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Gênesis 36:3

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✍️ Por Alberto Adriano·5 de setembro de 2026·⏱️ 19 min de leitura·👁 40 acessos
e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.
Caravana de camelos com cargas atravessando terreno árido de areia e rocha avermelhada, sob céu claro de fim de tarde.

Estudo


e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.

1. Introdução

A terceira mulher fecha a lista, e ela vem de outro mundo.

As duas primeiras eram de Canaã. Esta é da família — filha de Ismael, portanto prima de Esaú, neta de Abraão pelo ramo que Gênesis já havia posto de lado em Gênesis 25:12-18.

Dois pontos organizam o versículo.

O primeiro é o parentesco. Ao casar com uma ismaelita, Esaú une os dois ramos que a promessa deixou para trás. É um dado de posição, e o texto o registra sem comentar.

O segundo é a menção ao irmão. Basemate não é identificada só pelo pai: vem também "irmã de Nebaiote". Numa genealogia que economiza palavras, um dado a mais tem razão de ser, e o item 2 mostra qual era o papel do irmão nesses arranjos.

Há ainda a divergência de nomes que este versículo carrega junto com o anterior: Gênesis 28:9 chama essa mulher de Maalate. O assunto está tratado por inteiro no versículo 2.

2. Contexto Histórico e Cultural

O irmão nas negociações de casamento

Identificar uma mulher pelo irmão não é enfeite. É informação jurídica.

Nas famílias do Oriente antigo, o irmão de sangue tinha papel formal no casamento da irmã, sobretudo quando o pai já era idoso ou já havia morrido. Ele participava da negociação, dava o consentimento e ficava responsável pela honra dela depois.

Gênesis mostra isso em funcionamento. Em Gênesis 24:29-51, quando o servo de Abraão vai buscar mulher para Isaque, quem corre ao encontro dele, quem recebe os presentes e quem responde junto com o pai é Labão, irmão de Rebeca. Em Gênesis 24:55, são "o irmão e a mãe" que pedem para a moça ficar mais dez dias — o pai já nem aparece.

E Gênesis 34 mostra o outro lado da moeda. Quando Diná é violada, quem negocia, quem exige condições e quem executa a vingança são os irmãos dela, Simeão e Levi. O pai, Jacó, reclama depois, mas não conduziu nada.

Dizer "irmã de Nebaiote", portanto, é dizer quem estava do outro lado da mesa quando o casamento foi acertado.

Quem eram os ismaelitas

Descendentes de Ismael, filho de Abraão com Agar, a serva egípcia.

Gênesis 25:13-16 dá os doze filhos de Ismael e os chama de "doze príncipes segundo as suas tribos". Gênesis 25:18 os situa "desde Havilá até Sur, que está defronte do Egito" — ou seja, na faixa desértica ao sul e a sudeste de Canaã, no norte da península arábica.

Eram gente de deserto, criadores e transportadores. Em Gênesis 37:25 aparece uma caravana de ismaelitas vinda de Gileade com especiarias, bálsamo e mirra, a caminho do Egito — e é a ela que José é vendido. O detalhe é revelador do modo de vida: comércio de longa distância pelas rotas do deserto.

A ligação com Edom é geográfica antes de ser genealógica. Os dois grupos ocupavam a mesma faixa árida, ao sul do território que Israel viria a ocupar, e o casamento deste versículo formaliza uma vizinhança que já existia.

Nebaiote e a questão dos nabateus

Nebaiote é o primogênito de Ismael, segundo Gênesis 25:13. Aparece cinco vezes na Bíblia: ali, em Gênesis 28:9, aqui, em 1 Crônicas 1:29 e em Isaías 60:7, onde os carneiros de Nebaiote são citados entre as riquezas que virão a Jerusalém.

Registros assírios do século VII a.C. mencionam um grupo árabe cujo nome soa como Nabaiati, e a identificação com este Nebaiote é considerada provável por muitos estudiosos.

