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Gênesis 36:17

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✍️ Por Alberto Adriano·5 de setembro de 2026·⏱️ 20 min de leitura·👁 41 acessos
E estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá e o chefe Mizá. Estes são os chefes descendentes de Reuel na terra de Edom; são os filhos de Basemate, mulher de Esaú.
Quatro homens de vestes longas em pé sobre um terraço rochoso, com rebanhos de cabras e vales secos ao fundo, sob luz de fim de tarde.

Estudo


E estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá e o chefe Mizá. Estes são os chefes descendentes de Reuel na terra de Edom; são os filhos de Basemate, mulher de Esaú.

1. Introdução

Vem o segundo bloco de chefes.

Depois dos sete saídos de Elifaz, o texto apresenta quatro saídos de Reuel, e fecha com a mesma fórmula: o território e o nome da mãe.

Dois detalhes escapam à leitura rápida.

O primeiro é que Reuel vem reapresentado como "filho de Esaú", coisa que não se fez com Elifaz no versículo anterior. A repetição tem função de documento: reancorar o leitor depois de uma lista longa.

O segundo é que a fórmula de fecho ganha aqui um acréscimo — Basemate não é chamada apenas pelo nome, mas de "mulher de Esaú".

Quanto aos quatro chefes, o texto não conta nada. Nenhum deles reaparece na Bíblia, e dois dos nomes são compartilhados com israelitas sem relação nenhuma com Edom.

2. Contexto Histórico e Cultural

O que se sabe da religião de Edom

Este versículo traz um nome construído sobre a palavra "Deus" — Reuel —, e isso abre uma janela para um assunto pouco tratado: em que os edomitas criam.

A resposta honesta começa pelo tamanho da ignorância. Não sobrou nenhum texto religioso edomita. Não há mito, não há hino, não há lista de sacrifícios. O que existe são inscrições curtas, selos, nomes próprios e menções feitas por vizinhos.

Do pouco que há, o dado mais firme é o nome de um deus: Qos. Ele aparece em nomes de reis edomitas registrados por escribas assírios — Qaus-malaka e Qaus-gabri, que pagaram tributo a reis da Assíria — e em selos e cacos com escrita encontrados na região. Um santuário escavado em Horvat Qitmit, no Neguebe, é atribuído a esse culto e forneceu figuras de barro e objetos rituais.

Curiosamente, o nome desse deus chega até a lista de nomes israelita. Esdras 2:53 e Neemias 7:55 registram, entre os servidores do templo que voltaram do exílio, uma família chamada Barcos — nome que traz dentro de si o nome Qos.

O que os nomes deste capítulo não trazem

Aqui está a observação que merece registro, com a cautela devida.

Nenhum dos nomes desta genealogia contém o nome Qos. Nem Naate, nem Zerá, nem Samá, nem Mizá; nem os chefes do versículo anterior; nem os horeus que virão adiante. Se o capítulo fosse invenção tardia, feita por quem conhecia a Edom dos séculos VIII e VII a.C., seria de esperar que esses nomes aparecessem — eram os mais comuns no país naquela altura.

Alguns estudiosos leem nisso um indício de que o material da lista é antigo, anterior à fixação daquele culto. É argumento defensável e não é prova: o silêncio pode ter outras causas, inclusive a de que quem escrevia não incluiria nomes de outro deus num texto israelita.

O que se pode afirmar é o dado bruto: os nomes edomitas deste capítulo não são do tipo que a arqueologia recolheu em Edom.

Uma casa dividida em três, e a parte do meio

Reuel é o segundo filho, e a linha dele é a segunda em tamanho: quatro chefes, contra sete de Elifaz e três de Oolibama.

A proporção não é comentada pelo texto, mas é o tipo de informação que uma lista assim existia para registrar. Num sistema de clãs, saber quantas unidades saíram de cada tronco é saber quanto peso cada tronco tem nas decisões comuns e quanta terra lhe cabe.

Vale notar que não há sinal de conflito. O capítulo não registra disputa entre as três linhas, ao contrário do que o Gênesis faz com a casa de Jacó, onde a rivalidade entre filhos de mães diferentes move boa parte da narrativa.

Nomes que atravessam fronteiras

Dois dos quatro nomes deste versículo — Zerá e Samá — reaparecem na Bíblia aplicados a israelitas, sem nenhuma relação com Edom.

