o chefe Corá, o chefe Gatã e o chefe Amaleque. Estes são os chefes descendentes de Elifaz na terra de Edom; são os filhos de Ada.
1. Introdução
O versículo termina a lista que o anterior começou.
Três nomes fecham os sete chefes saídos de Elifaz, e vem em seguida a fórmula de encerramento, que localiza o grupo na terra de Edom e o atribui a Ada.
Dois pontos merecem atenção.
O primeiro é o chefe Corá. Ele aparece aqui como descendente de Elifaz, mas o próprio capítulo o apresenta duas vezes como filho de Oolibama, que é outra mulher e outra linha. É um dos problemas de cópia mais citados do Gênesis, e algumas testemunhas antigas do texto simplesmente não trazem o nome neste ponto.
O segundo é a fórmula de fecho. Ela organiza o capítulo inteiro: cada bloco de chefes termina localizado num território e atribuído a uma das três mulheres de Esaú.
Amaleque também está aqui, e é o nome de maior consequência de toda a genealogia. O texto conta a origem dele em Gênesis 36:12, e é lá que o assunto pertence.
2. Contexto Histórico e Cultural
Como um texto era copiado
Para entender o problema deste versículo é preciso saber como um livro chegava de uma geração à seguinte.
Não havia impressão. Cada exemplar era escrito à mão, em rolo de couro ou de papiro, por um copista que tinha diante de si outro rolo. O trabalho consistia em olhar o modelo, guardar um trecho na memória e escrevê-lo — e depois repetir a operação centenas de vezes por dia.
Esse procedimento produz erros previsíveis, e os estudiosos os catalogaram. O olho salta de uma palavra para outra igual e pula o que está no meio. Uma linha é escrita duas vezes. Letras parecidas se trocam. E, em listas repetitivas como esta, um nome de uma parte da lista escorrega para outra.
O texto hebraico que chegou até nós foi preservado com um cuidado notável — os copistas judeus contavam letras e palavras para conferir. Mas esse cuidado extremo é tardio, e o que ele preserva é o texto tal como estava quando o método começou a ser aplicado, não necessariamente o mais antigo.
As testemunhas antigas do texto
Quando surge uma dúvida como a deste versículo, há mais de um texto a consultar.
O Texto Massorético é o hebraico tradicional, fixado por gerações de copistas e estudiosos judeus, e é a base das traduções correntes. O Pentateuco Samaritano é a versão dos cinco primeiros livros conservada pela comunidade samaritana, separada do judaísmo desde a Antiguidade, e às vezes traz leituras diferentes. A Septuaginta é a tradução grega feita em Alexandria a partir do século III a.C., e reflete um texto hebraico anterior ao que temos. O Targum de Ônquelos é a tradução em aramaico usada nas sinagogas.
Nenhuma dessas testemunhas é automaticamente melhor que as outras. Comparar as quatro é o que permite reconstruir a história de uma passagem — e, neste versículo, elas não dizem a mesma coisa.
O que significa localizar um grupo "na terra de Edom"
A fórmula não é enfeite. Ela distribui território.
Num sistema de clãs, cada grupo tem a sua área de pastagem, os seus poços e o seu trecho de rota. Dizer que os chefes saídos de Elifaz estão na terra de Edom é registrar onde eles se assentaram — informação prática, do tipo que interessa a quem precisa saber com quem falar antes de atravessar com um rebanho.
É por isso que a expressão reaparece no fecho da linha de Reuel, em Gênesis 36:17, e no fecho da lista dos horeus, em Gênesis 36:21. É uma marca de registro territorial.
Contar a descendência pela mãe
A frase final atribui todos esses chefes a Ada, e isso diz alguma coisa sobre como a casa estava organizada.
Num casamento com mais de uma mulher, a linha materna era a divisão prática do grupo doméstico. Cada mulher tinha a sua tenda, os seus filhos e o seu lugar; as rivalidades corriam por essa fronteira, e a herança também. O Gênesis mostra o arranjo funcionando em várias casas — a de Abraão com Sara e Agar, a de Jacó com Lia, Raquel e as duas servas.
Na casa de Esaú, o mesmo desenho. Os chefes de Edom são apresentados em três blocos, um por mulher, e cada bloco fecha com o nome dela.
