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Êxodo 6:22

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✍️ Por Alberto Adriano·13 de setembro de 2026·⏱️ 18 min de leitura·👁 26 acessos
Os filhos de Uziel: Misael, Elzafã e Sitri.
Dois homens de manto levantando uma padiola coberta e levando-a para longe de um pátio, ao entardecer.

Estudo


Os filhos de Uziel: Misael, Elzafã e Sitri.

1. Introdução

O versículo fecha o ramo de Coate. Uziel é o quarto e último dos filhos dele, e com estes três nomes a lista termina de percorrer a geração dos primos de Moisés e de Arão.

Dois dos três reaparecerão no Pentateuco — e reaparecerão fazendo uma coisa que ninguém mais podia fazer: carregar corpos para fora do acampamento, quando os filhos de Arão morrerem diante do santuário. É a única vez em que homens deste ramo entram em cena, e o motivo pelo qual foram chamados está inteiro na posição familiar que este versículo registra.

O terceiro, Sitri, não volta mais.

Há ainda um dado que o versículo não enuncia e que os números do Pentateuco entregam: a chefia do clã de Coate acabará não ficando com a linha mais velha, e sim com um homem desta, a mais nova das quatro. A lista prepara isso sem dizer uma palavra a respeito.

2. Contexto Histórico e Cultural

O problema que este versículo resolve sem enunciar

Para entender por que dois homens deste ramo lateral serão chamados por nome num momento grave, é preciso conhecer dois costumes israelitas que entram em choque direto um com o outro.

O primeiro: enterrar é dever do parente mais próximo. No Antigo Oriente, e em Israel também, o corpo era tratado pela família — não havia ofício público encarregado disso. O dever recaía sobre o filho, o irmão, o pai. Ficar insepulto era a pior das sortes, e a obrigação do parente está desenvolvida no estudo de Gênesis 25:9.

O segundo: quem toca um cadáver fica impuro. Números 19:11 estabelece o prazo — sete dias — e a regra alcança quem toca o corpo, quem entra na tenda onde ele está e quem toca o túmulo. Não se trata de sujeira nem de castigo: é uma condição ritual, temporária, que afasta a pessoa do santuário até o prazo correr.

Onde os dois costumes se chocam

Levítico 21:1-3 proíbe ao sacerdote contaminar-se com morto, e abre exceção apenas para os parentes mais chegados: pai, mãe, filho, filha, irmão e a irmã solteira. Levítico 21:10-12 aperta ainda mais para o sumo sacerdote — este não se contamina nem pelo pai nem pela mãe, e não sai do santuário.

Repare no resultado prático, porque ele é exato: as pessoas a quem o dever de enterrar caberia são justamente as que estão proibidas de cumpri-lo. Num caso de morte dentro da casa sacerdotal, o pai não pode tocar no corpo, os irmãos que servem também não, e quem restaria pela ordem natural das coisas está fora.

A solução institucional é a que este versículo torna possível: chamar um parente levita que não seja sacerdote. Precisa ser da família, porque o assunto é de família; precisa estar fora do serviço do altar, porque o serviço não pode ser interrompido por sete dias. Um primo de um ramo colateral atende às duas exigências ao mesmo tempo.

É exatamente esse o papel que Levítico 10:4 registra: Moisés chama Misael e Elzafã, filhos de Uziel — e o texto faz questão de identificar Uziel como tio de Arão, que é a informação deste versículo e do versículo 18 deste capítulo.

Uma nota sobre o Egito, e um limite

A ideia de que quem lida com o corpo fica à parte não é invenção israelita; o tratamento egípcio dos mortos era ofício especializado, e quem o exercia vivia em condição própria. O que os egípcios faziam com o corpo — o preparo, os prazos, o procedimento — está tratado nos estudos de Gênesis 50:2 e 50:3, e não se repete aqui.

E vale a ressalva de método: as regras de Levítico e de Números aparecem no texto depois desta genealogia, e a data em que foram fixadas por escrito é assunto em disputa. O que se pode afirmar é que, dentro do Pentateuco como ele chegou até nós, a lista deste capítulo é o que torna a cena de Levítico 10 compreensível — quem são aqueles dois homens, e por que foram eles.

