e Oolibama deu à luz Jeús, Jalão e Corá. Estes são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã.
1. Introdução
O versículo fecha a primeira lista com três nomes e uma nota geográfica.
Os três nomes são os filhos de Oolibama: Jeús, Jalão e Corá. Nenhum deles tem história contada em lugar nenhum da Bíblia. Aparecem aqui, reaparecem nos versículos 14 e 18 deste capítulo, e é tudo.
A nota geográfica é que importa. "Que lhe nasceram na terra de Canaã" delimita o grupo: são os cinco filhos nascidos antes da mudança, e a mudança é justamente o que os versículos 6 a 8 vão contar.
Dois pontos organizam a leitura.
O primeiro é a fórmula de fechamento. Num texto sem parágrafo nem título, uma frase fixa é o que marca o fim de um bloco. O versículo 5 é essa frase.
O segundo é um problema de texto que este versículo abre. O nome Corá reaparece no versículo 16 deste mesmo capítulo, mas em outro ramo da família — e o Pentateuco Samaritano simplesmente não o traz ali. O item 3 trata do caso.
2. Contexto Histórico e Cultural
Nascer numa terra que não é sua
A frase "na terra de Canaã" tem peso preciso, e ele vem de como aquela família era vista.
Abraão, Isaque e Jacó viveram em Canaã sem possuir Canaã. O texto os chama de peregrinos, e a palavra designa quem mora num lugar sem ser dele: estrangeiro residente, tolerado, sem direito à terra. Em Gênesis 23:4 Abraão diz isso de si mesmo aos heteus, ao negociar a compra do túmulo de Sara: "estrangeiro e peregrino sou entre vós".
Aquela compra é significativa exatamente por ser exceção. O único pedaço de Canaã que a família possuiu com escritura, em três gerações, foi um campo com uma caverna para enterrar os mortos.
Nascer em Canaã, portanto, não dava direito nenhum. Dava apenas o registro do lugar — e é o registro que este versículo faz.
Por que o lugar de nascimento entrava no documento
Em famílias que se deslocavam, saber onde alguém nasceu ajudava a situar a pessoa no tempo.
Não havia calendário comum, não havia data de nascimento anotada. O que havia eram marcos: antes ou depois da mudança, antes ou depois da fome, na terra velha ou na terra nova. Dizer "nascidos em Canaã" é o equivalente antigo de uma data.
Gênesis usa esse recurso mais de uma vez. Em Gênesis 46:27 conta-se quantos da casa de Jacó desceram ao Egito e quantos já estavam lá; em Gênesis 48:5 Jacó distingue os filhos de José "que te nasceram na terra do Egito" dos que viriam depois.
É a mesma operação: o lugar servindo de marcador de época.
Um filho por vez, ou um parto por vez
Vale uma observação sobre o que a lista informa e o que não informa.
O versículo diz que Oolibama deu à luz três filhos. Não diz quando, não diz em que intervalo, não diz se houve outros que morreram, não diz se houve filhas — embora o versículo 6 mencione, de passagem, que Esaú tinha filhas.
Genealogias antigas registram os filhos homens porque são eles que continuam a linhagem e herdam. As filhas entram quando há motivo específico: quando o casamento delas importa para a história, como o de Diná em Gênesis 34, ou quando não há filho homem, como no caso das filhas de Zelofeade em Números 27.
É informação sobre o documento, não sobre a família. Esaú teve filhas; a lista não as nomeia.
3. Análise Teológica do Versículo
"e Oolibama deu à luz Jeús, Jalão e Corá"
Três filhos de uma vez, contra um de cada uma das outras duas mulheres.
É a única das três mulheres de Esaú com mais de um filho, e a única cuja ascendência o versículo 2 deu em duas gerações. Ainda assim, o ramo dela é o menor do capítulo: os três viram chefes no versículo 18, e nenhum deles tem descendência registrada.
Compare com Elifaz, que sozinho gera cinco filhos e depois um sexto, e com Reuel, que gera quatro. A conta é clara: dos onze chefes edomitas dos versículos 15 a 19, sete vêm de Elifaz, quatro vêm de Reuel — e os três de Oolibama entram como chefes eles mesmos, sem gerar outros.
