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Gênesis 36:23

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✍️ Por Alberto Adriano·5 de setembro de 2026·⏱️ 18 min de leitura·👁 34 acessos
Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.
Detalhe de escrita hebraica antiga em couro gasto, com dois traços verticais quase idênticos destacados pela luz rasante.

Estudo


Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.

1. Introdução

Cinco nomes, o maior grupo da lista dos horeus.

O versículo não traz nenhuma informação além dos nomes. E é justamente aí que está o que ele tem a oferecer.

Dois pontos merecem atenção.

O primeiro é a instabilidade de dois desses nomes. A lista paralela de 1 Crônicas 1:40 traz o primeiro e o quarto com uma letra diferente — em ambos os casos, uma troca entre duas letras hebraicas que se parecem tanto que os próprios manuscritos antigos as confundem.

O segundo é o que alguns desses nomes designam em outros lugares da Bíblia. Um deles é o de um monte famoso em Israel; outro, o de uma povoação em Judá. A mesma palavra, coisas sem relação nenhuma.

Sobre os homens em si, o texto não diz nada, e nada se sabe.

2. Contexto Histórico e Cultural

Letras que se parecem

Boa parte das variações de nome deste capítulo tem uma causa material, e ela é simples: certas letras hebraicas se parecem demais.

O caso deste versículo é o par formado pelas duas letras que representam, respectivamente, o som de "v" e o de "i". Na escrita quadrada — a que se usa nos manuscritos hebraicos e nas Bíblias impressas em hebraico até hoje —, as duas são traços verticais que diferem apenas no comprimento. Uma é ligeiramente mais longa que a outra, e nada mais.

Nos rolos encontrados junto ao mar Morto, copiados entre os séculos III a.C. e I d.C., a semelhança é ainda maior. Há palavras nesses manuscritos em que os especialistas não conseguem decidir qual das duas letras está escrita, e a leitura depende do sentido da frase.

É exatamente esse par que separa as duas formas do primeiro nome deste versículo, e as duas do quarto.

Outros pares que causam problema

O fenômeno não se limita a esse caso, e conhecê-lo ajuda a ler qualquer lista de nomes bíblica.

As letras que representam "d" e "r" diferem por um ângulo mínimo no canto superior direito, e as trocas entre elas são das mais frequentes. Há um caso célebre nas listas de povos: o nome que aparece como Dodanim em Gênesis 10:4 surge como Rodanim em 1 Crônicas 1:7.

As letras de "b" e de "k" também se aproximam, assim como as que representam sons próximos de "n" final e de "z" em certas caligrafias.

Nada disso põe em causa o texto como um todo. Afeta justamente o material mais frágil: nomes próprios, que o copista não pode corrigir pelo sentido, porque um nome não tem sentido que denuncie o erro.

A escrita mudou de forma

Há um dado a mais, e ele é importante para entender por que certas variações existem.

O hebraico não foi sempre escrito com as letras que hoje se veem numa Bíblia hebraica. Até o exílio na Babilônia usava-se um alfabeto de forma diferente, aparentado ao fenício, que os estudiosos chamam de escrita hebraica antiga. Depois do exílio, sob influência aramaica, adotou-se progressivamente a escrita quadrada.

Os dois sistemas têm semelhanças e diferenças próprias entre as letras. Isso significa que uma confusão possível num deles pode não ser possível no outro — e os especialistas usam justamente isso para tentar datar quando um erro entrou no texto.

É um trabalho de detalhe, com resultados modestos e muitas incertezas. Mas mostra que a diferença entre "Alvã" e a forma de Crônicas não é mistério: é oficina.

Nomes que viajam

Dois dos cinco nomes deste versículo designam, em outros lugares da Bíblia, lugares em território israelita.

Isso pode ter várias causas, e vale listá-las sem escolher. Pode ser coincidência de vocabulário, já que hebraico e edomita eram línguas muito próximas. Pode ser deslocamento de população, e é fato documentado que grupos edomitas se moveram para o sul de Judá. Pode ser que um mesmo nome tenha sido dado independentemente em dois lugares, o que acontece o tempo todo com nomes descritivos de paisagem.

Não é possível decidir caso a caso, e propostas que ligam um clã edomita a uma povoação de Judá com base apenas no nome são frágeis.

3. Análise Teológica do Versículo

"Estes são os filhos de Sobal"

A fórmula volta ao padrão da lista, depois da abertura irregular do versículo anterior.

Sobal é o segundo dos sete filhos de Seir, apresentado em Gênesis 36:20. Sobre ele, nada se conta além desta descendência.