3. Análise Teológica do Versículo

"Os filhos de Uziel"

É a quarta e última entrada do ramo de Coate, e o texto a trata exatamente como tratou as duas anteriores: fórmula mínima, nomes, ponto.

Vale fixar a posição, porque tudo o que este versículo tem de interessante depende dela. Coate teve quatro filhos: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel. Anrão é o pai de Moisés e de Arão. Uziel é o caçula — o mais distante da linha que a lista persegue, o último nome do último ramo antes de o texto voltar a Arão.

E é justamente sobre esse ramo mais distante que o Pentateuco virá bater quando precisar de alguém.

"Misael, Elzafã"

Os dois primeiros nomes trazem dentro o elemento divino, e serão chamados juntos, sempre nesta ordem, na única cena em que aparecem.

A cena está em Levítico 10:4, e é preciso dizer dela apenas o suficiente. Morreram dois filhos de Arão diante do santuário. Moisés chamou estes dois homens pelo nome, identificando-os como filhos de Uziel, tio de Arão, e mandou que levassem os corpos para fora do acampamento. Eles fizeram isso. Não falam, não são avaliados, não recebem recompensa nem repreensão, e desaparecem do texto.

O que importa aqui é ver que a escolha não foi aleatória. Eles foram chamados porque este versículo os põe onde estão: parentes bastante próximos para que a tarefa lhes coubesse, e bastante afastados do altar para que pudessem executá-la. O fundo da regra está no item 2; o que o versículo faz é criar as duas condições ao mesmo tempo.

Há aqui um dado que costuma passar despercebido e que vale nomear: a lista não existe só para credenciar Moisés e Arão. Ela também guarda quem ficou de fora da linha principal — e o Pentateuco vai precisar exatamente dessa gente.

"e Sitri"

O terceiro filho não reaparece em lugar nenhum. Não é chamado, não dá nome a família, não tem descendência registrada.

O nome dele, além disso, é o único dos três sem o elemento divino, e a coincidência de sentido entre os dois últimos nomes do versículo é curiosa: tanto o segundo quanto o terceiro se formam sobre raízes de esconder, cada uma pela sua. Um diz que Deus guardou; o outro diz "meu esconderijo". A análise das raízes está no item 10.

Convém não forçar nada disso. Nomes de irmãos com campo de sentido próximo aparecem em várias famílias da Bíblia, e o texto não comenta. Tratar a coincidência como mensagem seria acrescentar ao versículo o que ele não traz.

A chefia que a lista não anuncia

Há um último ponto, e ele é de estrutura.

Números 3:30 registra quem chefiava as casas de Coate no acampamento, e o nome é Elizafã, filho de Uziel — em geral identificado com este Elzafã. Ou seja: a chefia do clã de Coate não ficou com a linha mais velha, a de Anrão, e sim com a mais nova.

A razão provável é institucional e não moral: a linha de Anrão foi absorvida pelo sacerdócio, que é outro cargo e outra escala. Quem serve ao altar não chefia o clã. É leitura plausível e o texto não a enuncia — mas o arranjo é observável, e este versículo é onde ele começa.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Uziel

Quarto filho de Coate, conforme Êxodo 6:18, e portanto o mais novo dos irmãos. É tio de Arão e de Moisés pelo lado paterno — e Levítico 10:4 o identifica exatamente assim, "tio de Arão", numa das raras vezes em que o Pentateuco usa esse grau de parentesco para situar alguém.

Não há nenhuma cena com Uziel. O que se sabe dele é a posição e os filhos. O nome dele passa ao grupo dos uzielitas, registrado em Números 3:27 entre os quatro clãs de Coate.

Misael

Filho mais velho de Uziel, primo do pai de ninguém — primo em primeiro grau de Moisés, de Arão, de Corá e dos demais netos de Coate.

Aparece uma única vez em cena, em Levítico 10:4, ao lado do irmão. Não há outra menção a ele em toda a Bíblia. O nome, esse sim, volta: o companheiro de Daniel que a Babilônia rebatizou como Mesaque chamava-se Misael, em Daniel 1:6-7 — outro homem, muitos séculos depois.

Elzafã

Segundo filho de Uziel. Aparece com o irmão em Levítico 10:4 e, com a forma um pouco mais longa do nome, em Números 3:30, como chefe da casa paterna dos clãs de Coate — cargo de responsabilidade real no acampamento, já que os coatitas transportavam os objetos do santuário.