3. Análise Teológica do Versículo
"o chefe Corá"
Aqui está o problema deste versículo, e ele é conhecido de longa data.
Corá aparece nesta lista como um dos chefes saídos de Elifaz. Mas Gênesis 36:14 já o havia apresentado como filho de Oolibama, e Gênesis 36:18 vai apresentá-lo outra vez assim, dois versículos adiante. Oolibama é outra mulher de Esaú, e a linha dela é outra. O mesmo nome não pode estar nas duas colunas por descendência.
A observação não é moderna. Barnes (Albert Barnes, comentarista norte-americano do século XIX) trata o caso como escorregão de pena. Keil e Delitzsch (dupla de hebraístas alemães do século XIX) escrevem que o nome foi provavelmente copiado por engano de Gênesis 36:18 e deveria ser apagado. O Pulpit Commentary ("Comentário do Púlpito", obra coletiva inglesa do século XIX) fala em erro de copista.
E há prova material do lado deles. O Pentateuco Samaritano não traz o nome aqui. Mais decisivo ainda: a cópia desta genealogia em 1 Crônicas 1:36, ao listar os filhos de Elifaz, não inclui Corá — embora 1 Crônicas 1:35 traga um Corá entre os filhos de Esaú. Se o nome pertencesse à linha de Elifaz, o texto de Crônicas seria o lugar de esperá-lo, e ele não está lá.
Do outro lado, a Septuaginta e o Targum de Ônquelos trazem o nome. Ou seja: a leitura é antiga, e não é invenção recente.
As explicações propostas
Três saídas circulam, e nenhuma fecha a questão.
A primeira é o erro de cópia, defendida pela maioria dos comentaristas citados. A repetição maciça da palavra "chefe" nesta parte do capítulo cria exatamente o ambiente em que o olho do copista escorrega de uma linha para outra parecida.
A segunda é a de que houve dois Corás na família — um filho de Elifaz e outro filho de Oolibama. Nomes repetidos dentro de um mesmo clã eram comuns, e o capítulo já traz outros pares de nomes semelhantes. A objeção é que o texto não avisa, e um leitor não teria como distinguir.
A terceira é a de que este Corá não é pessoa, e sim um grupo. Um clã chamado Corá poderia ter-se ligado à confederação de Elifaz por aliança ou por absorção, e a lista registraria isso do modo como se registrava tudo naquele mundo: como parentesco. É plausível, e é indemonstrável.
Não é possível decidir. E vale marcar o que a dificuldade não é: ela não afeta nada do que o capítulo comunica. Sete chefes ou seis, a linha de Elifaz continua sendo a maior e a mais antiga.
"o chefe Gatã e o chefe Amaleque"
Dois nomes de peso muito desigual.
Gatã não aparece em nenhum outro lugar da Bíblia além desta lista e da cópia dela em 1 Crônicas 1. Não se conhece região com esse nome, não se sabe o que ele significa, e o texto não conta nada sobre o homem.
Amaleque é o extremo oposto. Dele sairá o povo que ataca Israel logo depois da saída do Egito, que reaparece nos livros dos Juízes e de Samuel e que se tornará, na memória bíblica, a imagem do inimigo permanente. Gênesis 36:12 conta de quem ele nasceu, e é lá que a história pertence.
O que cabe registrar aqui é o efeito da vizinhança. A lista põe lado a lado um nome que a história esqueceu por completo e um nome que a história não conseguiu esquecer, e os trata exatamente do mesmo jeito. Quem escreveu não sabia — ou não estava interessado em marcar — qual dos dois pesaria.
"Estes são os chefes descendentes de Elifaz na terra de Edom"
A fórmula fecha o bloco e acrescenta a localização.
Repare que ela não diz que cada chefe tinha o seu território dentro de Edom, nem descreve fronteiras. Diz apenas que é ali que essa gente está. É registro de assentamento, e o mínimo que se pode extrair dele é que, no tempo suposto pelo texto, a instalação já estava consolidada.
Há um detalhe cronológico que costuma escapar. Chamar a região de "terra de Edom" pressupõe que o nome já se aplicava ao território, e não apenas ao homem. Isso é coerente com um registro feito depois — o capítulo olha para trás, a partir de um momento em que Edom era um lugar no mapa.
