📖 Navegar na Bíblia:
‹

Gênesis 46:20

›
✍️ Por Alberto Adriano·7 de setembro de 2026·⏱️ 18 min de leitura·👁 45 acessos
E a José nasceram na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
Dois meninos ao lado de uma mulher em traje egípcio, diante de colunas de templo, sob luz de fim de tarde

Estudo


E a José nasceram na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.

1. Introdução

Este é o único versículo da lista inteira que registra um nascimento fora de Canaã.

Todos os outros nomes, do versículo 9 ao 25, pertencem a gente nascida em Padã-Arã ou em Canaã. Manassés e Efraim nasceram no Egito, de mãe egípcia, e estão contados entre “os filhos de Israel que entraram no Egito” (Gênesis 46:8). Entraram no sentido de que já estavam.

O versículo levanta três pontos. O primeiro é esse: a lista abre uma exceção e não a assinala como exceção. O segundo é Azenate — a única mulher chamada pelo nome dentro da lista que não é uma das quatro mães de Jacó, e ela é filha de um sacerdote egípcio. O terceiro é a ordem em que os dois meninos são citados, Manassés antes de Efraim, que é a ordem de nascimento e não será a ordem que a história de Israel vai guardar.

Quem são Azenate, Potífera e Om já foi tratado por inteiro no estudo de Gênesis 41:45. Aqui interessa o que a presença deles faz dentro de um documento de linhagem.

2. Contexto Histórico e Cultural

Numa casa do Antigo Oriente, a linha se contava pelo pai. A mãe determinava muita coisa — status dentro da casa, aliança política, herança em alguns arranjos —, mas quem definia a que clã a criança pertencia era o homem. É por isso que Manassés e Efraim entram numa lista de descendentes de Jacó sem que o texto precise argumentar nada: são filhos de José, e pronto.

Vale registrar que a lei israelita posterior não trataria o Egito como trata Canaã. Deuteronômio 23:7-8 separa os dois casos com todas as letras: “não abominarás o egípcio, porque foste peregrino na sua terra”, e permite que a terceira geração de egípcios entre na assembleia. Já as proibições de casamento que o Gênesis registra na boca dos patriarcas miram sempre as filhas de Canaã (Gênesis 24:3; 28:1), nunca as do Egito.

Isso não significa que o Gênesis aprove ou reprove o casamento de José. Significa que a categoria em que a tradição posterior colocaria Azenate não é a categoria mais dura. É um dado de fundo, não uma tese: o texto deste versículo não emite juízo nenhum.

Sobre Potífera, o ofício sacerdotal em Om e o que era aquela cidade, o material está no estudo de Gênesis 41:45.

3. Análise Teológica do Versículo

“E a José nasceram na terra do Egito”

A lista muda de país no meio de uma frase e não avisa.

Do versículo 9 ao 25, todos os nomes são de gente nascida em Padã-Arã ou em Canaã — o versículo 15 chega a dizer isso de Lia, e o 26 dirá que se trata de quem “veio com Jacó ao Egito”. Aqui, dois nomes nascidos no Egito são acrescentados à mesma soma, com a mesma fórmula, sem ressalva.

É a segunda vez que a categoria da lista se mostra mais larga do que o cabeçalho do versículo 8. A primeira foi o versículo 12, que conta Er e Onã entre os que entraram no Egito e informa, na mesma linha, que os dois morreram em Canaã. Lá, contados dois que não chegaram; aqui, contados dois que já estavam e nunca fizeram a viagem. O ponto vale ser guardado, porque é ele que sustenta o desencontro de números dos versículos 26 e 27 — e é lá que o assunto é tratado.

Há um detalhe de escrita que reforça o ponto: o verbo é passivo. O hebraico diz, literalmente, “foi nascido a José”, e não “José gerou” (item 10). A lista não descreve um ato de José; descreve um resultado que o cadastro incorpora.

“Manassés e Efraim”

Esta é a ordem de nascimento, e é a ordem que Gênesis 41:51-52 registrou. Manassés é o mais velho.

Não será a ordem que ficará. Em Gênesis 48:14 Jacó cruza as mãos de propósito e põe a direita sobre Efraim, o mais novo, e em Gênesis 48:20 declara que o menor será maior. Daí em diante, na maior parte das listas de tribos e em quase todo o material profético, Efraim vem primeiro — e o nome dele acabará servindo para designar o reino do norte inteiro.