Isso não é coincidência estranha. Hebraico e edomita eram línguas muito próximas, do mesmo tronco, provavelmente inteligíveis entre si. O repertório de nomes era em boa parte comum, como acontece hoje entre português e espanhol.

A consequência prática, para quem lê, é uma só: coincidência de nome, nesta região e neste período, não indica parentesco nem contato. É preciso outro tipo de evidência para afirmar ligação.

3. Análise Teológica do Versículo

"E estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú"

A frase reapresenta Reuel, e a reapresentação é o dado.

No versículo anterior, ao fechar a linha de Elifaz, o texto não sentiu necessidade de dizer de quem Elifaz era filho — bastava "os chefes de Elifaz". Aqui, ao abrir a linha seguinte, acrescenta "filho de Esaú".

A explicação mais simples é de ordem prática. Depois de sete nomes de chefes seguidos, o leitor está no nível dos netos; a fórmula puxa a atenção de volta ao nível dos filhos, para deixar claro que começa outro tronco, e não uma continuação do anterior.

É o comportamento de um documento que quer ser consultado, e não lido de ponta a ponta. Quem procura a linha de Reuel a encontra sem precisar reler o que veio antes.

"o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá e o chefe Mizá"

Quatro nomes, quatro títulos, nenhuma informação.

É a mesma construção repetida do bloco anterior, e a repetição de "chefe" diante de cada nome continua sendo a marca do registro. Nenhum dos quatro recebe qualificativo, ordem de nascimento, feito ou território próprio.

Uma comparação ajuda a medir o que se tem aqui. Estes quatro nomes já haviam aparecido em Gênesis 36:13, exatamente na mesma ordem, ali como filhos de Reuel. A diferença entre os dois versículos é apenas o título — e o fato de o texto achar que valia a pena escrever a lista duas vezes.

Há um detalhe que costuma passar batido: aqui o texto não deixa margem para a dúvida que Corá criou no versículo anterior. Os quatro nomes desta linha não aparecem em nenhuma outra parte da genealogia, e a lista paralela de 1 Crônicas 1:37 os traz na mesma ordem, sem variação. É o bloco mais estável do capítulo.

"Estes são os chefes descendentes de Reuel na terra de Edom"

A fórmula de fecho se repete sem alteração.

Vale reparar no que ela localiza: os chefes, não a pessoa de Reuel. O texto não diz que Reuel viveu em Edom — diz que os chefes saídos dele estão ali. É coerente com Gênesis 36:6-8, que conta a mudança de Esaú para a serra de Seir, e sugere que a fixação do território é do tempo dos netos, não do tempo dos filhos.

A inferência é razoável e tem limite: o texto não faz cronologia, e não se pode extrair dele uma datação de instalação.

"são os filhos de Basemate, mulher de Esaú"

O fecho ganha aqui um acréscimo que o do versículo anterior não tinha.

Ada foi mencionada apenas pelo nome. Basemate recebe o título completo: "mulher de Esaú". E a mesma coisa acontecerá no versículo seguinte com Oolibama, que será chamada assim duas vezes na mesma frase.

Não há como saber se a diferença é intencional. Duas leituras são possíveis. Pode ser variação de estilo, sem peso — o hebraico bíblico alterna fórmulas com frequência. Pode ser sinal de que os fechos vêm de fontes ligeiramente diferentes, reunidas por quem organizou o capítulo.

Não é possível decidir, e convém não construir nada sobre a diferença. Registrá-la já é suficiente, porque quem lê depressa nem a vê.

O que a fórmula faz, essa sim com clareza, é manter a estrutura: cada bloco de chefes é assinado por uma das três mulheres. É o eixo do capítulo.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Reuel

Segundo filho de Esaú nomeado no capítulo, apresentado em Gênesis 36:4 como filho de Basemate.

O nome é construído com a palavra "Deus" e significa, na leitura mais aceita, "amigo de Deus" ou "companheiro de Deus". É um dos poucos nomes desta genealogia cuja origem não é duvidosa.

Chama a atenção que o mesmo nome apareça, fora daqui, aplicado ao sogro de Moisés. Êxodo 2:18 chama assim o sacerdote de Midiã, que Êxodo 3:1 e o restante do livro chamam de Jetro. São regiões vizinhas e povos aparentados; a coincidência não estabelece ligação nenhuma entre os dois homens.

