֵשָׂו — Vasemat 'eshet 'Esav, "Basemate, mulher de Esaú".
A etiqueta jurídica pela quinta vez no capítulo. O que ela marca, e por que a insistência importa, está no versículo 12, onde o texto precisou registrar uma posição diferente.
A palavra bene, filhos, cobre aqui os netos — Basemate teve um filho só, Reuel. É o uso amplo normal em hebraico, o mesmo do fecho anterior.
O nome Basemate e sua ligação com a palavra de bálsamo estão analisados no versículo 3.
11. Conclusão
De quatro nomes e uma fórmula decorrem três coisas.
A primeira é sobre o alcance da lista. O ramo de Reuel se fecha na terceira geração, como o de Elifaz, porque é aí que se forma o clã — o grupo que ocupa território e responde por acordos. Conclui-se que a genealogia não busca profundidade: ela desce até o degrau em que os nomes passam a designar grupos, e para.
A segunda é sobre a correspondência exata entre este versículo e o 17. Quatro filhos, quatro chefes, mesma ordem, sem sobras. Disso decorre que, nesta lista, o nome do homem e o nome do clã são a mesma coisa — e que a pergunta sobre se um nome designa pessoa, grupo ou lugar não tem resposta, porque a fonte não distingue.
A terceira decorre da comparação com o versículo anterior. Aqui não há concubina, filho fora do padrão nem divergência de manuscrito: é o bloco mais regular do capítulo. Conclui-se que a diferença entre os dois ramos é de informação conservada, e não de importância — o que sobreviveu num arquivo é sempre menor do que o que aconteceu.
Fica em aberto se o Zerá deste versículo é o pai do rei Jobabe, do versículo 33. Seria a única ponte entre a lista dos chefes e a dos reis, e é justamente por ser conveniente que a hipótese precisa ser apresentada com a fraqueza que tem: um nome comum, e nada mais que a sustente.