"são os filhos de Ada"
A frase final devolve a lista à casa de onde ela saiu.
Ada é a mãe de Elifaz, não desses chefes. Chamá-los de filhos dela é usar a palavra no sentido largo do hebraico, que cobre descendentes de qualquer grau. Ninguém, no mundo do texto, entenderia outra coisa.
O que a fórmula faz é organizar. O capítulo apresenta os chefes de Edom em três blocos, um por mulher de Esaú, e assina cada bloco com o nome dela. É a estrutura que sustenta os versículos seguintes: o de Reuel fechará com Basemate, e o de Oolibama com ela mesma.
Vale notar uma consequência discreta disso. Numa lista dedicada inteiramente a homens com título, quem dá nome às divisões são três mulheres.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
Corá
Um nome, e ao menos três pessoas diferentes na Bíblia.
Este é o Corá edomita, apresentado neste capítulo ora na linha de Elifaz, ora na de Oolibama. Não se conta nada sobre ele, e a própria posição dele na genealogia é disputada.
Não confundir com o Corá de Números 16, que é levita, encabeça a revolta contra Moisés e Arão e é tragado pela terra. Esse outro Corá pertence à tribo de Levi, e os "filhos de Corá" que aparecem nos títulos de vários salmos descendem dele. As duas famílias não têm relação nenhuma entre si além do nome.
Há ainda um Corá na descendência de Calebe, em 1 Crônicas 2:43. O nome era corrente, o que é justamente um dos argumentos usados por quem defende que houve dois Corás edomitas.
Gatã
Filho de Elifaz em Gênesis 36:11 e chefe aqui. Fora deste capítulo e de 1 Crônicas 1:36, o nome não aparece.
Não se conhece lugar, povo ou episódio ligado a ele. Propostas de origem para o nome existem, mas são conjeturas sem apoio, e o mais honesto é dizer que não se sabe.
Amaleque
O único nome desta lista cuja descendência ocupa lugar próprio na história bíblica.
Os amalequitas aparecem como povo do deserto do sul, entre o Neguebe e a península do Sinai, e o conflito com Israel começa em Êxodo 17. A origem dele e o peso disso são assunto de Gênesis 36:12.
Vale apenas registrar aqui um dado que o próprio Gênesis cria e não resolve: em Gênesis 14:7, muito antes do nascimento deste Amaleque, o texto já fala do "campo dos amalequitas". A dificuldade é reconhecida, e as explicações propostas — nome dado de forma antecipada por quem escreveu, ou dois grupos distintos com o mesmo nome — não são verificáveis.
Ada
A primeira das mulheres de Esaú nomeadas neste capítulo, apresentada em Gênesis 36:2 como filha de Elom, o heteu.
Ela é mãe apenas de Elifaz, e é por essa linha única que se explica a extensão do bloco que este versículo encerra: sete dos quatorze chefes de Edom vêm dela.
O nome dela não coincide com o das mulheres de Esaú listadas em Gênesis 26:34 e 28:9, e essa divergência é um dos pontos mais discutidos do livro. O lugar do assunto é Gênesis 36:2, onde os nomes são apresentados.
A terra de Edom
A faixa montanhosa a sudeste do mar Morto, entre o vale do Arabá e o deserto. Território de altitude, pobre em chuva, atravessado pela rota que ligava o golfo de Ácaba ao norte.
O nome se liga à cor avermelhada, e Gênesis 36:8 trata da geografia e do apelido de Esaú. Neste versículo, a menção serve a uma função só: dizer onde os chefes estavam.
5. Pontos de Ensino
O texto bíblico tem história de transmissão
O caso do chefe Corá é um exemplo pequeno e didático de algo que costuma ser evitado no púlpito.
O texto que se lê hoje passou por milhares de mãos. Em pontos como este, as testemunhas antigas discordam entre si, e há passagens em que a leitura mais provável é a que corrige o hebraico tradicional a partir de outra fonte.
Dizer isso não abala nada. Ao contrário: mostra que a preservação foi real o bastante para que se possa reconstruir onde ela falhou. Um texto do qual só existisse uma cópia não permitiria nem levantar a questão.