Aqui, nada disso aconteceu ainda. A lista registra a ordem simples dos fatos. O interesse está exatamente nisso: existe um documento da casa de Jacó que preserva a ordem anterior à inversão, e ele não foi corrigido depois. O Gênesis não comenta a diferença. É uma leitura possível — não demonstrável — que a manutenção da ordem antiga seja sinal de que esta lista vem de material anterior ao episódio de Gênesis 48; mas o texto não permite decidir.

Há ainda o que os nomes trazem. José tinha nome egípcio na corte (Gênesis 41:45), mulher egípcia, sogro sacerdote egípcio e cargo egípcio. Aos dois filhos ele deu nomes hebraicos, e nomes que dizem exatamente o que ele estava vivendo: um fala de esquecer o sofrimento e a casa do pai, o outro de ter frutificado na terra da aflição (Gênesis 41:51-52). Quer dizer: no ponto em que ele mais podia ter apagado a origem, foi ali que a inscreveu. O texto não elogia nem critica — apenas deixou os dois nomes registrados, e a lista os recolhe.

“que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om”

Azenate é a única mulher chamada pelo nome dentro da lista dos versículos 8 a 25 que não é uma das quatro mães de Jacó.

Vale medir bem essa afirmação. Sera, no versículo 17, é nomeada, mas como filha, não como mãe. A mãe de Saul, no versículo 10, é identificada — “filho da cananeia” — e não é nomeada. Azenate é identificada, nomeada, e ainda vem com o pai, o ofício do pai e a cidade do pai. Numa lista que corta tudo o que pode cortar, esse é o registro mais completo de uma pessoa em vinte versículos.

O Gênesis não diz por que gastou tanta linha com ela. Duas explicações costumam ser oferecidas, e nenhuma é conclusiva. Uma é jurídica: como os dois meninos entram numa herança israelita vindos de fora, convinha deixar assentado quem era a mãe e de que casa vinha, do mesmo modo que o versículo 10 assenta a origem da mãe de Saul. A outra é que o texto simplesmente repete aqui, em resumo, o que já dissera em Gênesis 41:45, porque a lista foi montada a partir daquele material. Não é possível decidir entre as duas.

O que se pode afirmar é o resultado. As duas tribos que formarão o maior bloco do reino do norte descendem, por parte de mãe, da família de um sacerdote egípcio — e o Gênesis registra isso sem uma palavra de defesa, de desculpa ou de censura. O mesmo silêncio ele guarda a respeito da mulher cananeia do versículo 10 e do casamento de Judá em Gênesis 38:2. O livro mostra a casa de Jacó como ela é, e não a apresenta como modelo.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Manassés. Primeiro filho de José, nascido no Egito antes dos anos de fome (Gênesis 41:50). O nome foi explicado por José em Gênesis 41:51 pela ideia de fazer esquecer. Dele virá a tribo de Manassés, a única que receberá território dos dois lados do Jordão (Números 32:33; Josué 17). Em Números 26:29-34 a linha dele aparece encabeçada por Maquir, e é ali que entram as filhas de Zelofeade, o caso que muda a lei da herança em Israel (Números 27:1-11).

Efraim. Segundo filho de José. O nome foi ligado por José, em Gênesis 41:52, à ideia de frutificar. Jacó o colocará à frente do irmão mais velho em Gênesis 48. A tribo ocupará o centro montanhoso do país, abrigará o santuário de Siló (Josué 18:1) e dará a Israel Josué, filho de Num (Números 13:8). Depois da divisão do reino, “Efraim” passa a nomear o reino do norte inteiro em Isaías, Oseias e Jeremias.

Azenate. Mulher egípcia, filha do sacerdote Potífera. Foi dada a José por Faraó no mesmo ato em que ele recebeu o cargo e o nome egípcio (Gênesis 41:45). O Gênesis não conta nada dela além disso: nenhuma fala, nenhuma cena, nenhuma notícia de morte. Ela aparece três vezes no livro (Gênesis 41:45, 41:50 e aqui) e sempre como filha do pai e mãe dos filhos.

Potífera, sacerdote de Om. Sogro de José. Quem ele era, o que significava ser sacerdote em Om e o que era aquela cidade estão desenvolvidos no estudo de Gênesis 41:45. Registre-se apenas, para não confundir, que ele não é o mesmo Potifar da casa em que José foi escravo (Gênesis 39:1), embora os dois nomes se pareçam em português.

