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Êxodo 9:5

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✍️ Por Alberto Adriano·19 de setembro de 2026·⏱️ 7 min de leitura·👁 22 acessos
E o SENHOR marcou um prazo, dizendo: “Amanhã o SENHOR fará isso na terra.”
Um vaqueiro egípcio parado à beira de um canal ao pôr do sol, olhando o rebanho que pasta na várzea, com o céu limpo e silencioso sobre o campo.

Estudo


E o SENHOR marcou um prazo, dizendo: “Amanhã o SENHOR fará isso na terra.”

1. Introdução

Entre o anúncio e a praga, o texto registra um ato à parte: o SENHOR marca a data. "Amanhã."

O "amanhã" já tinha sido dito por Deus nos enxames, em Êxodo 8:23, dentro do recado ao rei. Aqui ele sai do recado e vira frase do próprio relato, com verbo e substantivo próprios — "marcou um prazo". O versículo não diz a quem o prazo foi comunicado, nem o que alguém fez com o dia que ganhou.

2. Contexto Histórico e Cultural

Um dia de aviso, num país que protegia o gado com palavras

O criador egípcio não enfrentava o perigo do rebanho só com as mãos. Relevos de túmulos do Império Antigo, na necrópole de Sacará, mostram uma cena que se repete: o rebanho atravessando um canal, um vaqueiro levando nas costas o bezerro que não aguenta a correnteza, e outro de pé na margem, com o braço estendido e o dedo apontado para a água. A legenda gravada ao lado explica o gesto: é uma fórmula contra o crocodilo, recitada para que o bicho do rio fique cego e parado enquanto o gado passa.

Proteger animais com rito era, portanto, parte do trabalho do vaqueiro, tão comum quanto guiar o rebanho.

É contra esse fundo que o prazo deste versículo pode ser lido. Um dia de aviso, para um egípcio, era um dia em que se podia fazer alguma coisa: recitar, oferecer, recolher. O texto não diz que alguém tentou, e não se deve pôr na cena o que ela não mostra. O que o fundo esclarece é que o "amanhã" não era apenas uma informação de calendário: dava tempo, a quem acreditasse, de reagir.

3. Análise Teológica do Versículo

"E o SENHOR marcou um prazo"

Nas pragas anteriores, a data, quando havia, estava dentro de uma fala. Aqui o texto para a narrativa para registrar o ato em si: Deus fixou o momento.

A palavra traduzida por "prazo" é a do encontro marcado, do dia combinado. É a mesma que o Gênesis usa para o nascimento de Isaque, anunciado "no tempo determinado" (Gênesis 18:14). O relato trata a peste como um compromisso com hora: não vai acontecer quando der, vai acontecer quando foi marcado.

Há uma diferença em relação à primeira vez que se falou em "amanhã" nas pragas. Nas rãs, quem escolheu o dia foi Faraó, a convite de Moisés, e o estudo de Êxodo 8:10 trata disso.

"dizendo"

O verbo abre uma fala, mas não diz para quem. O prazo foi dito a Moisés? Dito ao rei? Anunciado ao país? O versículo não esclarece. O leitor supõe que Faraó soube, porque no versículo 7 ele manda verificar o resultado. Mas o texto não mostra a comunicação.

"Amanhã o SENHOR fará isso na terra"

Três detalhes.

"O SENHOR fará": Deus fala de si mesmo na terceira pessoa. Não é "farei". A frase soa como fórmula de anúncio, pronta para ser repetida por outro.

"Isso": a praga não é nomeada. O hebraico diz "esta coisa", e o leitor completa com o versículo 3.

"Na terra": não "no Egito", nem "nos rebanhos". A terra inteira como cenário, sem endereço mais preciso.

E nada preenche o dia de intervalo. Não há resposta de Faraó, não há conversa, não há instrução sobre o que fazer com os animais nesse tempo. O versículo seguinte começa em "no dia seguinte".

4. Pessoas, Lugares e Eventos

O SENHOR

É quem marca o prazo e quem é anunciado como autor do que vai acontecer. Aparece duas vezes num versículo de uma linha.

Os destinatários

Não são nomeados. Moisés, Faraó, os egípcios: qualquer um deles pode ter ouvido o prazo, e o texto não diz quem.

"A terra"

O Egito, sem nome. O cenário da praga é dito da forma mais ampla possível.

O evento

A fixação da data da quinta praga. É o último passo antes da execução.

5. Pontos de Ensino

O tempo da praga é marcado por Deus

O texto registra a marcação como ato próprio, separado do anúncio.

O prazo cria um intervalo

Entre o aviso e o golpe há um dia inteiro. O versículo não diz o que foi feito com ele.

A praga fica sem nome

"Isso", "esta coisa": o que vai acontecer já foi dito, e o prazo só aponta para ele.

