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Mateus 4:25

✍️ Por Alberto Adriano·2 de julho de 2025·⏱️ 10 min de leitura·👁 1094 acessos
E multidões numerosas o seguiam, vindas da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e dalém do Jordão.
Grandes multidões de várias regiões seguindo Jesus pelas margens do mar da Galileia

Estudo


E seguia-o uma grande multidão da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e de além do Jordão.

1. Introdução

Mateus 4:25 fecha o quadro de abertura do ministério com um dado geográfico: grandes multidões passam a seguir Jesus, vindas de regiões diversas — Galileia, Decápolis, Jerusalém, Judeia e além do Jordão. O versículo mede o alcance do que os anteriores descreveram: a fama e as curas produziram um movimento de gente que atravessa fronteiras culturais e religiosas.

É útil notar, com honestidade, uma diferença de sentido no verbo "seguir". No caso dos discípulos (v.20, 22), "seguir" significava largar tudo e comprometer-se com a pessoa de Jesus. Aqui, "seguiam" as multidões — um seguir mais amplo, misto de curiosidade, necessidade e adesão. Nem todos os que seguem são discípulos no sentido pleno; o texto de Mateus mantém a palavra, mas o restante do Evangelho mostrará que multidão e discipulado não são a mesma coisa.

2. Contexto Histórico e Cultural

As regiões citadas desenham um mapa revelador. A Galileia, ao norte, de população mista; a Decápolis, um grupo de dez cidades a leste, de cultura grega e população majoritariamente não judaica; Jerusalém, coração religioso do judaísmo; a Judeia, ao sul, ligada à tradição e à lei; e "além do Jordão", a região da Pereia, a leste do rio. Juntas, essas áreas abrangem judeus e gentios, o centro religioso e as periferias.

Esse alcance geográfico não é detalhe casual em Mateus. Ele antecipa a amplitude que o evangelho teria e ecoa a promessa de que a luz brilharia também na "Galileia dos gentios". Que gente da Decápolis e de além do Jordão — áreas de forte presença não judaica — viesse atrás de Jesus é um sinal precoce de que a sua mensagem transbordaria os limites de Israel. Ao mesmo tempo, é preciso ler com sobriedade: seguir uma multidão atrás de um curador famoso não equivale a fé madura. O versículo descreve movimento, não necessariamente conversão.

3. Análise Teológica

“E muitas multidões da Galileia”

A expressão "muitas multidões" indica o amplo impacto do ministério de Jesus. Os seus ensinos e curas atraíam grande número de pessoas, refletindo a sua crescente influência. A Galileia, região de população mista de judeus e não judeus, é ponto de partida significativo, pois aponta para uma missão que alcançaria uns e outros.

“De Decápolis”

A Decápolis era um grupo de dez cidades na fronteira oriental do Império Romano, de população predominantemente gentia. A presença de gente da Decápolis entre os que seguiam Jesus ressalta o caráter amplo da sua mensagem, que não se limitava ao mundo judaico.

“De Jerusalém, da Judeia”

Jerusalém era o coração religioso e cultural do judaísmo, onde ficava o Templo. A Judeia, ao redor, era conhecida pela forte adesão à lei e à tradição. A vinda de gente dessas regiões mostra que a influência de Jesus alcançava também as comunidades judaicas mais devotas e tradicionais.

“E dalém do Jordão o seguiam”

"Além do Jordão" designa a região a leste do rio, conhecida como Pereia, também de forte presença não judaica. A menção reforça o alcance abrangente do ministério de Jesus, que atraía pessoas de fronteiras e culturas diversas.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Pessoas

Jesus — o centro do movimento; é a ele que as multidões seguem.

As multidões — gente diversa, atraída pelo ensino e pelas curas, de várias regiões.

Lugares

Galileia — região do norte, de população mista, centro do ministério inicial.

Decápolis — grupo de dez cidades a leste, de cultura grega e população gentia.

Jerusalém e Judeia — o coração religioso do judaísmo e a região ao seu redor, apegada à lei.

Além do Jordão — a Pereia, a leste do rio, também de forte presença não judaica.

Eventos

O seguir das multidões — o movimento de gente de várias regiões atrás de Jesus, medida do alcance do seu ministério.

5. Pontos de Ensino

O alcance amplo do ministério de Jesus

Jesus atraiu populações diversas, desafiando os seus seguidores a alcançar também comunidades variadas.

A força da presença de Jesus

As grandes multidões mostram o quanto ele atraía; vale cultivar uma vida que aproxime outros de Cristo.