O que explica a diferença não é conjetura fácil. Pode ser que a linha deles tenha se extinguido, pode ser que o registro de que o autor dispunha não a trouxesse, pode ser que ela tenha sido absorvida por outros grupos. O texto não diz.
Os três nomes
Jeús, Jalão e Corá não têm história. É honesto dizer isso em vez de fabricar uma.
Nenhum episódio, nenhuma fala, nenhuma menção fora das listas. Aparecem aqui, nos versículos 14 e 18 deste capítulo, e em 1 Crônicas 1:35 — sempre em enumeração.
Jeús reaparece como nome de outros homens em 1 Crônicas 7:10, 8:39 e 23:10, e como filho de Roboão em 2 Crônicas 11:19. Corá é nome de vários israelitas, entre eles o levita da revolta de Números 16. Jalão não aparece mais em lugar nenhum.
São coincidências de nome, não ligações. Vale repetir o princípio, porque a confusão é frequente: em textos antigos, nome igual quase nunca significa pessoa igual.
O problema do nome Corá
Aqui está a única dificuldade real deste versículo, e ela não é deste versículo — é do 16.
Corá é filho de Esaú e de Oolibama, como este versículo diz e o versículo 14 confirma. Mas o versículo 16, que lista os chefes descendentes de Elifaz, traz "o chefe Corá" no meio deles. Isso o colocaria em dois ramos ao mesmo tempo: filho de Esaú por uma mulher, e neto de Esaú por outra.
O dado decisivo é de manuscrito. O Pentateuco Samaritano — versão dos cinco primeiros livros conservada por uma comunidade separada desde a Antiguidade — não traz o nome ali. Simplesmente não está no versículo 16.
A explicação mais aceita é de cópia. A Cambridge Bible ("Bíblia de Cambridge", série de comentários da universidade inglesa) diz que o nome está fora do lugar e veio do versículo 18, onde Corá aparece corretamente entre os filhos de Oolibama. Keil e Delitzsch (dupla de hebraístas alemães do século XIX) e Ellicott chegam à mesma conclusão.
É provavelmente isso. O olho do copista pulou de uma lista para outra, coisa que acontece com facilidade em textos formados por nomes em coluna.
Duas alternativas foram propostas, e convém registrá-las. Uma é que houvesse dois Corás na mesma família — possível, e não seria estranho num clã que reutilizava nomes. Outra é que o Corá do versículo 16 fosse neto de Elifaz, e não filho. Nenhuma das duas tem apoio de manuscrito, e a primeira exige supor uma coincidência dentro da mesma casa.
Fica o que se pode afirmar: há divergência entre manuscritos no versículo 16, ela é conhecida há séculos, e a leitura sem o nome é a mais provável. Não é possível ter certeza.
"Estes são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã"
A frase fecha o bloco, e faz duas coisas ao mesmo tempo.
A primeira é delimitar. Cinco filhos, e só esses cinco, nasceram antes da mudança. Tudo o que vem do versículo 9 em diante é a família já instalada em Seir — e a fórmula de abertura reaparece ali justamente para marcar a diferença.
A segunda é preparar o que vem. Ao dizer "na terra de Canaã", o texto assinala que a família não ficou em Canaã. O leitor ainda não sabe por quê; os versículos 6 a 8 vão contar.
Há um contraste que o livro monta sem comentar, e vale notá-lo com cuidado. Esaú nasceu em Canaã, teve filhos em Canaã, e saiu de Canaã por vontade própria. Jacó ficou. Gênesis 37:1, fechando o capítulo seguinte, dirá que Jacó habitou "na terra em que seu pai fora peregrino" — palavra que Gênesis reserva para quem mora sem possuir.
Ou seja: o irmão que saiu foi para uma terra que se tornou dele; o irmão que ficou continuou hóspede na terra prometida. O texto põe as duas frases a poucos versículos de distância e não faz o comentário. Quem o faz é o leitor — e deve dizer que está fazendo.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
Jeús
Primeiro filho de Oolibama. Aparece aqui, no versículo 14 e no versículo 18, onde é listado como chefe.
O nome tem origem incerta. A proposta mais comum o liga a uma raiz que significa apressar-se, acorrer — daí traduções como "aquele a quem Deus apressa" ou "ele acorrerá". Os léxicos registram a dúvida, e há manuscritos que trazem o nome com pequena variação de grafia.