6. Aspectos Filosóficos

Quem marca a hora de um acontecimento mostra que o controla. O rei do Egito, que costumava decidir quando as coisas começavam e terminavam na sua corte, recebe aqui um calendário que não escolheu. O versículo não comenta o efeito disso sobre ele. Mas a cena põe o tempo, que no Egito era assunto do rei e dos seus sacerdotes, nas mãos de outro.

7. Aplicações Práticas

O intervalo entre o aviso e o fato

O versículo registra um dia de espera entre o anúncio e o acontecimento. É um tempo vazio no relato: ninguém faz nada nele.

A aplicação é limitada, e o texto não a formula. Para quem lê, o dia vazio tem uma pergunta dentro: o que se faz com um aviso quando ainda há tempo? O versículo não responde — no Egito, pelo que o relato mostra, nada se fez.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

A quem Deus disse o prazo?

O texto não diz. "Dizendo" introduz a frase sem destinatário. Há quem leia o versículo como continuação do recado que Moisés levaria a Faraó; há quem o leia como nota do relato, dita ao leitor. Não é possível decidir.

Os egípcios podiam ter salvado os animais nesse dia?

O versículo não trata disso e não dá nenhuma instrução. A pergunta sobre pôr o gado a salvo aparece no granizo, e não aqui.

9. Conexão com Outros Textos

O "amanhã" escolhido por Faraó

Êxodo 8:10 — "Ele respondeu: 'Amanhã.' E Moisés disse: 'Seja conforme a sua palavra, para que você saiba que não há ninguém como o SENHOR, o nosso Deus.'"

O "amanhã" dito por Deus dentro do recado

Êxodo 8:23 — "E porei um resgate entre o meu povo e o seu povo. Amanhã acontecerá este sinal."

O "amanhã" com hora marcada

Êxodo 9:18 — "Eis que amanhã, a esta hora, farei chover um granizo muito pesado, como nunca houve no Egito desde o dia em que foi fundado até agora."

Três prazos e três formas: escolhido pelo rei, dito dentro do recado, e aqui registrado como ato do SENHOR. No granizo, o prazo ganhará até a hora.

O "tempo determinado" do Gênesis

Gênesis 18:14 — "Existe alguma coisa difícil demais para o SENHOR? No tempo determinado voltarei a você, por esta época, no ano que vem, e Sara terá um filho."

A mesma palavra de "prazo". Lá, o tempo marcado é o de um nascimento; aqui, o de uma morte de rebanhos.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

E o SENHOR marcou um prazo, dizendo: “Amanhã o SENHOR fará isso na terra.”

Texto hebraico

וַיָּשֶׂם יְהוָה מוֹעֵד לֵאמֹר מָחָר יַעֲשֶׂה יְהוָה הַדָּבָר הַזֶּה בָּאָרֶץ׃

Transliteração

wa-yasem YHWH mo'ed lemor: machar ya'aseh YHWH ha-davar ha-zeh ba-arets.

Análise palavra por palavra

וַיָּשֶׂם יְהוָה — wa-yasem YHWH, "e o SENHOR marcou".

Verbo sim, pôr, colocar, estabelecer, na forma que encadeia a narrativa. É um dos verbos mais comuns da língua. Com um objeto de tempo, significa fixar, determinar. A forma narrativa marca que o versículo é relato, e não parte de discurso.

מוֹעֵד — mo'ed, "prazo".

Substantivo da raiz ya'ad, marcar encontro, combinar. Designa o tempo fixado de antemão. É a palavra das festas de Israel e da "tenda do encontro", e o campo dela está no estudo de Gênesis 18:14. Aqui vem sem artigo: "um prazo".

לֵאמֹר — lemor, "dizendo".

Infinitivo de amar, dizer, com a preposição le. Funciona como os dois-pontos antes de uma citação. Não indica destinatário.

מָחָר — machar, "amanhã".

Advérbio simples, o mesmo de Êxodo 8:10, 8:23 e 9:18. Vem no início da fala, em posição de destaque.

יַעֲשֶׂה יְהוָה — ya'aseh YHWH, "o SENHOR fará".

Verbo asah, fazer, no imperfeito de terceira pessoa. O sujeito é o próprio nome de Deus, repetido na mesma linha.

הַדָּבָר הַזֶּה — ha-davar ha-zeh, "isso", ao pé da letra "esta coisa".

Davar com artigo e com o demonstrativo ha-zeh. É a mesma palavra com que o versículo 4 terminou ("não morrerá nada") e a que abre o versículo 6 ("o SENHOR fez esta coisa"). Tem as consoantes de dever, a peste do versículo 3.

בָּאָרֶץ — ba-arets, "na terra".

Erets com preposição e artigo: "na terra", isto é, no país. O hebraico não acrescenta "do Egito".

11. Conclusão

O versículo põe um dia entre o anúncio e a praga e diz que quem o pôs foi Deus. Com base nisso, conclui-se que a peste é apresentada como compromisso com data, e não como acidente que se descobre depois: quando ela vier, virá no dia dito.

E o dia fica vazio. O texto não registra reação, conversa ou preparo. A única coisa que acontece nele é a espera.

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