📖 Navegar na Bíblia:

Mateus 9:34

✍️ Por Alberto Adriano·29 de junho de 2026·⏱️ 8 min de leitura·👁 36 acessos
Mas os fariseus diziam: É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios.
Fariseus murmuram e acusam enquanto Jesus, ao fundo, observa sereno, em cenário da época.

Estudo


Mas os fariseus diziam: É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios.

1. Introdução

Logo após a multidão se maravilhar, surge a reação oposta. Os fariseus, que deviam ser os primeiros a reconhecer a obra de Deus, dão uma explicação sombria para o milagre: dizem que Jesus expulsa demônios pelo poder do chefe dos demônios. O mesmo ato que levou o povo à admiração leva os líderes religiosos à acusação.

Este versículo encerra o episódio do mudo com um contraste duro. De um lado, corações abertos que se admiram; de outro, corações endurecidos que distorcem o evidente. A cena revela uma verdade incômoda: ver o milagre não basta. A incredulidade não nasce da falta de provas, mas de uma resistência que vem de dentro.

2. Contexto Histórico e Cultural

Os fariseus eram um grupo religioso respeitado, conhecido pela observância rigorosa da Lei e das tradições. Tinham grande influência sobre o povo e se viam como guardiões da fé. Justamente por isso, a sua palavra pesava: ao se manifestarem publicamente, tentavam moldar a forma como a multidão interpretava o que acabara de ver.

A acusação envolvia o nome de Belzebu, usado para designar Satanás ou um chefe dos demônios. Em vez de negar o milagre — impossível, diante de todos —, eles atacavam a sua origem, atribuindo a obra ao próprio mal. Era uma estratégia: se não dava para esconder o fato, restava envenenar a sua interpretação.

3. Análise Teológica do Versículo

“Mas os fariseus diziam:”

Os fariseus eram um grupo religioso proeminente no judaísmo da época de Jesus. Eram conhecidos pela observância rigorosa da Lei de Moisés e das tradições orais. A sua oposição a Jesus muitas vezes nascia dos desafios que Ele fazia às suas interpretações e práticas. Essa frase destaca o seu papel de críticos e céticos do ministério de Jesus, questionando frequentemente a sua autoridade e os seus métodos.

“É pelo príncipe dos demônios”

O 'príncipe dos demônios' refere-se a Belzebu, nome usado para Satanás ou um demônio principal. Essa acusação dá a entender que o poder de Jesus de expulsar demônios vem de uma fonte maligna, e não da autoridade divina. Isso reflete a recusa dos fariseus em reconhecer a natureza divina de Jesus e a fonte do seu poder, tema recorrente nos Evangelhos. Essa acusação é grave, pois atribui a obra do Espírito Santo a influência demoníaca, conceito desenvolvido no contexto do pecado imperdoável (Mateus 12:31-32).

“que ele expulsa os demônios.”

A capacidade de Jesus de expulsar demônios é um testemunho da sua autoridade sobre o mundo espiritual, aspecto-chave da sua missão messiânica. Esse ato cumpre as profecias do Antigo Testamento sobre o Messias trazer libertação e cura (Isaías 61:1). A afirmação dos fariseus é uma tentativa de minar a autoridade de Jesus e desacreditar os seus milagres. Na narrativa bíblica mais ampla, os exorcismos de Jesus são sinais do Reino de Deus que irrompe, demonstrando o seu poder sobre o mal e o seu papel de Salvador.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Jesus

Figura central, que expulsa o demônio e é acusado injustamente pelos líderes religiosos.

Os fariseus

Grupo religioso conhecido pela observância estrita da Lei e das tradições. Aqui aparecem como opositores, distorcendo a obra de Jesus.

O chefe dos demônios (Belzebu)

Nome usado para Satanás ou um demônio supremo. É a quem os fariseus, de forma caluniosa, atribuem o poder de Jesus.

O milagre de expulsão

O ato em que Jesus liberta o homem, demonstrando autoridade sobre o mal — exatamente o que os fariseus se recusam a reconhecer.

5. Pontos de Ensino

Entender a oposição

Jesus enfrentou a resistência dos líderes religiosos. Os seus seguidores também podem esperar oposição ao fazer o bem.

Discernimento diante de acusações

É preciso cautela com falsas acusações, buscando a verdade pela oração e pela Palavra.

A autoridade de Jesus

Reconhecer o domínio de Jesus sobre o mal traz consolo e segurança ao crente.

A realidade do combate espiritual

A menção a Belzebu lembra que o combate espiritual é real, e que Jesus tem poder para vencê-lo.

Fidelidade no serviço

Apesar da oposição, devemos continuar servindo com fidelidade, confiando no poder e no propósito de Deus.

6. Aspectos Filosóficos

O versículo expõe um fenômeno conhecido: a mente que já decidiu o que quer crer encontra um jeito de encaixar até os fatos contrários. Os fariseus não puderam negar o milagre, então reinterpretaram a sua origem. Isso mostra que evidência, sozinha, não convence quem não quer ser convencido. O obstáculo não estava nos olhos, mas na vontade.

Há também uma reflexão sobre o poder das palavras de quem tem autoridade. Ao darem uma explicação maldosa para o que todos viram, os fariseus tentavam capturar a interpretação da multidão. A disputa não era pelo fato, mas pelo sentido do fato. Quem controla a narrativa, em boa medida, controla a forma como as pessoas reagem à verdade.

7. Aplicações Práticas

Cuidado com o coração endurecido. É possível estar perto das coisas de Deus, conhecer a Bíblia e, ainda assim, resistir a ele. Peça um coração disposto a reconhecer a sua obra.