É, dos três, o único que ocupa posto nomeado. E o posto vem do ramo mais novo, não do mais velho.

Sitri

Terceiro filho de Uziel. Não reaparece em nenhum outro versículo da Bíblia, e o nome tampouco volta em outra pessoa. É, de todos os nomes desta parte da lista, o mais completamente silencioso.

O evento que este versículo prepara

A cena de Levítico 10 é a única em que esta família entra na história, e vale registrar o que ela é, sem desenvolvê-la: dois filhos de Arão morrem diante do santuário, e Moisés chama estes dois primos para retirar os corpos do lugar sagrado e levá-los para fora do acampamento. O episódio pertence ao livro de Levítico e ali é que deve ser lido.

5. Pontos de Ensino

A lista guarda quem não está na linha principal

É fácil ler estas genealogias como se existissem apenas para credenciar os protagonistas. Este versículo desmente isso: registra o ramo mais distante, que não gera sacerdote nem profeta, e é justamente desse ramo que o Pentateuco vai precisar.

Quem só guarda o que parece importante fica sem o que vai ser necessário.

Há tarefas que só quem está fora do posto pode fazer

O ponto é estrutural e vale bem além do caso. Os que estavam mais perto do altar eram exatamente os que não podiam tocar no corpo. Fez-se necessário alguém de dentro da família e de fora do serviço.

Toda instituição produz situações assim, e elas não são falha de organização: são consequência de haver funções com regras próprias. Reconhecer isso a tempo evita paralisia.

O serviço que ninguém registra continua sendo serviço

Misael e Elzafã fazem o que lhes foi pedido, não dizem uma palavra e saem do texto. Não há elogio, não há recompensa, não há nome em monumento nenhum.

O Pentateuco, ainda assim, guardou os nomes — nesta lista, antes de qualquer feito, e depois na hora em que foram chamados. O registro veio do pertencimento, não do desempenho.

Antiguidade de ramo não é o mesmo que autoridade

A chefia dos coatitas ficou com um filho do irmão mais novo. Não porque a linha mais velha tivesse falhado, mas porque ela tinha outra coisa a fazer.

Vale como correção de uma expectativa comum: a posição hierárquica, nestes textos, costuma seguir a função, e não a ordem de nascimento.

6. Aspectos Filosóficos

Dois dos três nomes deste versículo levantam, cada um do seu jeito, a mesma pergunta sobre identidade: o que significa carregar a vida inteira um nome que é uma pergunta?

O primeiro deles, pela leitura mais aceita, quer dizer algo como "quem é o que Deus é?" — não uma afirmação, não um elogio, não um pedido, mas uma interrogação sem resposta, dita a cada vez que alguém chamasse aquele homem para comer.

Isso é diferente do que costumamos fazer com nomes. Um nome normalmente fixa: declara uma origem, uma esperança, uma dívida. Este faz o contrário — deixa aberto, e o que ele fixa é justamente a abertura.

Há uma consequência que o versículo não tira e que vale deixar registrada: numa cultura em que o nome dizia alguma coisa sobre a pessoa, existiam nomes cuja mensagem era a de que não se sabe. A confissão e a dúvida podiam caber na mesma palavra, e ninguém achava isso contraditório o bastante para não usá-la.

7. Aplicações Práticas

Alguém tem que estar disponível

A aplicação mais concreta deste versículo é sobre disponibilidade. Quando a hora chegou, quem pôde agir não foi quem tinha o cargo mais alto: foi quem estava livre para agir.

Vale como cuidado prático em família, em equipe, em igreja: manter alguém sem função travada é o que permite atender ao imprevisto. Uma estrutura em que todos estão comprometidos com o essencial não tem quem faça o urgente.

A tarefa que ninguém quer

Carregar corpos para fora do acampamento não era honra nenhuma, custava sete dias de afastamento e não rendeu a estes dois homens uma linha de elogio.

Trabalhos assim existem em toda casa e em toda organização, e quase sempre recaem sobre quem está por perto e não recusa. Reconhecer quem os faz é uma forma barata e rara de justiça.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Por que Levítico 10 chama estes dois, e não os irmãos dos mortos?