Naate

Nome que aparece aqui, em Gênesis 36:13 e em 1 Crônicas 1:37. Nada mais se sabe do homem.

O mesmo nome é usado por dois israelitas em Crônicas — um levita da linha de Coate, em 1 Crônicas 6:26, e um encarregado das ofertas no tempo de Ezequias, em 2 Crônicas 31:13. Não há relação entre eles e este.

Zerá

Este é o nome mais reutilizado da lista, e convém separar as pessoas.

O Zerá deste versículo é edomita, neto de Esaú, e nada se conta sobre ele. Adiante, no mesmo capítulo, aparecerá um Jobabe "filho de Zerá, de Bozra", entre os reis de Edom — se é este mesmo Zerá, o texto não diz, e o assunto pertence a Gênesis 36:33.

Fora de Edom, o nome é de israelitas: um dos gêmeos de Judá e Tamar, em Gênesis 38:30, cuja descendência dá nome a um clã inteiro; e ainda um chefe simeonita e outros homônimos em Crônicas. Há também "Zerá, o etíope", que ataca Judá em 2 Crônicas 14:9, e que não tem relação com nenhum dos anteriores.

A repetição do nome se explica pelo sentido, ligado ao raiar do sol — ideia comum e bem-vinda em qualquer língua semítica.

Samá

Também restrito, em Edom, a esta lista. Em Israel o nome é frequente: um irmão de Davi, em 1 Samuel 16:9, e um dos três guerreiros mais valentes do seu grupo, em 2 Samuel 23:11, que defendeu sozinho um campo de lentilhas contra os filisteus.

Nada disso tem qualquer ligação com o chefe edomita. É apenas um nome corrente na região.

Mizá

O mais obscuro dos quatro. Aparece só nesta lista e na cópia dela em 1 Crônicas 1:37, e não é usado por mais ninguém na Bíblia.

A origem é duvidosa. Propõe-se ligação com uma raiz de "temor" e outra com "medula, gordura", sem que nenhuma se imponha. O honesto é registrar que não se sabe.

Basemate

Segunda mulher de Esaú nomeada no capítulo, apresentada em Gênesis 36:3 como filha de Ismael e irmã de Nebaiote.

Essa filiação tem consequência: significa que Reuel e os quatro chefes deste versículo descendem, pelo lado materno, de Ismael, e portanto de Abraão por outro caminho. Duas linhas preteridas da promessa se juntam nessa descendência.

O nome dela não coincide com o que Gênesis 26:34 e 28:9 dão às mulheres de Esaú, e essa é uma das dificuldades mais discutidas do livro. O lugar do assunto é Gênesis 36:2.

5. Pontos de Ensino

O que uma lista repete é o que ela considera importante

Os quatro nomes deste versículo já haviam sido escritos, na mesma ordem, quatro versículos antes.

Quem escreveu não achou desperdício repeti-los. O que mudou foi a palavra "chefe" diante de cada um — e é justamente por causa dela que a lista foi refeita.

Isso ensina algo sobre como ler documentos antigos: a redundância costuma ser proposital. Onde há repetição com pequena diferença, a diferença é o assunto.

A parte que ninguém disputa

O bloco de Reuel é o único do capítulo sem problema textual. Os quatro nomes batem com a lista paralela de 1 Crônicas, na mesma ordem, sem variantes de peso.

Vale notar isso, porque a atenção costuma ir toda para os pontos difíceis. A maior parte de uma genealogia como esta chegou intacta, e é a estabilidade do conjunto que torna visível a irregularidade do caso de Corá.

Coincidência de nome não é parentesco

Zerá aqui é edomita; Zerá em Gênesis 38 é filho de Judá; Zerá em 2 Crônicas 14 é etíope. Samá aqui é neto de Esaú; Samá em 1 Samuel 16 é irmão de Davi.

Ler ligações onde há apenas homonímia é um erro comum, e produz árvores genealógicas fantasiosas. Hebraico e edomita compartilhavam o repertório de nomes, e nomes bons se repetem.

Duas linhas fora da promessa se encontram

Basemate é filha de Ismael. Esaú é filho de Isaque. Os chefes deste versículo descendem dos dois.

São, portanto, netos das duas linhas que o Gênesis apresenta como não escolhidas — Ismael em relação a Isaque, Esaú em relação a Jacó. O livro dedica atenção considerável a essas linhas, dando-lhes genealogia própria e território reconhecido.