Já a identificação com os nabateus — o povo que construiu Petra e dominou o comércio de incenso entre os séculos IV a.C. e II d.C. — é outra história. Ela é antiga: Flávio Josefo (historiador judeu do primeiro século) já a fazia. Mas encontra uma dificuldade linguística séria: em hebraico e nas línguas vizinhas, o nome dos nabateus traz uma consoante que não corresponde à de Nebaiote. Não é diferença de grafia; são letras distintas.

Por isso a maioria dos estudiosos hoje trata a ligação como duvidosa. Não é possível decidir, e convém não repetir a identificação como se fosse dado assentado — o que ainda acontece com frequência.

Vale a curiosidade histórica: fossem eles nabateus ou não, o território de Edom acabou ocupado justamente por esse povo, séculos depois, e Petra foi construída dentro da região que este capítulo atribui aos descendentes de Esaú.

3. Análise Teológica do Versículo

"e Basemate, filha de Ismael"

A terceira mulher quebra o padrão das duas anteriores, e a quebra é o ponto do versículo.

Ada e Oolibama vieram "dentre as filhas de Canaã", como o versículo 2 fez questão de dizer. Esta não. Esta é da parentela — bisneta de Terá, neta de Abraão, prima em primeiro grau de Esaú.

Ou seja: Esaú fez, ainda que tarde e ainda que pelo ramo errado, o que a família exigia. Casou dentro do clã.

Gênesis 28:6-9 conta como isso aconteceu, e o motivo declarado é constrangedor de tão humano. Esaú viu que Jacó tinha sido mandado buscar mulher longe justamente para não casar com cananeia; entendeu que "as filhas de Canaã eram más aos olhos de Isaque, seu pai"; e foi buscar uma prima.

Repare no que o texto informa e no que não informa. Informa que ele percebeu e que agiu. Não informa se agradou aos pais, se foi aceito, se resolveu alguma coisa. Não há uma linha de aprovação em lugar nenhum de Gênesis.

Os dois ramos preteridos se juntam

Aqui está o dado de posição, e ele é notável quando se olha o livro inteiro.

Gênesis conduz uma linha só. Isaque, não Ismael. Jacó, não Esaú. Os dois excluídos receberam cada um a sua genealogia — Ismael em Gênesis 25:12-18, Esaú neste capítulo — e cada um saiu de cena.

Este versículo casa um com o outro. O filho preterido de Isaque toma por mulher a filha do filho preterido de Abraão.

Duas leituras se oferecem, e vale separá-las com clareza.

A primeira é de história social, e é sólida: os grupos que ficaram fora da terra de Canaã ocuparam a mesma faixa desértica ao sul, e casamentos entre eles eram o que se esperaria de vizinhos aparentados. O versículo registra um fato comum.

A segunda é de leitura teológica, e é interpretação: o texto estaria mostrando os excluídos formando um mundo próprio, paralelo ao da promessa. É defensável, e vários comentaristas a fazem. Mas Gênesis não escreve nada disso — apenas registra o casamento e passa aos filhos.

Marcar essa diferença importa. Onde o texto não comenta, quem comenta é o leitor.

"irmã de Nebaiote"

Um dado a mais numa lista que não desperdiça palavras.

Nenhuma das outras duas mulheres tem irmão nomeado. Ada é filha de Elom, e ponto. Oolibama tem pai e avô, mas nenhum irmão. Só esta traz a informação.

A explicação provável é a que o item 2 desenvolve: o irmão tinha papel reconhecido no casamento da irmã, e nomeá-lo era completar o registro do lado da família dela.

Mas há um segundo efeito, e ele é de peso. Nebaiote é o primogênito de Ismael. Dizer que Basemate é irmã dele é dizer que ela vem do ramo principal daquela casa — não de um filho qualquer entre os doze.

Numa cultura em que a posição na ordem de nascimento define herança e autoridade, isso qualifica o casamento. Esaú não tomou uma prima distante; tomou a irmã do herdeiro.

E há uma ironia que o texto não comenta e que o leitor de Gênesis dificilmente deixa passar: o homem que vendeu a própria primogenitura, em Gênesis 25:33, casa-se com a irmã de um primogênito. O texto não faz a ligação. Ela é observação do comentarista, e é assim que deve ser lida.