Outros homens chamados Jeús aparecem em 1 Crônicas 7:10, 1 Crônicas 8:39, 1 Crônicas 23:10 e 2 Crônicas 11:19, este último filho de Roboão. Nenhum tem relação com este.
Jalão
Segundo filho de Oolibama. É o nome mais obscuro do capítulo: aparece três vezes, todas em listas — aqui, no versículo 14 e no versículo 18 — e mais nenhuma vez em toda a Bíblia.
A origem provável do nome está numa raiz que significa esconder, ocultar, o que daria algo como "aquele que Deus esconde". A derivação é plausível e não é demonstrável.
Corá
Terceiro filho de Oolibama, listado também no versículo 14 e como chefe no versículo 18.
O nome está ligado, provavelmente, a uma raiz que tem a ver com calvície ou com superfície raspada — daí a tradução "calvo" que vários comentaristas dão. É proposta antiga e razoável, mas os léxicos não a tratam como certa.
A aparição do mesmo nome no versículo 16, em outro ramo da família, é o problema de texto tratado no item 3.
O outro Corá, o da revolta
Convém desfazer uma confusão comum, porque os dois nomes são idênticos em hebraico.
O Corá de Números 16 é levita, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de Levi. Lidera com Datã e Abirão a revolta contra Moisés e Arão no deserto, e a terra se abre sob os rebeldes. Não tem parentesco nenhum com o filho de Esaú.
Curiosamente, a descendência dele sobreviveu: Números 26:11 registra que "os filhos de Corá não morreram", e onze salmos trazem no título a indicação "dos filhos de Corá" — entre eles o Salmo 42 e o Salmo 84.
A terra de Canaã
A faixa entre o Mediterrâneo e o Jordão, com o deserto ao sul e a Fenícia ao norte. É onde Abraão chegou em Gênesis 12:5 e onde as três gerações da família viveram como estrangeiros residentes.
Gênesis 10:15-19 apresenta Canaã como filho de Cam e dá os povos que dele descendem, com os limites do território. É nessa lista que aparecem os heteus e os heveus mencionados no versículo 2 deste capítulo.
Oolibama
A terceira mulher de Esaú volta aqui como mãe dos três filhos.
Ela é a única das três cujo nome reaparece adiante como nome de chefe edomita, no versículo 41 — indício de que virou designação de clã ou de território. Quem foi ela e de quem descendia está no versículo 2.
5. Pontos de Ensino
Uma fórmula de fechamento é parte da estrutura
"Estes são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã" não é frase decorativa. É o que marca o fim do bloco.
Textos antigos não tinham parágrafo, título nem numeração. A repetição de uma frase fixa fazia esse trabalho, e o leitor treinado a reconhecia como hoje se reconhece uma quebra de capítulo.
Este capítulo usa o recurso quatro vezes: aqui, nos versículos 12, 13 e 14, sempre com "estes são os filhos de" mais um nome.
Onde alguém nasceu funcionava como data
Numa família que se deslocava, o lugar de nascimento situava a pessoa no tempo.
Não havia calendário compartilhado nem registro de data. Havia marcos: antes da mudança, depois da fome, na terra velha, na terra nova. Dizer "nascidos em Canaã" é dizer "nascidos antes da partida".
Gênesis 48:5 usa o mesmo recurso com os filhos de José no Egito. É modo de datar sem números.
Divergência entre manuscritos existe e é conhecida
O nome Corá no versículo 16 está no texto hebraico corrente e falta no Pentateuco Samaritano.
Casos assim não são raros, e listas de nomes concentram a maior parte deles, pelo motivo que o versículo 2 já expôs: nome próprio não tem contexto que corrija a leitura.
Saber disso muda a postura do leitor. Divergência de manuscrito não é descoberta recente nem ataque ao texto; é o material com que os estudiosos trabalham há séculos, e o modo de tratá-la é comparar as testemunhas e dizer qual leitura é mais provável.
Nome repetido não é pessoa repetida
Há um Corá filho de Esaú e um Corá levita que se revolta contra Moisés. Há um Jeús aqui e outros quatro na Bíblia.
O estoque de nomes disponíveis era pequeno, e famílias reaproveitavam os nomes dos avós. A repetição era a regra, não a exceção.