Reconhecer o problema é melhor do que harmonizar à força
Diante de Corá nas duas listas, há duas atitudes.
Uma é forçar a harmonia — supor duas pessoas, ou um casamento não mencionado, ou uma adoção — e apresentar a suposição como se fosse informação. A outra é dizer o que se vê: as listas divergem, há explicações possíveis, os manuscritos não são unânimes, e não é possível decidir.
A segunda atitude custa mais e entrega menos. Também é a única que não pede ao leitor que aceite invenção como dado.
A lista trata todos igual, e a história não
Gatã e Amaleque recebem o mesmo título, na mesma frase, com a mesma palavra.
Um desapareceu sem deixar rastro. O outro deu origem a um povo que atravessa séculos de conflito. No momento em que a lista foi feita, nada distinguia os dois.
É um lembrete sóbrio sobre registros de qualquer espécie: eles fotografam posições, não destinos.
As mulheres organizam a lista
O bloco fecha com o nome de Ada, e o mesmo acontecerá com Basemate e com Oolibama.
Num capítulo de homens com título, a estrutura corre por três mulheres. Não há comentário sobre isso no texto, e não convém transformar o dado em tese. Mas ele está lá, e vale ser visto.
6. Aspectos Filosóficos
O que fazer com a falha num documento que se considera sagrado
O versículo levanta, sem querer, uma questão incômoda: um texto tido por revelado pode ter um erro de cópia?
A pergunta não é sobre este Corá em particular. É sobre o que se faz quando o dado material — manuscritos que discordam, listas paralelas que não batem — contraria a expectativa de perfeição.
Duas saídas, e o preço de cada uma
A primeira saída é negar o problema. Explica-se tudo, supõem-se dois Corás, e a lista fica lisa. O preço é que se passa a defender o texto com afirmações que o texto não faz — e a defesa vira, ela mesma, um acréscimo.
A segunda é aceitar que a transmissão é humana e falha em pontos verificáveis. O preço é abrir mão de uma ideia de perfeição que soa piedosa. O ganho é que se pode ler o texto como ele é, com as suas costuras à vista.
Onde está a diferença
A diferença entre as duas posturas não é de fé, é de objeto. Uma protege a cópia; a outra protege o que a cópia transmite.
Um nome deslocado numa lista de chefes edomitas não muda uma linha do que o capítulo diz, nem do que o livro ensina. Reconhecê-lo custa pouco e devolve credibilidade ao resto — porque quem admite o pequeno pode ser levado a sério no grande.
Onde isto não vale
Convém marcar o limite. Nada disso está no versículo. O texto lista três chefes e fecha um bloco; ele não discute a própria transmissão nem convida a pensar nela.
A questão surge de fora, de quem compara manuscritos. Atribuí-la ao Gênesis seria pôr na boca do texto o que ele não diz.
7. Aplicações Práticas
Não inventar o que falta
A aplicação prática deste versículo é escassa, e é melhor dizê-lo do que produzir lição de uma lista de três nomes.
O que ele oferece é um hábito de leitura: quando duas informações não batem, registrar que não batem. A tentação de emendar por conta própria — no texto, num relato de família, num relatório de trabalho — costuma custar mais caro do que a lacuna admitida.
Quem some e quem fica
Gatã e Amaleque estão na mesma frase, e um dos dois desapareceu.
Ninguém sabe, no momento em que age, qual dos seus atos deixará marca. A observação não gera regra de conduta, e o versículo não a puxa; serve como medida de modéstia diante de qualquer registro do presente.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
Corá era filho de Elifaz ou de Oolibama?
A pergunta não tem resposta segura.
O peso das evidências favorece a segunda opção, com o nome tendo entrado aqui por engano: o Pentateuco Samaritano não o traz neste ponto, e a lista paralela de 1 Crônicas 1:36 também não. Mas a Septuaginta e o Targum de Ônquelos o trazem, o que mostra que a leitura é antiga. Não é possível decidir.
Se há erro de cópia aqui, o que isso significa para o resto do texto?
Significa que a transmissão é humana e verificável, e não muito mais do que isso.
Erros desse tipo se concentram justamente onde este está: listas longas, repetitivas, de nomes próprios sem contexto. São o material mais difícil de copiar e o de menor consequência quando falha.