Vale registrar o tamanho do grupo: cinco filhos, o maior dos sete clãs horeus. Lotã teve dois, Zibeão dois, Aná dois, Disom quatro, Eser três, Disã dois.

Num sistema de clãs, o número de subdivisões é indicador de peso — mais famílias significam mais gente, mais pastagem e mais voz nas decisões comuns. O texto não comenta, e a informação está lá para quem sabe lê-la.

"Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã"

Cinco nomes sem qualquer qualificação. Nenhum recebe título, ordem, território ou episódio.

Dois deles chegaram até nós em duas formas. A lista paralela de 1 Crônicas 1:40 traz o primeiro nome com uma letra diferente, e o quarto também. Nos dois casos, a troca é entre as duas letras hebraicas mais parecidas entre si.

Não é possível decidir qual forma é a original em nenhum dos dois casos. E vale notar o que a dificuldade não é: ela não afeta nada do que o versículo comunica. Cinco clãs saíram de Sobal, e é isso que a lista registra.

Nomes que existem em outro lugar

Três dos cinco nomes reaparecem na Bíblia, aplicados a coisas sem nenhuma relação com este clã.

Manaate é uma povoação em território israelita, mencionada em 1 Crônicas 8:6, e dá nome a um grupo de famílias em 1 Crônicas 2:52-54.

Ebal é o nome de um dos dois montes entre os quais Israel se posicionou para ouvir as bênçãos e as maldições da lei, em Deuteronômio 11:29 e Josué 8:30-35. É um dos lugares mais carregados de significado no Antigo Testamento — e não tem relação nenhuma com este horeu.

Onã difere por uma única letra do nome do segundo filho de Judá, em Gênesis 38:4, cuja história é uma das mais desconfortáveis do livro. São nomes diferentes, ainda que próximos, e são pessoas diferentes.

A observação vale como cautela de leitura. Encontrar um nome conhecido numa lista obscura não estabelece ligação nenhuma.

O que o versículo não diz

Vale a pena marcar o silêncio, porque ele é total.

Não se diz onde esses cinco clãs se instalaram, o que fizeram, com quem se aliaram, quanto tempo duraram. Não se diz nem sequer se chegaram a existir como grupos separados, ou se são apenas nomes numa árvore.

Este é o ponto mais árido do capítulo, e é honesto reconhecê-lo. O versículo preserva cinco nomes, e o valor dele está aí — em ter preservado.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Sobal

Segundo filho de Seir, e o mais ramificado dos sete clãs horeus, com cinco filhos.

Sobre ele, o capítulo só informa a descendência e o título de chefe, em Gênesis 36:29. Não há episódio, território próprio nem menção fora deste capítulo e da lista paralela de Crônicas.

O mesmo nome é usado por israelitas da linha de Judá, em 1 Crônicas 2:50 e 4:1-2, ali ligado à fundação de Quiriate-Jearim. Não há relação.

Alvã

O primeiro dos cinco. Em 1 Crônicas 1:40 o nome aparece com uma letra diferente, que muda o som de "v" para "i".

A origem é duvidosa. Propõe-se ligação com uma raiz de "ser alto" ou com uma de "injustiça", sem que nenhuma se sustente. Nada se sabe sobre o homem.

Manaate

O segundo, e um dos poucos nomes deste capítulo que reaparece como lugar.

Há uma povoação chamada Manaate mencionada em 1 Crônicas 8:6, para onde benjamitas foram levados; e um grupo chamado manaatitas em 1 Crônicas 2:52 e 2:54, ligado à descendência de Calebe. O sítio costuma ser situado a sudoeste de Jerusalém, e a identificação é discutida.

O nome vem da raiz de "descansar, repousar", e significa algo como "lugar de repouso" — sentido comum para nome de povoação.

Se há alguma ligação entre o clã horeu e a povoação de Judá, não é possível saber. Deslocamentos de população edomita para o sul de Judá são documentados, mas em período muito posterior a este.

Ebal

O terceiro, e o nome de maior carga em toda a Bíblia — só que aplicada a outra coisa.

O monte Ebal fica junto a Siquém, no centro de Canaã, e forma par com o monte Gerizim. Deuteronômio 11:29 e 27:12-13 mandam que as bênçãos sejam proclamadas de um e as maldições do outro, e Josué 8:30-35 conta que Josué construiu ali um altar e leu a lei diante de todo o povo.

Nada disso tem qualquer relação com este horeu. É a mesma palavra aplicada a um homem e a uma montanha, a mais de trezentos quilômetros de distância.