O nome que não bate

Gênesis 28:9 chama esta mulher de Maalate. Mesmo pai, mesmo irmão nomeado, nome diferente.

É uma das três divergências entre esta lista e os relatos anteriores, e o conjunto está tratado no versículo 2, com as explicações propostas e a força de cada uma.

Vale apenas registrar aqui o que este versículo acrescenta ao problema: a coincidência de pai e de irmão torna difícil supor que sejam duas mulheres diferentes. Se fossem, Esaú teria casado com duas filhas de Ismael, ambas irmãs de Nebaiote — o que é possível, mas o texto em nenhum lugar diz.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Basemate

Terceira mulher da lista, filha de Ismael. Mãe de Reuel, segundo o versículo 4, e por ele avó de quatro netos, nomeados no versículo 13.

É a única das três mulheres de Esaú que não vem de Canaã, e a única cujo casamento Gênesis explica — em Gênesis 28:6-9, como reação de Esaú ao que os pais pensavam das outras.

Nada mais se sabe dela. Não há episódio, não há fala, não há data.

Ismael

Filho de Abraão com Agar, a serva egípcia de Sara. Nasceu quando Abraão tinha oitenta e seis anos, em Gênesis 16:16, e foi por catorze anos o único filho do patriarca.

A história dele é de promessa e de exclusão ao mesmo tempo. Gênesis 17:20 registra que Deus o abençoaria e o faria crescer "em grandíssima maneira", com doze príncipes por descendentes — mas que a aliança seguiria com Isaque. Gênesis 21:8-21 conta a expulsão dele e da mãe, e o socorro no deserto de Berseba.

Duas notas fecham a vida dele. Gênesis 25:9 diz que ele e Isaque, juntos, sepultaram Abraão — os dois irmãos separados, lado a lado no enterro do pai, exatamente como Esaú e Jacó fariam em Gênesis 35:29. E Gênesis 25:17 registra a morte dele aos cento e trinta e sete anos.

Nebaiote

Primogênito de Ismael, portanto tio das crianças que nasceriam deste casamento.

Aparece em Gênesis 25:13, em Gênesis 28:9, aqui, em 1 Crônicas 1:29 e em Isaías 60:7, onde é mencionado ao lado de Quedar, outro filho de Ismael, entre os povos cujos rebanhos servirão ao santuário.

A discussão sobre se o nome está por trás dos nabateus de Petra está no item 2.

O ramo de Ismael

Doze filhos, listados em Gênesis 25:13-15: Nebaiote, Quedar, Adbeel, Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.

O que aconteceu antes deste casamento

A ordem dos fatos em Gênesis é clara e vale recompor.

Esaú casou-se com as duas mulheres de Canaã aos quarenta anos, em Gênesis 26:34. Depois veio o episódio da bênção tomada por Jacó, em Gênesis 27. Depois Isaque mandou Jacó a Padã-Arã, com a instrução expressa de não tomar mulher cananeia, em Gênesis 28:1-2.

É só então, vendo tudo isso, que Esaú procura Ismael. O casamento deste versículo é o último ato dessa sequência — e é reação a ela.

5. Pontos de Ensino

Um registro identifica pelo lado de quem responde

A menção a Nebaiote não é curiosidade de família. É a informação de quem tinha autoridade sobre o casamento da mulher registrada.

Numa lista que dá às outras duas mulheres apenas o pai, o irmão só entra porque cumpria função reconhecida. Gênesis 24 e Gênesis 34 mostram essa função em ação, nos dois extremos: a negociação amistosa e a vingança.

Fica um princípio de leitura: dado extra em texto econômico costuma ter razão prática, não decorativa.

Corrigir tarde é diferente de não corrigir

Esaú percebeu o que os pais achavam de suas escolhas e mudou de rumo, em Gênesis 28:6-9. O texto registra a percepção e a mudança.

O que ele não registra é aprovação. Não há em Gênesis uma linha dizendo que Isaque ficou satisfeito, que Rebeca se acalmou, que o problema se resolveu.