Ministério que cruza culturas

Jesus envolveu diferentes culturas, o que estimula a partilha do evangelho para além das fronteiras culturais.

O papel dos sinais no ministério

As multidões vinham pelo ensino e pelas curas; os sinais têm lugar, mas apontam para além de si mesmos.

Distinguir seguir de ser discípulo

Seguir na multidão não é ainda o discipulado que larga tudo; o texto convida a examinar a profundidade do próprio seguir.

6. Aspectos Filosóficos

O versículo põe em foco a diferença entre quantidade e qualidade de adesão. Grandes multidões seguem — mas seguir em multidão é diferente de seguir como discípulo. Filosoficamente, há aqui uma distinção entre o entusiasmo coletivo, movido por benefício e novidade, e o compromisso pessoal, que custa. O Evangelho de Mateus, ao usar o mesmo verbo "seguir" para os discípulos e para as multidões, deixa ao leitor a tarefa de discernir os graus.

Há também uma reflexão sobre fronteiras. As regiões listadas cruzam a divisão entre judeu e gentio, centro e periferia. Isso aponta para uma universalidade que estava latente desde o início, mas que só se desdobraria plenamente depois da ressurreição. É preciso, porém, evitar o anacronismo: no momento narrado, o ministério ainda se dirige a Israel, e a presença de gentios entre as multidões é sinal e prenúncio, não ainda missão declarada. Ler com grau de certeza é reconhecer o gérmen sem projetar sobre a cena o que só viria mais tarde.

7. Aplicações Práticas

Examinar a profundidade do próprio seguir. Estar na multidão que segue Jesus não é o mesmo que ser discípulo. Vale perguntar se o seu seguir custa algo ou é só entusiasmo.

Alcançar pessoas diferentes. Jesus atraiu judeus e gentios, centro e periferia. O evangelho não escolhe um só tipo de gente; cruza fronteiras.

Não medir tudo pelo número. Grandes multidões seguiam, mas nem todas permaneceriam. O tamanho da multidão não mede a profundidade da fé.

Cultivar uma vida que aproxime. As pessoas vinham atrás de Jesus. Sem imitar a sua singularidade, uma vida coerente ainda aproxima outros da fé.

Reconhecer o valor e o limite dos sinais. As curas atraíam; mas atrair não é converter. Os sinais servem, desde que apontem para além de si.

Evitar o anacronismo na leitura. Nem tudo o que se cumpriria depois já estava explícito ali. Ler a Bíblia bem é respeitar o momento de cada texto.

8. Perguntas e Respostas

1. Qual é o significado de Mateus 4:25?

É o registro do alcance do ministério de Jesus: grandes multidões, de regiões diversas, passam a segui-lo. Mede o impacto do que os versículos anteriores descreveram e insinua a amplitude futura do evangelho.

2. Como atrair multidões a Cristo hoje, como no versículo?

Não pela busca de números, mas por uma vida e um testemunho coerentes que aproximem as pessoas de Jesus; o essencial é a fidelidade, não a plateia.

3. O que o versículo revela sobre o impacto de Jesus em regiões diversas?

Revela que a sua influência já cruzava fronteiras culturais e religiosas, alcançando judeus e gentios, o centro e as periferias.

4. Como o versículo se conecta com a Grande Comissão?

O alcance geográfico das multidões antecipa o "todas as nações" de Mateus 28:19: o que aqui é prenúncio, ali se torna missão declarada.

5. Por que importa seguir Jesus apesar das diferenças culturais ou regionais?

Porque o evangelho se dirige a toda gente; as diferenças não são barreira, e a comunidade de fé nasce justamente do encontro entre pessoas diversas.

6. Como aplicar o exemplo de seguir Jesus deste versículo?

Examinando se o nosso seguir é adesão profunda ou apenas entusiasmo passageiro, e dispondo-nos ao compromisso que o discipulado pede.

7. Por que grandes multidões seguiam Jesus dessas regiões?

Atraídas sobretudo pela fama das curas e pelo ensino, movidas por necessidade, curiosidade e esperança; o texto descreve o movimento, sem afirmar que todos criam de fato.

8. Que significado têm as regiões mencionadas no ministério de Jesus?

Elas desenham um mapa que abrange judeus e gentios, centro religioso e periferias, sinalizando o alcance amplo que a mensagem teria.

9. Como o versículo demonstra o apelo de Jesus por áreas culturais e geográficas diversas?

Ao listar regiões tão distintas entre os que o seguiam, mostra que a sua atração ultrapassava um único grupo, prenunciando a universalidade do evangelho.