Vale registrar ainda que o mesmo nome aparece numa terceira posição: em 1 Crônicas 1:22, entre os descendentes de Joctã, onde Gênesis 10:28 traz uma forma ligeiramente diferente. É outro caso de variação de uma letra.

Sefô

O quarto. Em 1 Crônicas 1:40 aparece com a mesma troca de letra que atingiu o primeiro nome do versículo.

Não confundir com Zefô, filho de Elifaz, mencionado em Gênesis 36:11 e 36:15: os dois nomes se parecem em português, mas começam com consoantes diferentes em hebraico e são nomes distintos.

A origem é incerta. A proposta mais citada liga o nome a uma raiz de "nu, desnudo, calvo", ou a uma de "altura descampada". Nenhuma se impõe.

Onã

O quinto e último. O nome se liga à palavra hebraica para "vigor, força", a mesma que aparece em Gênesis 49:3, quando Jacó chama Rúben de "o princípio da minha força".

É preciso separá-lo de dois outros. O segundo filho de Judá, em Gênesis 38:4, tem nome muito parecido, com a última letra diferente — e a história dele, que rendeu uma palavra ao vocabulário comum, não tem nenhuma relação com este clã horeu.

Há ainda um Onã israelita, filho de Jerameel, em 1 Crônicas 2:26 e 2:28. Também sem relação.

5. Pontos de Ensino

O erro de cópia tem causas materiais

Duas variações de nome num único versículo, e as duas envolvem o mesmo par de letras — as duas mais parecidas do alfabeto hebraico.

Isso desloca a discussão do terreno da suspeita para o do ofício. Não se trata de descuido moral nem de adulteração: trata-se de dois traços verticais que diferem em milímetros.

Saber disso muda o modo de encarar as diferenças entre listas paralelas. Elas se concentram exatamente onde a escrita é mais frágil, e são raras onde o sentido protege o texto.

Nomes próprios são o material mais frágil de um texto

Um copista que troca uma letra numa palavra comum produz algo sem sentido, e percebe. Um copista que troca uma letra num nome produz outro nome, igualmente possível.

É por isso que as listas genealógicas concentram as divergências entre manuscritos, e é por isso que elas são, ao mesmo tempo, o lugar onde os problemas são mais visíveis e onde eles têm menos consequência.

Coincidência de nome não é indício

Ebal é um horeu obscuro e é o monte das maldições. Onã é um clã de Seir e quase o nome de um filho de Judá.

Ver ligação nisso é um erro fácil e comum. Nomes se repetem, sobretudo quando vêm de palavras correntes da língua — e "lugar de repouso", "vigor", "altura" são palavras que qualquer povo semítico usaria.

Uma lista pode não ter nada além dos nomes

Este versículo não oferece episódio, geografia, ensino ou consequência. Cinco nomes, e ponto.

É honesto dizê-lo. A tentação, diante de um texto assim, é produzir sentido onde não há — e o resultado costuma ser invenção com aparência de erudição.

6. Aspectos Filosóficos

A mesma palavra, coisas sem relação

Ebal, aqui, é um homem de Seir do qual nada se sabe. Ebal, em Deuteronômio e em Josué, é a montanha diante da qual Israel ouviu as maldições da lei.

A questão que isso levanta é sobre o funcionamento dos nomes: o que exatamente um nome próprio diz?

Nome próprio não descreve, aponta

Uma palavra comum descreve. "Montanha" se aplica a qualquer montanha, porque carrega um conteúdo que várias coisas satisfazem.

Um nome próprio funciona de outro modo: ele aponta para um indivíduo determinado, e não descreve nada. Por isso a mesma palavra pode nomear um homem, um monte e uma cidade sem que nada os aproxime — o nome não afirma que eles se parecem, apenas os endereça.

É a razão pela qual homonímia entre nomes próprios é tão comum e tão inofensiva na fala, e tão perigosa num documento antigo, onde o contexto que apontava se perdeu.

Quando a origem do nome deixa de importar

Muitos nomes nasceram de palavras com sentido. Manaate quer dizer "lugar de repouso"; Onã se liga a "vigor".

Mas esse sentido raramente continua ativo. Ninguém que ouvia "Manaate" pensava em repouso, do mesmo modo que ninguém, hoje, ao ouvir um nome de pessoa, pensa no significado que ele teve em outra língua.

Daí um cuidado necessário na leitura da Bíblia: extrair mensagem do significado etimológico de um nome é quase sempre operação do comentarista, não do texto. Quando o texto quer que o sentido importe, ele diz — e o Gênesis faz isso com frequência, explicando por que alguém recebeu certo nome.