A consequência prática: ao encontrar o mesmo nome em dois lugares, o trabalho é procurar filiação, época e região antes de supor identidade.
O que a lista não guarda
O versículo 6 mencionará, de passagem, que Esaú tinha filhas. Nenhuma é nomeada, aqui ou em qualquer outro lugar.
Genealogias registravam quem continuava a linhagem, e a linhagem corria pelos homens. As mulheres entram quando há razão específica — herança sem filho homem, casamento com efeito na história, papel na narrativa.
É informação sobre o critério do documento, e ela deve ser dita com clareza em vez de contornada.
6. Aspectos Filosóficos
O que uma linha divisória decide
A questão de fundo do versículo está na frase final, e é de método antes de ser de conteúdo: por que este grupo de cinco e não outro.
A lista podia ter agrupado os filhos de Esaú por mãe, por idade, por importância. Agrupou pelo lugar de nascimento — traçou uma linha no espaço e disse que quem está de um lado dela forma um conjunto.
Toda classificação faz isso, e nenhuma é neutra. O critério escolhido cria semelhanças que não existiam antes: nascer em Canaã não tornava aqueles cinco parecidos entre si, mas, escolhido o critério, eles passam a formar um grupo, e o texto os trata como tal.
Vale notar a consequência aqui. O corte separa a família de Esaú em duas: a que nasceu na terra que a promessa reservava a outro, e a que nasceria em Seir. É uma divisão que só faz sentido dentro da história que Gênesis conta — para um edomita que lesse a própria genealogia, provavelmente o corte relevante seria outro.
Onde marcar o limite: nada disso está dito no versículo. Ele registra cinco nascimentos e informa onde ocorreram. Ver na escolha do critério uma decisão carregada de sentido é leitura do comentarista, e é preciso admitir que a explicação mais simples também funciona — o texto marcou o lugar porque a família mudou de lugar em seguida, e era preciso separar as duas fases.
7. Aplicações Práticas
Registrar o que se sabe e parar onde o dado acaba
Deste versículo saem três nomes sobre os quais nada mais se sabe. Nenhum episódio, nenhuma frase, nada.
A tentação, diante de um registro assim, é preenchê-lo — inventar significado para cada nome, imaginar destinos, extrair lição. O texto não faz isso, e quem o comenta também não deveria.
O princípio serve fora da leitura bíblica: dizer "não se sabe" é informação; substituir isso por uma suposição apresentada como fato é perda, mesmo quando a suposição soa bem.
Comparar as fontes antes de decidir
O caso do nome Corá no versículo 16 mostra o procedimento em miniatura: há duas testemunhas do texto, elas divergem, e a saída é comparar e dizer qual é mais provável.
É o mesmo trabalho que se faz com qualquer documento — duas versões de um contrato, dois relatos de uma reunião, dois registros de uma conta.
O erro comum é escolher a versão que confirma o que já se pensava. O procedimento correto é perguntar qual das duas explica melhor a existência da outra.
Onde se nasce marca, mesmo sem dar direitos
Os cinco filhos nasceram em Canaã e nenhum deles herdou Canaã.
O texto guarda a informação assim mesmo, porque ela situa aquelas pessoas numa fase da história da família. É registro de origem, não de propriedade.
A distinção continua útil. Lugar de nascimento diz de onde alguém veio; não diz o que lhe pertence, e confundir as duas coisas produz reivindicação onde havia apenas biografia.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
Por que Oolibama tem três filhos e o ramo dela é o menor?
Porque o tamanho de um ramo, numa genealogia, depende do que veio depois, não de quantos filhos houve.
Os três se tornam chefes no versículo 18, e a lista para aí: nenhum deles tem descendência registrada. Elifaz, com um filho só de partida, gera seis e depois netos.
Por que a linha de Oolibama não se desdobra é matéria de conjetura. Pode ter se extinguido, pode ter sido absorvida, pode não constar do documento que o autor tinha. O texto não diz.
Corá está em dois ramos da família ao mesmo tempo?
No texto hebraico corrente, sim: filho de Esaú aqui e no versículo 14, e chefe entre os descendentes de Elifaz no versículo 16.
O Pentateuco Samaritano não traz o nome no versículo 16, e a maioria dos comentaristas considera que ele entrou ali por erro de cópia, vindo do versículo 18.