O que se conclui daí depende do leitor. O dado, esse é firme: o texto não as apaga.

6. Aspectos Filosóficos

O que um nome revela sobre a fé de quem o deu

Reuel traz dentro de si a palavra "Deus". É um nome que declara alguma coisa.

Daí nasce uma pergunta que atravessa o estudo dos povos antigos: quando alguém chama o filho de "amigo de Deus", está confessando uma crença, repetindo um costume, ou apenas escolhendo um nome bonito que ouviu na família?

O argumento e a sua força

Nomes que carregam o nome de um deus são uma das poucas fontes disponíveis para saber em que criam povos que não deixaram textos.

O raciocínio é simples: pais não dão nomes ao acaso, e o deus que aparece nos nomes de um lugar é, com alta probabilidade, o deus cultuado ali. Foi assim que se estabeleceu a presença do culto a Qos em Edom, sem que exista uma única linha de teologia edomita.

O método funciona em escala. Quando centenas de nomes de uma região trazem o mesmo elemento divino, a conclusão é sólida.

Onde o método falha

Aplicado a um nome só, ele não vale quase nada.

Um nome pode ser herdado de um avô, e então diz respeito à fé de duas gerações antes. Pode ser moda regional esvaziada de conteúdo — como acontece hoje com nomes de santos dados por quem não frequenta igreja. Pode ter sido escolhido pelo som.

Há ainda o caso de nomes que sobrevivem ao culto que os produziu, funcionando como fóssil linguístico. Ninguém supõe que quem se chama Diana hoje cultue a deusa romana.

Onde a leitura não vale

É preciso ser claro: o versículo não levanta nada disso. Ele registra quatro chefes e fecha um bloco.

A questão surge de fora, de quem compara o nome de Reuel com o que se sabe da religião da região. E a conclusão prudente é que um nome isolado não autoriza afirmar em que Esaú ou os seus descendentes criam. O Gênesis, aliás, não diz uma palavra sobre isso — silêncio que vale a pena notar num livro que fala tanto de altares.

7. Aplicações Práticas

Um cuidado com semelhanças

Este versículo não oferece aplicação prática direta, e forçar uma seria inventar.

O que ele treina é um cuidado: coincidência não é ligação. Dois nomes iguais, duas datas próximas, dois fatos parecidos — a mente junta por conta própria, e quase sempre junta cedo demais.

Serve para ler texto antigo e serve para ler o noticiário. A pergunta útil é sempre a mesma: além da semelhança, o que mais sustenta essa ligação?

Registrar o que não tem história

Quatro homens receberam título e nada mais. Ainda assim foram escritos, e por isso ainda estão aqui.

Há valor em anotar o que parece não render nada. Boa parte do que se sabe sobre o passado veio de listas que ninguém escreveu para ser lida — inventários, recibos, cadastros.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Por que o texto repete que Reuel é filho de Esaú?

Provavelmente para reancorar o leitor depois de uma lista longa, marcando que começa outro tronco.

É explicação plausível e não é a única possível. Também pode ser resquício de uma fonte com fórmula própria. O texto não diz.

Por que Basemate é chamada de "mulher de Esaú" e Ada não?

Não se sabe. As duas explicações que circulam — variação de estilo e diferença de fonte — são igualmente indemonstráveis.

A diferença é real e pequena. Convém registrá-la sem construir nada sobre ela.

O Zerá deste versículo é o pai do rei Jobabe, mencionado adiante?

O texto não afirma nem nega.

Gênesis 36:33 apresenta Jobabe como "filho de Zerá, de Bozra", sem ligá-lo a esta lista. Alguns comentaristas fazem a identificação; ela permanece hipótese.

Se os edomitas cultuavam Qos, por que o nome não aparece aqui?

Há mais de uma resposta possível, e nenhuma verificável.

Pode ser que o material da lista seja anterior à fixação daquele culto. Pode ser que quem escreveu, sendo israelita, evitasse registrar nomes construídos sobre o nome de outro deus. Não é possível decidir.

O que aconteceu com esses quatro clãs?

Nada se sabe. Nenhum dos quatro nomes reaparece como povo, lugar ou personagem.