Aqui não explica nada. São só nomes.

Onde a leitura não vale

Convém marcar o limite: o versículo não discute nomes, sentidos nem referências. Lista cinco.

Toda a observação acima é de quem compara este versículo com outros lugares da Bíblia, e serve para evitar um erro de leitura — não para atribuir ao Gênesis uma reflexão sobre linguagem que ele não faz.

7. Aplicações Práticas

Conferir antes de concluir

Este versículo não traz aplicação prática, e forçar uma seria produzir exatamente o tipo de enchimento que ele não comporta.

O que ele treina é um reflexo: encontrar um nome conhecido num lugar inesperado não significa nada por si. Vale para leitura de texto, para pesquisa de família e para qualquer conferência de cadastro.

Copiar com atenção onde não há sentido para proteger

Nomes, números e códigos são o que mais se erra ao transcrever, porque o erro não produz absurdo — produz outra coisa igualmente plausível.

Quem transcreve dados assim faz bem em conferir duas vezes. É a mesma razão pela qual os copistas antigos acabaram desenvolvendo o hábito de contar letras.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Qual é a forma correta dos nomes: a do Gênesis ou a de Crônicas?

Não é possível decidir.

Nos dois casos deste versículo, a diferença é entre as duas letras mais parecidas do alfabeto hebraico. Nenhuma das duas listas tem prioridade automática, e a escolha das traduções segue o texto que adotam como base.

O Ebal deste versículo tem relação com o monte Ebal?

Nenhuma.

Um é um horeu de Seir, no sul; o outro é uma montanha no centro de Canaã. A coincidência é de palavra, e nomes próprios se repetem sem que isso indique ligação.

O Onã deste versículo é o filho de Judá?

Não. Os dois nomes diferem por uma letra em hebraico, e as pessoas são de famílias, povos e épocas diferentes.

A semelhança em português é maior do que a semelhança no original.

Por que Sobal tem mais filhos que os outros clãs?

O texto não explica.

Num sistema de clãs, mais subdivisões costumam indicar mais gente e mais peso. É leitura razoável e não é afirmação do texto, que se limita a listar.

Esses cinco clãs existiram mesmo?

Não há como verificar.

Nenhum deles aparece fora desta lista e da cópia dela em Crônicas, e não há qualquer vestígio material dos horeus. O que se pode dizer é que alguém, em algum momento, considerou essa informação digna de registro.

9. Conexão com Outros Textos

A lista paralela, com as variações

1 Crônicas 1:40 — "Os filhos de Sobal: Aliã, Manaate, Ebal, Sefi e Onã. Os filhos de Zibeão: Aiá e Aná."

O primeiro e o quarto nomes aparecem com uma letra diferente. As duas letras envolvidas são as mais parecidas do alfabeto hebraico.

Outros casos da mesma troca

Gênesis 10:4 — "Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Dodanim."

1 Crônicas 1:7 — "Os filhos de Javã: Elisá, Társis, Quitim e Rodanim."

A mesma lista, com um nome que muda de letra. É um dos exemplos mais conhecidos de variação entre listas paralelas.

Gênesis 10:28 — "e Obal, e Abimael, e Sabá."

1 Crônicas 1:22 — "e Ebal, e Abimael, e Sabá."

O mesmo nome deste versículo, em outra genealogia, também com duas formas.

Onde os nomes reaparecem como lugares

Deuteronômio 11:29 — "porás a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal."

Josué 8:30 — "Então Josué edificou um altar ao SENHOR, Deus de Israel, no monte Ebal."

O mesmo nome, aplicado a um dos lugares mais carregados do Antigo Testamento.

1 Crônicas 8:6 — "e estes são os filhos de Eúde, cabeças das famílias dos moradores de Geba, os quais foram levados cativos a Manaate."

1 Crônicas 2:54 — "os filhos de Salma: Belém, os netofatitas, Atarote, a casa de Joabe e metade dos manaatitas."

Manaate como povoação e como nome de um grupo de famílias em Judá.

Os nomes próximos, que não são o mesmo

Gênesis 38:4 — "Tornou ela a conceber e deu à luz um filho, e chamou-lhe Onã."

O segundo filho de Judá. Nome parecido, letra final diferente, pessoa sem qualquer relação.

Gênesis 49:3 — "Rúben, tu és meu primogênito, minha força e o princípio do meu vigor."

A palavra hebraica de que provavelmente vem o nome do quinto filho de Sobal.

10. Original Hebraico e Análise

Texto em português

Estes são os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.