Por que a lista se fecha com o nome da mãe, e não do pai?
Porque a divisão prática da casa corria pela linha materna, e porque o capítulo escolheu essa estrutura para organizar os chefes em três blocos.
O texto não explica a escolha. A leitura acima é inferência a partir do funcionamento do arranjo doméstico da época.
Havia mesmo quatorze chefes em Edom, ao mesmo tempo?
O texto não afirma isso.
Ele lista quatorze — treze, se Corá for retirado — sem dizer se governavam juntos, se se sucederam ou se a lista soma gerações. A pergunta permanece em aberto.
O silêncio sobre Gatã quer dizer alguma coisa?
Provavelmente não. Quer dizer apenas que nada chegou.
Extrair sentido do silêncio de um texto é um dos caminhos mais rápidos para a invenção. O que se sabe sobre Gatã é o nome dele e a posição na lista.
9. Conexão com Outros Textos
Corá nas duas colunas do mesmo capítulo
Gênesis 36:14 — "…ela deu à luz para Esaú Jeús, Jalão e Corá."
Gênesis 36:18 — "E estes são os filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o chefe Jeús, o chefe Jalão, o chefe Corá."
Os dois versículos que criam a dificuldade. O mesmo nome, na mesma casa, em outra linha materna.
A lista paralela
1 Crônicas 1:36 — "Os filhos de Elifaz: Temã, Omar, Zefi, Gatã, Quenaz, Timna e Amaleque."
Sem Corá — o que é forte argumento de que o nome não pertence a esta linha.
1 Crônicas 1:35 — "Os filhos de Esaú: Elifaz, Reuel, Jeús, Jalão e Corá."
Aqui Corá aparece um degrau acima, como filho direto de Esaú, e não de Oolibama. As listas variam também nesse ponto.
O outro Corá
Números 16:1-2 — "Corá, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão e levantaram-se contra Moisés."
Levita, de outra tribo e de outra história. A coincidência é só de nome.
Salmo 42, título — "Ao mestre de canto. Instrução dos filhos de Corá."
Onze salmos trazem essa atribuição, e todos remetem à família levita, não à edomita.
Amaleque antes de Amaleque
Gênesis 14:7 — "Voltaram e vieram a En-Mispate, que é Cades, e feriram toda a região dos amalequitas."
A menção que antecede em muito o nascimento do homem desta lista. A dificuldade é reconhecida e discutida.
Êxodo 17:8 — "Então veio Amaleque e lutou contra Israel em Refidim."
O primeiro combate, e o começo de uma inimizade que atravessará séculos.
A fórmula de fecho no restante do capítulo
Gênesis 36:17 — "Estes são os chefes descendentes de Reuel na terra de Edom; são os filhos de Basemate, mulher de Esaú."
Gênesis 36:21 — "Estes são os chefes dos horeus, filhos de Seir, na terra de Edom."
A mesma construção, repetida a cada bloco. É a costura que dá forma ao capítulo.
10. Original Hebraico e Análise
Texto em português
o chefe Corá, o chefe Gatã e o chefe Amaleque. Estes são os chefes descendentes de Elifaz na terra de Edom; são os filhos de Ada.
Texto hebraico
אַלּוּף־קֹרַח אַלּוּף גַּעְתָּם אַלּוּף עֲמָלֵק אֵלֶּה אַלּוּפֵי אֱלִיפַז בְּאֶרֶץ אֱדוֹם אֵלֶּה בְּנֵי עָדָה
Transliteração
'alluf-Qorach, 'alluf Ga'tam, 'alluf 'Amaleq; 'elleh 'allufei 'Elifaz be'eretz 'Edom, 'elleh benei 'Adah.
Análise palavra por palavra
קֹרַח — Qorach, "Corá".
O nome se liga a uma raiz que significa "ficar calvo, raspar a cabeça". Dela vem também a palavra para a calva e, por outro caminho, para o gelo e o granizo — a superfície lisa, sem cobertura, é a imagem comum.
Se o sentido se aplica ao homem, seria um apelido de aparência, o que era corrente. Mas é preciso cautela: a maior parte dos nomes desta genealogia não tem origem estabelecida, e para vários deles a proposta corrente é apenas a palavra hebraica que mais se parece com o nome.