É a explicação mais provável. Certeza não há, e o item 3 apresenta as alternativas.
Esaú teve filhas?
Teve. O versículo 6 as menciona ao listar quem partiu com ele: "as suas mulheres, os seus filhos, as suas filhas".
Nenhuma é nomeada em lugar nenhum da Bíblia. A genealogia registra quem continua a linhagem, e a linhagem corria pelos homens.
Vale registrar o dado sem suavizá-lo: é o critério do documento, e ele deixa metade da família fora do registro.
Por que o texto informa onde os filhos nasceram?
Porque o lugar funcionava como marcador de época e porque a família estava prestes a mudar de lugar.
A frase separa duas fases: a de Canaã, encerrada aqui, e a de Seir, que começa no versículo 9 com nova fórmula de abertura.
Sem essa nota, o leitor não teria como saber que a lista dos versículos 10 a 14 é a mesma família em outro território.
O Corá desta lista tem alguma relação com o Corá dos Salmos?
Nenhuma. Os títulos que trazem "dos filhos de Corá" — entre eles o Salmo 42, o 44 e o 84 — referem-se à descendência do levita de Números 16.
Aquele Corá liderou a revolta contra Moisés, mas Números 26:11 registra que os filhos dele não morreram, e a família tornou-se um grupo de cantores do templo.
São dois homens sem parentesco, separados por séculos e por povos diferentes, com o mesmo nome.
9. Conexão com Outros Textos
Os três nomes nas outras listas
Gênesis 36:14 — "E estes foram os filhos de Oolibama, mulher de Esaú, filha de Aná, filha de Zibeão: ela deu à luz para Esaú Jeús, Jalão e Corá."
Gênesis 36:18 — "Estes são os filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o chefe Jeús, o chefe Jalão, o chefe Corá."
Os mesmos três, agora como chefes — e sem descendência registrada.
1 Crônicas 1:35 — "Os filhos de Esaú: Elifaz, Reuel, Jeús, Jalão e Corá."
A lista dos cinco copiada séculos depois, na mesma ordem.
A família como estrangeira em Canaã
Gênesis 23:4 — "Estrangeiro e peregrino sou entre vós; dai-me possessão de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta de diante de mim."
A situação jurídica em que aqueles cinco filhos nasceram, dita pelo avô deles.
Gênesis 37:1 — "Jacó habitou na terra em que seu pai fora peregrino, na terra de Canaã."
A frase que fecha este capítulo, com a mesma palavra e o irmão que ficou.
O lugar de nascimento como marcador
Gênesis 48:5 — "Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito antes que eu viesse a ti no Egito, são meus."
O mesmo recurso: o lugar servindo de data.
Gênesis 46:27 — "Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, foram setenta."
Contagem por fase da história da família, como aqui.
O outro Corá
Números 16:1-2 — "Corá, filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi, tomou consigo a Datã e a Abirão... e levantaram-se perante Moisés."
O levita da revolta, sem parentesco com o filho de Esaú.
Números 26:11 — "Os filhos de Corá, porém, não morreram."
A nota que explica por que onze salmos trazem o nome dele no título.
Quando as filhas entram numa lista
Números 27:1-4 — "Chegaram as filhas de Zelofeade... e disseram: Por que se tiraria o nome de nosso pai do meio da sua família, por não ter filho?"
O caso em que a ausência de filho homem obriga o registro a mudar de critério — e mostra qual era o critério padrão.
10. Original Hebraico e Análise
Texto em português
e Oolibama deu à luz Jeús, Jalão e Corá. Estes são os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã.
Texto hebraico
וְאָהֳלִיבָמָה יָלְדָה אֶת־יְעוּשׁ וְאֶת־יַעְלָם וְאֶת־קֹרַח אֵלֶּה בְּנֵי עֵשָׂו אֲשֶׁר יֻלְּדוּ־לוֹ בְּאֶרֶץ כְּנָעַן׃
Transliteração
we-'Oholivamah yaledah 'et-Ye'ush we'et-Ya'lam we'et-Qorach; 'elleh bene 'Esav 'asher yulledu-lo be'erets Kena'an.
Análise palavra por palavra
יָלְדָה — yaledah, "deu à luz". Mesma forma simples que a segunda metade do versículo 4 usa com Basemate, e não a forma de encadeamento que abre aquele versículo.