Porque os irmãos eram sacerdotes em serviço, e a regra de Levítico 21 os proíbe de se contaminar com morto fora de um pequeno círculo de parentes. Chamar primos de um ramo que não servia ao altar resolvia o problema sem romper nenhuma das duas obrigações.

Uziel era mesmo tio de Arão?

Sim, e o Pentateuco diz isso com todas as letras em Levítico 10:4. É um dos raros casos em que a Bíblia registra o grau exato de parentesco entre dois adultos — e ele bate com a estrutura montada no versículo 18 deste capítulo.

O Elzafã daqui é o Elizafã de Números 3:30?

É a identificação corrente, e a diferença é só de forma do nome — uma versão um pouco mais longa da mesma construção. Não há como provar, mas o pai é o mesmo, o clã é o mesmo e a geração é a mesma.

Por que a chefia do clã não ficou com a linha de Anrão?

O texto não explica. A leitura mais econômica é que aquela linha já estava ocupada com o sacerdócio, que é outra escala de cargos. Não é possível decidir, porque nenhum versículo trata do assunto.

Os nomes de irmãos com sentido parecido querem dizer alguma coisa?

Provavelmente nada além do gosto da família. O segundo e o terceiro nome deste versículo se formam sobre raízes de esconder, mas coincidências assim aparecem em várias famílias da Bíblia sem que o texto as comente.

Sitri some do texto por algum motivo?

Não há motivo registrado. Ele simplesmente não volta. A Bíblia guarda dezenas de nomes assim, e a ausência de notícia não significa nada — nem a favor, nem contra.

9. Conexão com Outros Textos

A linha que põe Uziel onde ele está

Êxodo 6:18 — "Os filhos de Coate: Anrão, Izar, Hebrom e Uziel. E os anos da vida de Coate foram cento e trinta e três."

Uziel é o último dos quatro. É desta linha que sai o parentesco que Levítico 10 vai usar.

A cena em que os dois são chamados

Levítico 10:4 — "E Moisés chamou Misael e Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e disse-lhes: Cheguem-se e levem os seus irmãos de diante do santuário, para fora do acampamento."

É a única aparição destes homens em cena. A identificação pelo pai e pelo grau de parentesco é exatamente a informação que este versículo e o versículo 18 fornecem.

A regra que explica a escolha

Levítico 21:1 — "E o SENHOR disse a Moisés: Fale aos sacerdotes, filhos de Arão, e diga-lhes: O sacerdote não se contaminará por um morto entre o seu povo."

Números 19:11 — "Quem tocar num morto, em qualquer cadáver humano, ficará impuro por sete dias."

As duas regras juntas explicam por que a família imediata não podia fazer o que precisava ser feito.

O posto de Elzafã

Números 3:30 — "E o chefe da casa paterna dos clãs dos coatitas era Elizafã, filho de Uziel."

O ramo mais novo assumindo a chefia do clã inteiro. É o único cargo que esta família recebe no Pentateuco.

O grupo que leva o nome do pai

Números 3:27 — "De Coate saíram a família dos anramitas, a família dos izaritas, a família dos hebronitas e a família dos uzielitas."

Os quatro filhos de Coate viram quatro clãs, com serviço repartido entre eles.

O mesmo nome, muitos séculos depois

Daniel 1:6 — "E entre eles estavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias."

Outro Misael, na Babilônia. O nome continuou em uso, e o homem não tem relação nenhuma com o deste versículo.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português (ABC)

Os filhos de Uziel: Misael, Elzafã e Sitri.

Texto hebraico

וּבְנֵי עֻזִּיאֵל מִישָׁאֵל וְאֶלְצָפָן וְסִתְרִי׃

Transliteração

u-vnei Uzzi'el: Misha'el we-Eltsafan we-Sitri.

Análise palavra por palavra

וּבְנֵי — u-vnei, "e os filhos de". Abertura idêntica à do versículo anterior, e a análise da fórmula está ali; repare apenas que a lista já fez isto quatro vezes seguidas, e que essa repetição é o que dá ao trecho o seu formato de coluna.

עֻזִּיאֵל — Uzzi'el, Uziel. Nome composto de duas partes: uzzi, "a minha força", de oz, força, poder, firmeza; e El, Deus. O sentido corrente é "Deus é a minha força".