José. No momento desta lista, é o administrador do Egito. Está no país há mais de vinte anos, tem casa, mulher, dois filhos crescidos e um nome egípcio. É o único da lista que aparece dos dois lados dela: como filho de Raquel, no versículo 19, e como pai, aqui.

5. Pontos de Ensino

Um documento pode ser mais largo do que o seu próprio título. O cabeçalho fala de quem entrou no Egito; a lista inclui dois que nasceram lá. Não é contradição a ser escondida nem descuido a ser corrigido: é o sinal de que a lista conta uma casa, não uma viagem. Ler bem exige aceitar isso antes de tentar fechar as somas.

O Gênesis registra o que a pregação posterior costuma suavizar. Duas tribos de Israel nascem de mãe egípcia, filha de sacerdote de um culto que não é o de Deus. O texto não explica, não pede licença e não condena. Quem quiser encontrar aqui uma regra sobre casamento — a favor ou contra — vai ter de trazê-la de fora.

Nomes são declarações. José estava em condições de apagar de vez a origem e não apagou: deu aos filhos nomes hebraicos que descrevem a própria história dele. O que uma pessoa escolhe chamar aquilo que gera diz mais do que aquilo que ela declara sobre si.

A ordem que fica não é sempre a ordem que começa. Manassés está aqui em primeiro lugar, e não estará depois. O Gênesis já mostrou essa inversão em Isaque e Ismael, em Jacó e Esaú, em Perez e Zerá. O leitor que chega ao versículo já sabe para onde a coisa costuma ir — mas o texto ainda não disse nada.

Quem é mencionado de passagem também é contado. Azenate não fala uma palavra em todo o Gênesis e recebe, nesta lista, o registro mais completo de qualquer pessoa em vinte versículos. A economia de um documento não é medida de importância.

6. Aspectos Filosóficos

Uma lista precisa de um critério, e o critério aparece quando ele é forçado.

“Os que entraram no Egito” parecia um critério de fato: bastava ver quem pisou a estrada. Mas o texto conta dois que morreram antes de sair de Canaã e dois que nasceram no Egito e nunca fizeram o percurso. O critério real, então, não é o deslocamento — é o pertencimento à casa. E pertencimento não se verifica olhando; decide-se.

O que este versículo mostra é que toda classificação carrega uma decisão prévia sobre o que conta como fazer parte. Enquanto os casos são fáceis, a decisão fica invisível e a lista parece apenas descrever. Os casos de fronteira — o que nasceu fora, o que morreu antes, o que já estava lá — obrigam o critério a aparecer.

Vale para qualquer registro que separe os de dentro dos de fora. A pergunta útil nunca é “quem está na lista?”, e sim “o que a lista teve de decidir para poder existir?”.

7. Aplicações Práticas

Filhos que nascem em outro lugar continuam sendo da casa. Famílias que se mudam, que emigram, que se dividem entre países, produzem uma geração que não conheceu a origem e às vezes nem a língua. Este versículo põe dois meninos assim dentro da conta da família, sem asterisco. O que decide o pertencimento, no texto, não é o lugar do nascimento.

Dar nome é registrar posição. José escolheu nomes que diziam de onde ele vinha, e não nomes que o dissolvessem na corte. Quem vive entre dois mundos costuma enfrentar essa escolha em coisas pequenas e repetidas — como se apresenta, o que ensina em casa, o que conserva. O Gênesis mostra a escolha feita e não a transforma em regra; mas mostra que ela é uma escolha.

Não julgar por antecipação o que o texto não julgou. A leitura corrente do casamento de José com uma egípcia, quando é feita, quase sempre já vem com veredito pronto — de aprovação ou de reprovação. O versículo não dá nenhum. Aprender a parar onde o texto parou é uma disciplina de leitura, e ela também serve fora da Bíblia, diante de qualquer situação alheia que se conheça só pela ficha.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Se Manassés e Efraim nasceram no Egito, por que constam entre os que entraram no Egito?

Porque a lista conta a casa de Jacó, e não os viajantes da caravana. O mesmo alargamento aparece no versículo 12, com Er e Onã, que morreram em Canaã e mesmo assim estão contados. O Gênesis não sinaliza a diferença nem a corrige. As consequências disso para as somas ficam para os versículos 26 e 27.

O Gênesis aprova o casamento de José com uma egípcia?