Também aqui falta o "para Esaú" que a primeira oração do versículo 4 traz. O padrão é consistente: a fórmula completa aparece uma vez, no começo, e depois é encurtada — o que reforça a explicação por economia de estilo.
יְעוּשׁ — Ye'ush, "Jeús".
A origem é incerta. A proposta mais comum liga o nome a uma raiz que significa apressar-se, acorrer em socorro, dando algo como "ele acorrerá". Os léxicos marcam a dúvida.
Há variação de grafia entre manuscritos: alguns trazem a forma com uma letra a mais, e a diferença aparece também na comparação com 1 Crônicas 1:35. É o tipo de oscilação comum em nomes próprios.
יַעְלָם — Ya'lam, "Jalão".
Provavelmente formado sobre a raiz עלם, que significa esconder, ocultar, manter fora da vista. O sentido seria "escondido" ou "aquele que Deus esconde".
Da mesma raiz vem a palavra que o Salmo 90:8 usa para as "coisas ocultas" postas diante de Deus. A derivação é plausível; não é demonstrável.
קֹרַח — Qorach, "Corá".
Ligado, provavelmente, à raiz קרח, que tem a ver com raspar a cabeça, ficar calvo. Daí a tradução "calvo" que vários comentaristas propõem.
Da mesma raiz vem qerach, gelo, granizo — pela ideia de superfície lisa e descoberta. A palavra aparece em Jó 37:10 e no Salmo 147:17.
אֵלֶּה בְּנֵי עֵשָׂו — 'elleh bene 'Esav, "estes são os filhos de Esaú".
O mesmo pronome demonstrativo que abre a fórmula do versículo 1, agora fechando um bloco em vez de abrir um.
Vale a comparação, porque ela mostra como o hebraico marca estrutura: 'elleh toledot abre uma seção do livro; 'elleh bene encerra uma lista dentro dela. A mesma palavra, funções diferentes conforme o que a acompanha.
אֲשֶׁר יֻלְּדוּ־לוֹ — 'asher yulledu-lo, "que lhe nasceram". Verbo na forma passiva intensiva do mesmo yalad, com a preposição le e o sufixo de terceira pessoa.
Ao pé da letra: "que foram gerados para ele". A voz passiva desloca o foco: não é a mãe que dá à luz, são os filhos que são gerados — e o destinatário continua sendo o pai.
É a mesma preposição de "para Esaú" no versículo 4, e o mesmo pressuposto de linhagem que o item 2 daquele versículo desenvolve.
בְּאֶרֶץ כְּנָעַן — be'erets Kena'an, "na terra de Canaã". A preposição be indica lugar; 'erets é terra, país, região.
A expressão inteira é fórmula fixa em Gênesis, e aparece dezenas de vezes — sempre designando o território, nunca o solo. O nome Canaã, segundo Gênesis 10:6, é o de um filho de Cam, e serve ao mesmo tempo para a pessoa, para o povo e para a região.
11. Conclusão
O versículo fecha um bloco, e três coisas decorrem disso.
A primeira é de estrutura. A frase final delimita o conjunto dos cinco filhos nascidos antes da mudança, e essa delimitação é o que permite que o versículo 9 recomece a lista com a família já em Seir. Sem o fecho, os dois grupos se confundiriam.
A segunda é sobre o critério do documento. Foram registrados os cinco homens; as filhas, que o versículo 6 menciona existirem, não têm nome em lugar nenhum. Conclui-se que a lista guarda quem continua a linhagem — e que o leitor tem em mãos uma família pela metade, o que é melhor dizer do que contornar.
A terceira é sobre o modo de tratar divergência de texto. O nome Corá reaparece no versículo 16, em ramo errado, e falta ali no Pentateuco Samaritano. A saída não é escolher a leitura mais cômoda, e sim comparar as testemunhas e dizer qual explica melhor a outra — no caso, o erro de cópia é a hipótese mais econômica, sem que se possa afirmá-la com certeza.
Fica em aberto por que o ramo de Oolibama, o único com três filhos, é o que menos se desdobra no capítulo. Extinção, absorção por outros grupos, lacuna no documento — as três explicações são possíveis, e o texto não permite decidir.