Edom foi absorvido por sucessivas potências e, no período posterior ao exílio, boa parte da população edomita se deslocou para o sul da Judeia, região que passou a se chamar Idumeia. Os clãs desta lista se dissolvem nesse processo sem deixar rastro identificável.

9. Conexão com Outros Textos

A mesma lista, sem título

Gênesis 36:13 — "Os filhos de Reuel foram: Naate, Zerá, Samá e Mizá. Estes foram os filhos de Basemate, mulher de Esaú."

Os mesmos quatro nomes, na mesma ordem, quatro versículos antes. A comparação mostra que a única novidade aqui é o título.

1 Crônicas 1:37 — "Os filhos de Reuel: Naate, Zerá, Samá e Mizá."

A lista paralela, idêntica. É o bloco mais estável do capítulo.

Basemate e a linha de Ismael

Gênesis 36:3 — "e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote."

A filiação que faz destes chefes descendentes de Abraão por dois caminhos.

Gênesis 25:13 — "Estes são os nomes dos filhos de Ismael: Nebaiote, o primogênito de Ismael, Quedar, Adbeel e Mibsão."

A genealogia da outra linha preterida, registrada com o mesmo cuidado que esta.

O nome Reuel fora de Edom

Êxodo 2:18 — "Quando elas voltaram a Reuel, seu pai, este lhes perguntou: Por que voltastes tão cedo hoje?"

O sacerdote de Midiã, sogro de Moisés, chamado Jetro no restante do livro. Mesmo nome, outra pessoa.

Os nomes que Israel também usou

Gênesis 38:30 — "Depois saiu o seu irmão, em cuja mão estava o fio encarnado; e chamou-se o seu nome Zerá."

2 Samuel 23:11 — "Depois dele, Samá, filho de Agé, o hararita. Os filisteus se ajuntaram num lugar onde havia um campo cheio de lentilhas, e o povo fugiu."

Dois israelitas com nomes desta lista, sem qualquer ligação com Edom.

A instalação em Seir

Gênesis 36:8 — "Assim habitou Esaú na região montanhosa de Seir; Esaú é Edom."

O versículo que explica por que os chefes desta linha estão "na terra de Edom".

O nome do deus edomita na lista de Israel

Esdras 2:53 — "os filhos de Barcos, os filhos de Sísera, os filhos de Tema."

Entre os servidores do templo que voltaram do exílio, uma família cujo nome traz dentro de si o do deus de Edom. É um dos poucos vestígios daquele culto dentro do texto bíblico.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

E estes são os filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá e o chefe Mizá. Estes são os chefes descendentes de Reuel na terra de Edom; são os filhos de Basemate, mulher de Esaú.

Texto hebraico

וְאֵלֶּה בְּנֵי רְעוּאֵל בֶּן־עֵשָׂו אַלּוּף נַחַת אַלּוּף זֶרַח אַלּוּף שַׁמָּה אַלּוּף מִזָּה אֵלֶּה אַלּוּפֵי רְעוּאֵל בְּאֶרֶץ אֱדוֹם אֵלֶּה בְּנֵי בָשְׂמַת אֵשֶׁת עֵשָׂו

Transliteração

ve'elleh benei Re'u'el ben-'Esav: 'alluf Nachat, 'alluf Zerach, 'alluf Shammah, 'alluf Mizzah; 'elleh 'allufei Re'u'el be'eretz 'Edom, 'elleh benei Vosmat 'eshet 'Esav.

Análise palavra por palavra

רְעוּאֵל — Re'u'el, "Reuel".

Nome composto de duas partes. A primeira vem da raiz de "ser companheiro, associar-se", da qual sai também a palavra corrente para "próximo, amigo" — a mesma do mandamento de amar o próximo, em Levítico 19:18. A segunda é 'El, "Deus".

A tradução usual é "amigo de Deus", e ela é segura. Uma alternativa proposta é "pastor de Deus", a partir de outra raiz de forma parecida, ligada a apascentar; a primeira leitura é a preferida pelos léxicos.

Vale notar o elemento 'El. Ele é o nome comum de divindade em todo o mundo semítico do oeste, e não é exclusivo de Israel — aparece em nomes cananeus, fenícios e árabes. Portanto não se pode concluir, da forma do nome, que a família de Esaú cultuasse o Deus de Abraão.

בֶּן־עֵשָׂו — ben-'Esav, "filho de Esaú".