Há um detalhe da escrita que vale registrar. Neste versículo, ao contrário de todos os outros da lista, o título e o nome vêm unidos por um traço — o sinal que o hebraico usa para ligar palavras num único grupo de acento. É diferença de leitura, não de sentido, e não sustenta nenhuma conclusão sobre o problema da posição do nome.
גַּעְתָּם — Ga'tam, "Gatã".
Origem desconhecida. Não há raiz hebraica que explique a forma de modo convincente, e as propostas que circulam nos dicionários mais antigos são reconhecidamente conjeturais.
É um bom exemplo de honestidade lexical: quando o material não permite, o correto é dizer que não se sabe, e não escolher a etimologia mais edificante.
עֲמָלֵק — 'Amaleq, "Amaleque".
Também de origem incerta, apesar da fama do nome. As tentativas de explicá-lo pelo hebraico não convencem, e é provável que venha de fora da língua — o que seria coerente com um povo do sul, fora do círculo de fala israelita.
O peso do nome não está na origem, e sim na história que ele carrega, e ela pertence a Gênesis 36:12.
אֵלֶּה אַלּוּפֵי אֱלִיפַז — 'elleh 'allufei 'Elifaz, "estes são os chefes de Elifaz".
A construção é de posse: literalmente "os chefes de Elifaz", e não "os chefes descendentes de Elifaz". O hebraico não precisa da palavra "descendentes"; a relação de origem vem embutida na ligação entre os dois substantivos.
As traduções acrescentam o termo para evitar mal-entendido, já que "os chefes de Elifaz" poderia soar, em português, como chefes que serviam a ele.
בְּאֶרֶץ אֱדוֹם — be'eretz 'Edom, "na terra de Edom".
A palavra 'eretz cobre desde "chão" até "país", e o sentido depende do contexto. Aqui é território definido: o país onde essa gente está.
Vale notar que a mesma fórmula aparecerá, no fecho da lista dos horeus, em Gênesis 36:21, e que em Gênesis 36:30 o texto trocará "terra de Edom" por "terra de Seir". A alternância entre os dois nomes atravessa o capítulo.
בְּנֵי עָדָה — benei 'Adah, "filhos de Ada".
A palavra para "filhos" está aqui no uso largo, que abrange netos e bisnetos. Nenhum dos homens listados é filho direto de Ada; todos descendem dela por Elifaz.
O nome 'Adah costuma ser ligado a uma raiz de "adornar, enfeitar", e o sentido proposto é algo como "ornamento". A ligação é plausível e não é segura. Curiosamente, o mesmo nome já aparecera no Gênesis, na primeira mulher de Lameque, em Gênesis 4:19 — sem relação nenhuma com esta.
11. Conclusão
O versículo encerra o maior dos três blocos de chefes, e disso se tiram algumas conclusões.
A primeira é sobre a estrutura do capítulo. Cada bloco termina do mesmo jeito: os chefes, o território e o nome da mulher de Esaú de quem descendem. É a costura que sustenta a lista inteira e que permite lê-la como documento organizado, e não como acúmulo de nomes.
A segunda é sobre o chefe Corá. O mesmo nome ocupa, no mesmo capítulo, dois lugares que se excluem, e as testemunhas antigas do texto não são unânimes: o Pentateuco Samaritano e a lista paralela de 1 Crônicas 1:36 não o trazem aqui; a Septuaginta e o Targum de Ônquelos, sim. Disso decorre que a leitura mais provável é a de um deslize de cópia, sem que se possa afirmá-lo com segurança — e que reconhecer isso não custa nada ao que o capítulo comunica.
A terceira é sobre o modo de tratar dificuldades assim. Forçar a harmonia exige supor o que o texto não diz; admitir a divergência exige apenas dizer o que se vê. A segunda atitude entrega menos e inventa menos.
A quarta é sobre a desigualdade que a lista não percebe. Gatã e Amaleque recebem o mesmo título na mesma frase, e a história separou os dois de modo brutal — um sem rastro, o outro como inimigo permanente na memória de Israel. Um registro fotografa posições, e nada mais.
Fica de pé o dado discreto do fecho: num capítulo inteiro de homens com título, quem dá nome às divisões são três mulheres.