A raiz oz não designa força muscular. Ela cobre o que é firme, o que não cede, o que serve de apoio — e é a palavra do cântico de Êxodo 15:2, "a minha força e o meu cântico é o SENHOR". Nomes com essa raiz são comuns em Israel: Uzias, Uzi, Azarias pertencem à mesma vizinhança de sentido.

מִישָׁאֵל — Misha'el, Misael. Aqui há duas propostas, e nenhuma é conclusiva.

A mais aceita lê o nome como uma pergunta de três partes: mi, "quem"; sha, forma reduzida de asher, "que", "aquilo que"; e El, "Deus" — "quem é o que Deus é?". A construção é da mesma família de Miguel, Mikha'el, "quem é como Deus?", e de Micaías, com a mesma pergunta desenvolvida. São nomes em forma de interrogação retórica, e a resposta esperada é "ninguém".

A segunda proposta liga o primeiro elemento a sha'al, "pedir", e lê algo como "pedido a Deus", na vizinhança de Samuel e de Saul. A forma não favorece esta leitura, e ela é minoritária, mas a reduzida sha é pequena demais para decidir sozinha. Não é possível decidir entre as duas com segurança.

וְאֶלְצָפָן — we-Eltsafan, "e Elzafã". Composto de El, Deus, com o verbo tsafan: "Deus escondeu", no sentido de guardou, pôs a salvo, entesourou.

O verbo é importante e o campo dele é positivo. Tsafan é o que se faz com o que se quer conservar: Salmo 27:5 diz que o SENHOR "esconderá" quem nele confia no dia do mal, e Salmo 119:11 usa o mesmo verbo para a palavra guardada no coração. Não é o esconder de quem foge; é o esconder de quem protege.

Números 3:30 traz a forma alongada Elitsafan, com o sufixo de primeira pessoa no elemento divino — "o meu Deus escondeu". As duas formas designam o mesmo homem, pela leitura corrente.

וְסִתְרִי — we-Sitri, "e Sitri". Do substantivo seter, "esconderijo", "abrigo", "lugar coberto", com o sufixo de primeira pessoa: "o meu esconderijo", "o meu abrigo".

A raiz é s-t-r, e é a palavra da abertura do Salmo 91 — "aquele que habita no esconderijo do Altíssimo". Ela também tem o lado escuro: é a raiz de "o SENHOR esconde o rosto", a expressão da ausência divina em Deuteronômio 31:17 e em muitos salmos. A mesma palavra cobre o abrigo e a ocultação.

Como nome próprio, este é o único do seu tipo na Bíblia, e não traz elemento divino explícito. Alguns leem nele um nome abreviado, em que o elemento divino teria caído no uso — o que é hipótese e não se demonstra.

Uma observação, e o seu limite

O segundo e o terceiro nome do versículo saem de duas raízes diferentes que significam a mesma coisa: esconder, guardar, abrigar. É um dado real do hebraico e vale registrá-lo.

O que não se pode fazer é transformá-lo em mensagem. O Êxodo não comenta os nomes deste trecho, não os explica e não os aproxima. Coincidências de campo de sentido entre nomes de irmãos aparecem em outras famílias da Bíblia, e ler intenção onde há apenas gosto de época é acrescentar ao texto.

11. Conclusão

Três conclusões saem deste versículo.

A lista tem utilidade fora de si mesma. Ela não serve apenas para provar de onde vêm Moisés e Arão: ela monta uma estrutura de parentesco que outros livros vão consultar. Sem esta linha, a cena em que dois homens são chamados pelo nome para retirar corpos do santuário seria uma cena de estranhos. Com ela, sabe-se exatamente quem são e por que foram eles.

A regra e a família se ajustam uma à outra. A proibição que impede o sacerdote de tocar em morto não deixa o morto sem quem o carregue — ela apenas empurra a tarefa um degrau para o lado, para dentro da mesma casa. É um arranjo, e é observável no texto; o Pentateuco não o explica em lugar nenhum, o que significa que quem o descreve está lendo, e não citando.

O ramo mais distante não é o ramo descartado. Uziel é o caçula dos quatro filhos de Coate, e é da casa dele que sai o chefe de todo o clã coatita. A ordem de nascimento organiza a lista, mas não decide os cargos — e, neste caso, é a ocupação da linha mais velha com o altar que libera a mais nova para a chefia.

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