A palavra ben é o singular de benei, "filhos de", e aqui está no sentido estrito: Reuel é filho direto de Esaú.

É um dos poucos pontos do capítulo em que a palavra não pode ser lida no sentido largo de descendente, e a precisão é justamente a função da fórmula neste lugar.

נַחַת — Nachat, "Naate".

A forma coincide com um substantivo hebraico que significa "quietude, descanso, calma" — a palavra que aparece, por exemplo, em Eclesiastes 4:6, "melhor é uma mão cheia com descanso".

Se o nome do homem tem esse sentido, não se pode saber. A coincidência de forma entre um nome próprio e uma palavra comum é frequente e nem sempre significativa, sobretudo em nomes de origem estrangeira.

זֶרַח — Zerach, "Zerá".

Da raiz de "brilhar, raiar, nascer" — usada para o sol que se levanta e para a luz que aparece. Malaquias 4:2 emprega o verbo dessa raiz na imagem do sol da justiça que "nascerá".

É um dos nomes desta lista cuja origem não é duvidosa, e o sentido explica por que ele se repete tanto: nomes ligados a luz e a nascimento são bem-vindos em qualquer época.

שַׁמָּה — Shammah, "Samá".

Origem discutida. Há duas propostas correntes. Uma liga o nome à raiz de "assolar, desolar", o que daria um sentido áspero, pouco esperado para um nome de criança. Outra o toma como forma abreviada de um nome mais longo, do qual teria caído a segunda parte — prática comum no hebraico, em que nomes compostos com "Deus" ou com o nome divino perdem a segunda metade no uso familiar.

Não é possível decidir entre as duas.

מִזָּה — Mizzah, "Mizá".

Origem desconhecida. As propostas registradas nos dicionários mais antigos — ligação com "temor" ou com "medula" — são conjeturas sem sustentação, e nenhum estudo posterior as confirmou.

Este é o tipo de caso em que o mais útil que um comentário pode fazer é dizer que não se sabe.

אֵשֶׁת עֵשָׂו — 'eshet 'Esav, "mulher de Esaú".

A palavra 'ishshah significa ao mesmo tempo "mulher" e "esposa"; o hebraico não distingue os dois, e a relação conjugal aparece pela construção de posse — "a mulher de fulano".

O acréscimo desta expressão no fecho, ausente no versículo anterior a respeito de Ada, é a pequena diferença que separa as duas fórmulas.

בָשְׂמַת — Vosmat, "Basemate".

O nome vem da palavra que designa o bálsamo e as especiarias aromáticas — a mesma raiz que aparece no Cântico dos Cânticos para os perfumes do jardim.

O sentido é algo como "perfumada" ou "bálsamo". É uma das etimologias seguras do capítulo, e é coerente com uma região atravessada pelas rotas do incenso.

11. Conclusão

O versículo fecha o segundo dos três blocos de chefes, e dele se tiram algumas conclusões.

A primeira é sobre a natureza do documento. O texto reapresenta Reuel como filho de Esaú porque escreve para ser consultado, e não lido de ponta a ponta: quem procura um tronco específico precisa saber, na primeira linha, em que altura da árvore está. É o comportamento de um registro, não de uma narrativa.

A segunda é sobre estabilidade. Este é o único bloco do capítulo sem problema de transmissão — quatro nomes que batem, na mesma ordem, com a lista paralela de 1 Crônicas 1:37. Disso decorre que as irregularidades do capítulo são exceção, e não regra, e que é justamente por isso que se consegue enxergá-las.

A terceira é sobre limites do que um nome prova. Reuel traz dentro de si a palavra "Deus", e essa palavra não é exclusiva de Israel: aparece em toda a região, em povos de cultos diferentes. Não se pode concluir da forma de um nome em que a família de Esaú criava — e o Gênesis, que fala tanto de altares na linha de Jacó, não diz uma palavra sobre o culto na de Esaú.

A quarta é sobre parentesco por homonímia. Zerá e Samá são nomes de israelitas conhecidos, e não têm relação nenhuma com estes chefes. Hebraico e edomita compartilhavam o repertório de nomes, e coincidência não estabelece ligação.

Resta o dado da descendência dupla. Os quatro chefes deste versículo vêm de Esaú e, pela mãe, de Ismael — duas linhas que o Gênesis apresenta como fora da promessa e às quais, ainda assim, dá genealogia própria, território e nome.

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