Espere oposição ao fazer o bem. Nem todo gesto bom será aplaudido. Jesus foi acusado justamente quando libertava alguém. Não desanime diante da crítica injusta.

Discirna antes de acusar. Não atribua ao mal aquilo que pode ser obra de Deus. Avalie com oração e com a Palavra, sem julgar pelas aparências ou pela inveja.

Não deixe os outros moldarem a sua leitura da verdade. A multidão quase foi influenciada. Forme o seu juízo diante de Deus, e não pela voz de quem só quer desacreditar.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

1. Qual é o significado de Mateus 9:34?

Mostra a reação dos fariseus ao milagre: em vez de reconhecer a obra de Deus, acusam Jesus de expulsar demônios pelo poder do chefe dos demônios. É o contraste entre a admiração do povo e a oposição dos líderes.

2. Como o versículo revela o engano dos fariseus sobre a autoridade de Jesus?

Eles não conseguem negar o fato, então distorcem a sua origem. Atribuem a Satanás o que só Deus poderia fazer, revelando uma cegueira voluntária diante da verdade.

3. O que aprendemos sobre a cegueira espiritual nessa resposta?

Que ela não é falta de informação, mas resistência do coração. Os fariseus tinham todas as provas e mesmo assim recusaram crer.

4. Como este versículo se conecta a outras oposições dos fariseus?

Ele antecipa a acusação de Belzebu, repetida em Mateus 12, Marcos 3 e Lucas 11, e se soma às muitas vezes em que tentaram desacreditar Jesus.

5. Como o crente deve reagir a acusações parecidas hoje?

Com firmeza e sem amargura, continuando a fazer o bem e confiando que Deus conhece a verdade, mesmo quando ela é distorcida pelos outros.

6. Que passos evitam o erro dos fariseus?

Manter o coração humilde, não deixar que o orgulho religioso vire muralha, e estar disposto a reconhecer a obra de Deus mesmo quando ela vem de onde não esperávamos.

9. Conexão com Outros Textos

A acusação dos fariseus reaparece e se esclarece em outras passagens.

Mateus 12:24

Mas quando os fariseus ouviam isso, diziam: Ele não expulsa os demônios, a não ser por Belzebu, o chefe dos demônios.

A mesma acusação, agora desenvolvida no grande debate sobre Belzebu, ao qual Jesus responderá em detalhe.

Marcos 3:22

E os escribas que haviam descido de Jerusalém diziam: Ele tem Belzebu, e é pelo chefe dos demônios que expulsa demônios.

Confirma que a acusação era recorrente e vinha das lideranças vindas de Jerusalém.

Lucas 11:15

Porém alguns deles diziam: Ele expulsa aos demônios por Belzebu, príncipe dos demônios!

Outro registro da mesma calúnia, mostrando como ela se espalhou.

João 10:20

E muitos deles diziam: Ele tem demônio, e está fora de si; para que o ouvis?

A tática de associar Jesus ao mal se repete também no Evangelho de João.

Mateus 12:28

Mas se eu pelo Espírito de Deus expulso os demônios, logo o Reino de Deus já chegou sobre vos.

A resposta de Jesus: o seu poder vem do Espírito de Deus, e cada libertação anuncia a chegada do Reino.

10. Original Grego e Análise

Texto em português: Mas os fariseus diziam: É pelo chefe dos demônios que ele expulsa os demônios.

Texto grego: οἱ δὲ Φαρισαῖοι ἔλεγον, Ἐν τῷ ἄρχοντι τῶν δαιμονίων ἐκβάλλει τὰ δαιμόνια.

Transliteração: hoi de Pharisaioi elegon, En tō archonti tōn daimoniōn ekballei ta daimonia.

Análise palavra por palavra:

  • de (mas): partícula de contraste que opõe esta reação à da multidão maravilhada do versículo anterior.
  • Pharisaioi (fariseus): o grupo religioso que assume aqui o papel de opositor público de Jesus.
  • elegon (diziam): o verbo está num tempo que indica ação contínua e repetida — eles "ficavam dizendo". Não foi um comentário isolado, mas uma campanha insistente.
  • archonti (chefe, príncipe): aquele que governa; aqui, o suposto líder dos demônios, identificado com Belzebu.
  • ekballei (expulsa): o mesmo verbo usado para a ação de Jesus sobre os demônios; eles reconhecem o ato, mas distorcem a sua fonte.
  • daimonia (demônios): os espíritos malignos que Jesus expulsa e que os fariseus, ironicamente, dizem ser a origem do seu poder.

11. Conclusão

Mateus 9:34 fecha o episódio com um aviso solene. O mesmo milagre que abriu corações fechou outros ainda mais. Diante da obra inegável de Jesus, os fariseus preferiram a calúnia à confissão, atribuindo a Deus a pecha de aliado do mal.

O versículo nos confronta com uma verdade desconfortável: conhecer a religião não é o mesmo que conhecer a Deus. A incredulidade dos fariseus não veio da falta de provas, mas de um coração que decidira resistir. Que o nosso coração permaneça humilde e aberto, pronto para reconhecer e adorar quando Deus age — em vez de buscar razões para fugir dele.

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Mateus 9:34

Seu comentário passa por moderação antes de aparecer.

A Bíblia Comentada
© A Bíblia Comentada 2026. Design by Top Level
📖 Versículos comentados
Bíblia1.039 / 31.102 3,34%
Antigo Testamento548 / 23.145 2,37%
Novo Testamento491 / 7.957 6,17%