É honesto notar as duas coisas ao mesmo tempo. Houve mudança; não há registro de reconciliação. O texto deixa o leitor com essa combinação, sem resolvê-la.

Vizinhança e parentesco costumam andar juntos

Edom e Ismael ocupavam a mesma faixa de deserto ao sul de Canaã. O casamento deste versículo é o que se esperaria de dois grupos aparentados vivendo lado a lado.

Genealogias antigas registram muito disso: alianças por casamento entre grupos vizinhos, que depois viram parentesco declarado nas listas.

A observação serve de cautela na leitura. Nem toda linha de descendência numa lista antiga é biologia; parte dela é história de alianças.

6. Aspectos Filosóficos

O que se forma com quem foi deixado de fora

O versículo levanta uma questão sem enunciá-la: os dois ramos que a promessa não seguiu acabam se casando entre si.

É um fenômeno reconhecível. Quem é posto de lado por um grupo tende a se aproximar de quem foi posto de lado pelo mesmo grupo — não por afinidade positiva, mas porque a exclusão é o que os dois têm em comum e porque, na prática, restam próximos no mesmo espaço.

Vale notar o que resulta disso. Ismael e Esaú não formam uma oposição a Israel neste ponto do texto; formam um mundo paralelo, com suas próprias listas, seus próprios chefes e, no caso de Edom, seus próprios reis. A exclusão de uma história não produziu ausência de história — produziu outra.

Há uma pergunta mais difícil por baixo, e ela não tem resposta no texto. Uma identidade construída a partir do que se foi negado se sustenta sozinha? Edom e Ismael, nas listas de Gênesis, existem por si: têm territórios, chefes, atividade econômica. Mas o livro só os menciona em relação à linha que seguiu — e o leitor não tem como saber como eles próprios contavam a própria origem, porque essas listas não chegaram.

Onde marcar o limite: nada disso está afirmado no versículo. Ele registra um casamento entre primos, com nome, pai e irmão, e segue. Ver ali um mundo de excluídos que se organiza é leitura do comentarista, e é preciso dizê-lo — sobretudo porque a leitura contrária, a de que se trata apenas de vizinhos aparentados fazendo o que vizinhos aparentados faziam, explica o mesmo fato com menos suposições.

7. Aplicações Práticas

Mudar de rumo sem esperar reconhecimento

Esaú entendeu tarde o que a família queria dele e agiu. Gênesis registra o gesto e não registra nenhuma reação a ele.

A situação é reconhecível fora do texto. Alguém percebe, com atraso, o que causou desgosto e tenta acertar — e a correção não vem acompanhada de alívio, de agradecimento ou de conversa.

Não há moral pronta aqui, e é honesto não fabricar uma. O que o texto oferece é a constatação de que a mudança aconteceu e o silêncio que veio depois.

Saber quem responde do outro lado

O versículo identifica a mulher pelo pai e pelo irmão porque eram esses os interlocutores de um acordo.

A transposição é modesta e prática: em qualquer acerto que envolva mais de uma parte, saber quem decide de fato — e não apenas quem aparece — é metade do trabalho.

Era o que uma linha de genealogia informava a quem soubesse lê-la.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Por que só esta mulher tem o irmão nomeado?

A explicação mais provável é a função dele no casamento, tratada no item 2.

Há uma segunda, complementar: Nebaiote era o primogênito de Ismael, e nomeá-lo situava Basemate no ramo principal daquela casa. Os pais das outras duas mulheres, Elom e Aná, não tinham equivalente de prestígio a registrar.

As duas razões podem valer ao mesmo tempo, e o texto não escolhe.

Esaú casou com uma prima. Isso resolveu o problema com os pais?

O texto não diz, e o silêncio é significativo.

Gênesis 26:35 registrou expressamente a amargura de Isaque e Rebeca com as duas primeiras mulheres. Depois de Gênesis 28:9, quando vem a terceira, não há nenhuma frase equivalente — nem de alívio, nem de continuidade do desgosto.

É possível ler o silêncio como aceitação e é possível lê-lo como indiferença. Não se pode afirmar nenhuma das duas coisas.