O texto não diz nada. Não há elogio, não há censura, e não há nem sequer a observação de que se trata de uma estrangeira — coisa que o versículo 10 faz questão de dizer da mãe de Saul. Convém notar que as proibições de casamento na boca dos patriarcas, no Gênesis, sempre miram Canaã (Gênesis 24:3; 28:1), e que Deuteronômio 23:7-8 tratará o egípcio com menos rigor do que outros povos. Nada disso é dito aqui, e transformar o silêncio em aprovação seria ir além do texto.

Por que Azenate recebe tanto detalhe numa lista tão econômica?

Não há consenso. A explicação mais discutida é jurídica: como os dois meninos entram numa herança israelita vindos de fora, o documento assenta quem era a mãe e de que casa. Outra hipótese é que a lista simplesmente recolhe a informação que já estava em Gênesis 41:45. O texto não permite decidir.

Potífera é o mesmo Potifar da casa onde José foi escravo?

Não. São dois homens diferentes, com nomes parecidos e funções distintas — um é oficial da guarda (Gênesis 39:1), o outro é sacerdote em Om. A semelhança em português é maior do que a do hebraico.

9. Conexão com Outros Textos

O nascimento dos dois meninos foi contado antes dos anos de fome:

Gênesis 41:50 — “E nasceram a José dois filhos, antes que viesse o ano da fome, os quais lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.”

E os nomes foram explicados por José:

Gênesis 41:51-52 — “E chamou José ao primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho e de toda a casa de meu pai. E ao segundo chamou Efraim, porque disse: Deus me fez frutificar na terra da minha aflição.”

A ordem entre os dois será invertida por Jacó, de propósito:

Gênesis 48:14 — “Mas Israel estendeu a sua mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o menor, e a sua esquerda sobre a cabeça de Manassés, cruzando as mãos, ainda que Manassés era o primogênito.”

Gênesis 48:20 — “Deus te faça como Efraim e como Manassés. E pôs Efraim adiante de Manassés.”

Antes disso, Jacó adota os dois como filhos próprios, o que explica por que aparecem em listas de tribos:

Gênesis 48:5 — “Agora, pois, os seus dois filhos, que lhe nasceram na terra do Egito antes que eu viesse a você no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão.”

A lei posterior distingue o egípcio de outros povos:

Deuteronômio 23:7-8 — “Não abominarás o edomita, porque é teu irmão; não abominarás o egípcio, porque foste peregrino na sua terra. Os filhos que lhes nascerem na terceira geração entrarão na assembleia do SENHOR.”

E as duas tribos aparecem separadas nos recenseamentos, cada uma com o seu número:

Números 26:34 — “Estas são as famílias de Manassés; e os que foram contados delas eram cinquenta e dois mil e setecentos.”

Números 26:37 — “Estas são as famílias dos filhos de Efraim, segundo os que foram contados deles: trinta e dois mil e quinhentos.”

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

E a José nasceram na terra do Egito Manassés e Efraim, que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.

Texto hebraico

וַיִּוָּלֵד לְיוֹסֵף בְּאֶרֶץ מִצְרַיִם אֲשֶׁר יָלְדָה־לּוֹ אָסְנַת בַּת־פּוֹטִי פֶרַע כֹּהֵן אֹן אֶת־מְנַשֶּׁה וְאֶת־אֶפְרָיִם

Transliteração

wa-yiwwaled le-Yosef be-eretz Mitzrayim asher yaledah-lo Asenat bat-Poti Fera kohen On et-Menasheh we-et-Efrayim

Análise palavra por palavra

וַיִּוָּלֵד — wa-yiwwaled, “e foi nascido”, “e nasceram”.

Está no Niphal, a forma passiva do verbo hebraico. Não diz “José gerou”, e sim que a José foram nascidos filhos. O sujeito gramatical são os meninos; José aparece como aquele a quem eles nasceram.

O verbo está no singular, embora os dois nomes venham depois. Isso é comum em hebraico quando o verbo antecede uma lista: ele concorda com o primeiro elemento, ou fica na forma mais simples. Não há aqui, portanto, nenhuma sutileza a extrair da concordância — é a construção normal da língua.

לְיוֹסֵף — le-Yosef, “a José”.

A preposição le marca a quem o nascimento é atribuído. É a fórmula usada nas genealogias para vincular a criança ao pai sem descrever o ato de gerar.