9. Conexão com Outros Textos

"E Jesus retirou-se com os seus discípulos para o mar; e seguiu-o uma grande multidão da Galileia, da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, dalém do Jordão, e das proximidades de Tiro e de Sidom." (Marcos 3:7-8) — Marcos traz uma lista de regiões ainda mais ampla, confirmando e estendendo o quadro do alcance geográfico que Mateus resume.

"Quando ele desceu do monte, muitas multidões o seguiram." (Mateus 8:1) — Logo após o Sermão do Monte, o próprio Mateus retoma o tema das multidões que seguem, mostrando a continuidade do movimento descrito aqui.

"Ele desceu com eles... e grande multidão do povo de toda a Judeia, de Jerusalém, da costa marítima de Tiro, e de Sidom." (Lucas 6:17) — Lucas oferece um paralelo com regiões semelhantes, reforçando o retrato de gente vinda de longe para ouvir e ser curada.

"E uma grande multidão o seguia, porque viam seus sinais que ele fazia nos enfermos." (João 6:2) — João explicita o que Mateus deixa implícito: era sobretudo pelos sinais, pelas curas, que as multidões seguiam — um seguir atraído pelo benefício.

"E vieram a ele muitas multidões, que tinham consigo mancos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros; e os lançaram aos pés de Jesus, e ele os curou." (Mateus 15:30) — Este quadro posterior mostra o que movia boa parte das multidões: a busca de cura, tema que liga o versículo 25 ao ministério descrito nos anteriores.

10. Original Grego e Análise

Texto em português: E multidões numerosas o seguiam, vindas da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e dalém do Jordão.

Texto grego: Καὶ ἠκολούθησαν αὐτῷ ὄχλοι πολλοὶ ἀπὸ τῆς Γαλιλαίας καὶ Δεκαπόλεως καὶ Ἱεροσολύμων καὶ Ἰουδαίας καὶ πέραν τοῦ Ἰορδάνου.

Transliteração: Kai ēkolouthēsan autō ochloi polloi apo tēs Galilaias kai Dekapoleōs kai Hierosolymōn kai Ioudaias kai peran tou Iordanou.

Análise palavra por palavra:

  • ēkolouthēsan (seguiram): o mesmo verbo akoloutheō usado para os discípulos; aqui, porém, o sujeito são as multidões — um seguir mais amplo e menos comprometido.
  • ochloi polloi (muitas multidões): ochlos é a massa de gente comum; o plural com "muitas" acentua a dimensão do movimento.
  • Dekapoleōs (Decápolis): literalmente "dez cidades", região de cultura grega e população gentia a leste do Jordão.
  • Hierosolymōn (Jerusalém): a cidade santa, centro do culto judaico; a forma grega do nome.
  • peran tou Iordanou (além do Jordão): a Pereia, a leste do rio; a expressão desenha o limite oriental do alcance.

Nota teológica: O detalhe mais eloquente é o verbo. Ēkolouthēsan ("seguiram") é exatamente o mesmo termo que descreveu a adesão total dos discípulos nos versículos 20 e 22. Mateus, porém, aplica-o agora às multidões, cujo seguir é evidentemente de outra natureza — atraído pelas curas, misto de fé, necessidade e curiosidade. A mesma palavra abriga graus muito diferentes de compromisso, e o Evangelho deixará claro, adiante, que a multidão que hoje segue pode amanhã se dispersar. A lista de regiões, por sua vez, com Decápolis e "além do Jordão", insinua desde já que a luz anunciada não ficaria contida nas fronteiras de Israel.

11. Conclusão

Mateus 4:25 encerra o retrato de abertura do ministério medindo o seu alcance: grandes multidões, de regiões que cruzam a divisão entre judeus e gentios, passam a seguir Jesus. O mapa desenhado — Galileia, Decápolis, Jerusalém, Judeia, além do Jordão — é um prenúncio silencioso da amplitude que o evangelho teria.

O versículo ensina, com honestidade, a distinguir o seguir das multidões do seguir dos discípulos. A mesma palavra abriga compromissos muito diferentes, e o tamanho da multidão não mede a profundidade da fé. Atraídas sobretudo pelas curas, aquelas pessoas puseram-se a caminho atrás de Jesus — um começo real, ainda que incompleto. O Evangelho que aqui se abre convidará, ao longo de suas páginas, a passar da multidão que segue por benefício ao discipulado que segue por amor.

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