Nebaiote é o antepassado dos nabateus de Petra?

É identificação antiga, sustentada já por Flávio Josefo, e continua repetida em livros de divulgação.

A dificuldade é de língua: o nome dos nabateus traz uma consoante diferente da que aparece em Nebaiote, e a diferença não é de grafia. Por isso a maioria dos estudiosos hoje considera a ligação duvidosa.

Mais firme é a aproximação com o grupo árabe que os registros assírios chamam de Nabaiati. Também essa é provável, não certa.

Se Ismael foi excluído da aliança, por que casar com uma filha dele era melhor do que casar com cananeia?

Porque as duas exclusões são de tipos diferentes, e Gênesis as trata de modo diferente.

Ismael está fora da aliança, mas dentro da família: é filho de Abraão, foi circuncidado em Gênesis 17:23, recebeu promessa de descendência numerosa em Gênesis 17:20. As filhas de Canaã estão fora dos dois círculos.

A regra que Abraão impôs ao servo, em Gênesis 24:4, era de parentela — ir à terra e à casa dele. Por esse critério, uma filha de Ismael cumpre a exigência.

9. Conexão com Outros Textos

O relato deste casamento

Mesmo pai, mesmo irmão, outro nome. A única passagem em que Gênesis explica o motivo de um casamento de Esaú.

Ismael e os seus

Gênesis 17:20 — "E quanto a Ismael, eu te ouvi: eis que o tenho abençoado, e o farei frutificar, e muito o multiplicarei; doze príncipes gerará, e dele farei uma grande nação."

A promessa que faz de Ismael um excluído da aliança e não um excluído da bênção.

Gênesis 25:13 — "Estes são os nomes dos filhos de Ismael pelos seus nomes, segundo as suas gerações: o primogênito de Ismael foi Nebaiote."

A posição de Nebaiote, que qualifica a mulher deste versículo.

Gênesis 25:18 — "Habitaram desde Havilá até Sur, que está defronte do Egito, como quem vai para a Assíria."

Onde ficava o povo com que Esaú se aparentou.

Isaías 60:7 — "Todo o rebanho de Quedar se congregará junto a ti; os carneiros de Nebaiote te servirão."

A última menção bíblica a Nebaiote, séculos depois, tratando o nome como o de um povo de criadores.

O papel do irmão no casamento

Gênesis 24:50 — "Então responderam Labão e Betuel: Do SENHOR procede este negócio; não podemos falar-te mal nem bem."

O irmão respondendo junto com o pai — a estrutura que a menção a Nebaiote pressupõe.

Gênesis 34:13-14 — "Então responderam os filhos de Jacó a Siquém e a Hamor, seu pai, com engano... e disseram-lhes: Não podemos fazer isso, dar a nossa irmã a um homem não circuncidado."

Os irmãos negociando o casamento da irmã, e decidindo por ela.

Os dois ramos postos de lado

A genealogia que despachou Ismael, sete versículos, no mesmo formato que este capítulo usa com Esaú.

Gênesis 25:9 — "E Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na caverna de Macpela."

Os dois irmãos separados, juntos no enterro do pai — a cena que Esaú e Jacó repetiriam em Gênesis 35:29.

Ismaelitas na história posterior

Gênesis 37:25 — "Levantaram os olhos e olharam, e eis que uma companhia de ismaelitas vinha de Gileade, e os seus camelos traziam especiarias, bálsamo e mirra."

O modo de vida daquele povo, num detalhe que a narrativa dá de passagem.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

e Basemate, filha de Ismael, irmã de Nebaiote.

Texto hebraico

וְאֶת־בָּשְׂמַת בַּת־יִשְׁמָעֵאל אֲחוֹת נְבָיוֹת׃

Transliteração

we'et-Basemat bat-Yishma'el achot Nevayot.

Análise palavra por palavra

וְאֶת־ — we'et, "e a". A conjunção "e" seguida da partícula que marca o objeto direto.

Essa partícula não se traduz; ela apenas sinaliza, no hebraico, que a palavra seguinte é objeto do verbo. Aqui o verbo está lá atrás, no versículo 2 — "tomou". O versículo 3 é a continuação gramatical do anterior, e não uma frase nova.