בְּאֶרֶץ מִצְרַיִם — be-eretz Mitzrayim, “na terra do Egito”.

A indicação de lugar só aparece aqui em toda a lista. O nome do Egito em hebraico tem forma de dual, a terminação que a língua usa para pares — o que já foi entendido como referência ao Alto e ao Baixo Egito, embora essa leitura seja discutida e não haja consenso.

אֲשֶׁר יָלְדָה־לּוֹ — asher yaledah-lo, “que lhe deu à luz”.

Agora o mesmo verbo aparece no ativo e com sujeito feminino: é ela quem dá à luz. A lista, que evitou o verbo ativo para José, usa-o para Azenate. Não convém tirar disso mais do que há: yalad no ativo com sujeito masculino significa gerar, e com sujeito feminino, parir; a língua distribui assim.

אָסְנַת — Asenat, “Azenate”.

Nome egípcio. A explicação mais aceita o lê como “pertencente a Neite”, o nome de uma deusa egípcia — mas há outras propostas, e nenhuma é segura. O Gênesis, que explica quase todos os nomes hebraicos que introduz, não explica nenhum dos nomes egípcios deste versículo.

בַּת־פּוֹטִי פֶרַע — bat-Poti Fera, “filha de Potífera”.

O texto hebraico tradicional escreve o nome em duas palavras aqui, e em uma só em Gênesis 41:45. É uma variação de escrita, não de sentido, e os manuscritos divergem entre si nesse detalhe. O nome corresponde a uma fórmula egípcia comum, do tipo “aquele que o deus deu”. O ofício e a cidade estão no estudo de Gênesis 41:45.

כֹּהֵן אֹן — kohen On, “sacerdote de Om”.

A palavra kohen é a mesma que designará os sacerdotes de Israel. O hebraico não criou um termo separado para o sacerdote estrangeiro: usa a própria palavra do seu culto para o culto do outro. O mesmo já acontecera com Melquisedeque, em Gênesis 14:18.

אֶת־מְנַשֶּׁה וְאֶת־אֶפְרָיִם — et-Menasheh we-et-Efrayim, “a Manassés e a Efraim”.

Menasheh soa como uma forma do verbo esquecer, fazer esquecer, e é assim que Gênesis 41:51 o explica. Efrayim soa como o verbo frutificar, ser fecundo, e Gênesis 41:52 o explica assim. A terminação de Efraim tem forma de dual, como a do Egito, e há quem a ligue à região fértil que a tribo ocuparia; a proposta é uma hipótese, e o texto não a confirma.

As explicações de nomes no Gênesis funcionam por semelhança de som, e não por análise de raiz — ponto tratado no estudo de Gênesis 46:9, e que vale para todos os nomes desta lista.

11. Conclusão

Conclui-se, em primeiro lugar, que a lista dos que desceram ao Egito não é uma lista de viajantes. Ela recolhe dois meninos que nasceram no Egito e nunca fizeram a descida, do mesmo modo que recolheu dois filhos de Judá que morreram antes de sair de Canaã. Quem quiser conferir as somas dos versículos 26 e 27 precisa partir daí: o critério do documento é a casa de Jacó, e o cabeçalho do versículo 8 diz menos do que a lista faz.

Conclui-se, em segundo lugar, que duas tribos de Israel têm mãe egípcia e avô sacerdote de um culto estrangeiro, e que o Gênesis registra isso sem nenhuma nota — nem de defesa, nem de censura. O livro não constrói aqui uma doutrina sobre casamento com estrangeiros, e a leitura que tenta extrair uma, em qualquer direção, está acrescentando ao texto.

Conclui-se, por fim, que este é o retrato de José no momento em que a família chega: um homem inteiramente instalado no Egito — cargo, casa, mulher, sogro, filhos nascidos ali — que ainda assim deu aos dois filhos nomes hebraicos que contam de onde ele veio. O Gênesis põe as duas coisas na mesma linha e não as opõe. É assim que a lista o entrega à narrativa que recomeça no versículo 28.

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Gênesis 46:20

Seu comentário passa por moderação antes de aparecer.

A Bíblia Comentada
© A Bíblia Comentada 2026. Design by Top Level
📖 Versículos comentados
Bíblia2.888 / 31.102 9,29%
Antigo Testamento2.114 / 23.145 9,13%
Novo Testamento774 / 7.957 9,73%