Texto hebraico

וְאֵלֶּה בְּנֵי שׁוֹבָל עַלְוָן וּמָנַחַת וְעֵיבָל שְׁפוֹ וְאוֹנָם

Transliteração

ve'elleh benei Shoval: 'Alvan uManachat ve'Eival, Shefo ve'Onam.

Análise palavra por palavra

עַלְוָן — 'Alvan, "Alvã".

Em 1 Crônicas 1:40 o nome é 'Alyan. A diferença está na terceira letra: uma marca o som de "v", outra o de "i", e as duas são traços verticais que diferem apenas no comprimento.

Nos manuscritos encontrados junto ao mar Morto essas duas letras chegam a ser indistinguíveis, e os especialistas leem uma ou outra pelo sentido da palavra. Num nome próprio, não há sentido que ajude.

A origem é duvidosa. Propõe-se ligação com a raiz de "ser alto"; não há apoio suficiente.

מָנַחַת — Manachat, "Manaate".

Da raiz de "descansar, repousar, pousar" — a mesma de menuchah, "descanso", palavra do Salmo 23:2, "junto às águas de descanso".

O sentido é algo como "lugar de repouso", formação típica de nome de povoação. É uma das poucas etimologias seguras deste versículo.

עֵיבָל — 'Eival, "Ebal".

Origem discutida. As propostas correntes ligam o nome a uma raiz de "ser calvo, pelado" — o que descreveria bem uma encosta sem vegetação — ou a uma de "pedra". Nenhuma é segura.

A mesma palavra nomeia o monte de Deuteronômio 11:29 e de Josué 8:30. Nomes próprios apontam para indivíduos e não descrevem: a coincidência não indica relação nenhuma entre o homem e a montanha.

שְׁפוֹ — Shefo, "Sefô".

Em 1 Crônicas 1:40 aparece como Shefi, com a mesma troca de letra que atingiu o primeiro nome do versículo.

Existe uma palavra hebraica muito próxima, shefi, que designa uma elevação despida de vegetação, um alto pelado — aparece em Jeremias 3:2 e em Isaías 41:18. Se o nome vem daí, é plausível e não é demonstrável.

Convém não confundir com Tzefo, filho de Elifaz, em Gênesis 36:11: em hebraico os dois começam com consoantes diferentes.

אוֹנָם — 'Onam, "Onã".

Da palavra 'on, "vigor, força, potência" — a mesma de Gênesis 49:3, onde Jacó chama Rúben de "princípio do meu vigor", e de Deuteronômio 21:17.

É preciso distinguir do nome do segundo filho de Judá, 'Onan, em Gênesis 38:4. As duas formas diferem na última letra, e em português a diferença quase desaparece.

A conjunção que liga os nomes

Vale uma observação sobre a forma da lista.

Em hebraico, os nomes não aparecem separados por vírgula, como em português: cada um vem precedido da letra que faz o papel de "e". Nesta frase, três dos cinco nomes a trazem, e dois não.

A distribuição não segue regra evidente, e o mesmo tipo de irregularidade aparece em outras listas do capítulo. É variação de escrita, sem efeito sobre o sentido, e não sustenta conclusão nenhuma sobre agrupamentos dentro da lista.

11. Conclusão

O versículo lista cinco nomes e nada mais, e é honesto começar por aí: este é o ponto mais árido do capítulo.

A primeira conclusão é sobre a origem das variações. Dois dos cinco nomes chegaram em duas formas, e nos dois casos a diferença está entre as duas letras mais parecidas do alfabeto hebraico — traços verticais que diferem no comprimento e que os manuscritos do mar Morto chegam a tornar indistinguíveis. Disso decorre que as divergências entre listas paralelas não são mistério: são consequência da escrita.

A segunda é sobre por que essas divergências se concentram em genealogias. Um erro numa palavra comum produz absurdo e se denuncia; um erro num nome produz outro nome, igualmente possível. Nomes próprios são o material que menos se protege sozinho.

A terceira é sobre homonímia. Ebal é aqui um horeu obscuro e, em Deuteronômio e Josué, o monte das maldições; Onã se parece com o nome do segundo filho de Judá. Nada disso indica ligação: nomes próprios apontam para indivíduos, e não descrevem nem aproximam o que nomeiam.

A quarta é sobre o que se pode dizer de uma lista assim. Cinco clãs saíram de Sobal, e essa é toda a informação disponível. Não há episódio, geografia nem ensino a extrair — e reconhecer isso é preferível a produzir sentido onde não há.

Resta o que o versículo faz sem propor: preserva cinco nomes que, de outro modo, não existiriam em lugar nenhum.

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