Vale notar a consequência: em hebraico, os versículos 2 e 3 são uma sentença só. A divisão em versículos é medieval, e neste caso ela corta a frase no meio.

בָּשְׂמַת — Basemat, "Basemate".

Formado sobre bosem, palavra que designa o bálsamo e, por extensão, qualquer substância aromática. O mesmo termo aparece em Êxodo 30:23, na receita do óleo santo, e no Cântico dos Cânticos 5:1, onde é traduzido por especiaria ou perfume.

O sentido do nome é, portanto, algo como "perfumada", "fragrância". A derivação é aceita pela maioria dos léxicos.

Este é o nome que Gênesis 26:34 atribui à filha de Elom, o heteu, e que aqui pertence à filha de Ismael. A dificuldade está tratada no versículo 2.

בַּת־יִשְׁמָעֵאל — bat-Yishma'el, "filha de Ismael".

O nome Ismael é composto de duas partes: o verbo shama', ouvir, e El, Deus. Literalmente, "Deus ouve" ou "que Deus ouça".

Gênesis explica esse nome no momento em que ele é dado. Em Gênesis 16:11, o anjo diz a Agar: "chamarás o seu nome Ismael, porque o SENHOR ouviu a tua aflição". É um dos casos em que o texto declara a razão do nome, ao contrário do que fez com Esaú.

A forma é a mesma de dezenas de nomes hebraicos que trazem El no fim — Samuel, Daniel, Ezequiel, Israel.

אֲחוֹת — achot, "irmã". Forma feminina de ach, irmão, aqui na construção que a liga ao nome seguinte.

A palavra tem alcance mais largo em hebraico do que em português. Pode designar a irmã de sangue, mas também a parenta próxima e, em alguns contextos, a mulher amada — como em Cântico dos Cânticos 4:9, "minha irmã, minha esposa".

Aqui o sentido é o estrito: filhos do mesmo pai, Ismael.

נְבָיוֹת — Nevayot, "Nebaiote".

A origem do nome é discutida. Foi proposta ligação com a raiz que dá navah, morada, pastagem, e também com uma palavra que designa altura. Nenhuma das propostas se impõe, e os léxicos registram a incerteza.

A terminação em -ot tem forma de plural feminino, o que é comum em nomes de lugar e de grupo no hebraico bíblico — sinal de que o nome pode ter designado uma coletividade antes de designar uma pessoa, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Sobre a identificação com o grupo árabe dos registros assírios e com os nabateus de Petra, ver o item 2.

11. Conclusão

O versículo é uma linha, e dela decorrem três coisas.

A primeira é que Esaú, ao fim, cumpriu em parte a regra da casa. As duas primeiras mulheres vieram de Canaã; esta veio da parentela de Abraão. A correção existe, está registrada em Gênesis 28:6-9 com o motivo declarado, e Gênesis não a acompanha de nenhuma palavra de aprovação. Disso decorre que o livro registra o gesto sem lhe atribuir efeito.

A segunda vem da menção a Nebaiote. Ela não é enfeite: identifica quem respondia pela mulher no acordo e, ao mesmo tempo, situa Basemate no ramo principal da casa de Ismael. Conclui-se que a lista foi montada por quem sabia o que cada dado valia — e que dado extra, num texto assim, tem função.

A terceira é sobre a posição do casamento no conjunto do livro. Os dois ramos que Gênesis pôs de lado, o de Ismael e o de Esaú, unem-se aqui. O fato é claro; o significado, não. Explicá-lo por vizinhança e parentesco basta, e é a explicação mais econômica. Ver nele o desenho de um mundo paralelo ao da promessa é leitura possível, que o texto não confirma nem exclui.

Fica em aberto se Basemate e a Maalate de Gênesis 28:9 são a mesma pessoa. A coincidência de pai e de irmão torna difícil supor que não sejam — e, se são, o problema dos nomes discrepantes fica exatamente onde o versículo 2 o deixou: sem solução que se imponha.

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