Mas os magos fizeram o mesmo com as suas artes ocultas, e também fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
1. Introdução
Os especialistas do rei entram em cena e fazem a mesma coisa.
Quem eles são, o que significa o termo hebraico traduzido por "magos" e o que eram as "artes ocultas" já está desenvolvido no estudo de Êxodo 7:11, e o fato de o texto registrar a repetição do sinal sem uma palavra de defesa está no estudo de Êxodo 7:22. Nada disso se reabre aqui.
O que é deste versículo é uma coisa só, e ela é estranha o bastante para sustentar o estudo inteiro: eles fazem subir mais rãs.
Não tiram as que estão. Não protegem a casa do rei. Não desfazem nada. Repetem o gesto de Arão, com o mesmo verbo que a ordem do versículo 5 usou, e o resultado é que a terra do Egito, já coberta, recebe mais uma remessa.
E o Êxodo não comenta. Não diz que foi tolice, não ironiza, não registra reação de ninguém. Escreve a frase e passa ao versículo seguinte, em que o rei chama Moisés e Arão — e não os seus próprios técnicos.
O item 2 mostra por que o gesto é mais surpreendente do que parece: no Egito, quase tudo o que se sabe de prática mágica servia para afastar bichos pequenos, e não para trazê-los.
2. Contexto Histórico e Cultural
A magia egípcia servia, quase sempre, para espantar bicho
Há um dado geral sobre a prática mágica no Egito que este versículo torna interessante, e ele se verifica simplesmente olhando o que sobrou.
O material é vasto: papiros de fórmulas, estelas gravadas, amuletos, objetos de casa, textos de parede. E a esmagadora maioria dele tem a mesma finalidade — proteger. Proteger do escorpião, da cobra, do crocodilo, da doença, do sonho ruim, do que se atribuía a espíritos. O Egito produziu uma quantidade enorme de material para manter criaturas pequenas do lado de fora, e quase nada para trazê-las para dentro.
O estudo de Êxodo 7:11 mostra quem era o profissional desse ofício e por que a leitura em voz alta da fórmula certa era o centro da técnica. O que se acrescenta aqui é o conteúdo do repertório.
As estelas em que se despejava água
O objeto mais eloquente dessa tradição é uma peça de pedra que existe às centenas em museus.
Chamam-se estelas de Hórus. São lajes, geralmente pequenas, com uma figura central: a criança Hórus, de frente, de pé sobre dois crocodilos, segurando nas mãos serpentes, escorpiões, um leão e um antílope. Em volta e no verso, o texto de fórmulas contra picada e mordida.
O uso é o que importa, e é engenhoso: derramava-se água sobre a estela, de modo que ela escorresse por cima dos sinais gravados, e recolhia-se essa água embaixo. A água, tendo passado pelas palavras, era bebida pelo picado ou aplicada sobre a ferida. A fórmula escrita virava remédio líquido.
A maior e mais completa dessas peças é a Estela de Metternich, do século IV antes de Cristo, hoje no Metropolitan Museum, em Nova York. Ela é coberta dos dois lados por dezenas de fórmulas, e o nome vem do diplomata austríaco a quem foi dada de presente no século XIX.
Os textos dessas estelas contam sempre a mesma história, em variantes. Ísis está escondida nos pântanos do Delta com o filho pequeno, e a criança é picada por um escorpião — ou por uma cobra — enquanto a mãe está fora. Ela grita, os deuses acodem, e a criança é curada. Quem lia a fórmula sobre um doente estava, na lógica do rito, repetindo aquela cura: o paciente vira Hórus, e o que funcionou lá funciona aqui.
E dentro de casa
O mesmo cuidado aparece na vida doméstica, em escala menor.
Há fórmulas para dizer ao entardecer, quando os escorpiões saem; fórmulas para selar o buraco por onde a cobra entra; fórmulas para proteger quem dorme. Havia objetos de proteção para crianças pequenas — o estudo de Êxodo 1:16 menciona as varinhas de marfim decoradas com figuras protetoras, e não se refaz aqui o que aquele estudo trata.
O padrão é sempre o mesmo. A ameaça é um bicho pequeno que entra onde não deve; a técnica é a palavra que o mantém fora.
O que isso faz com este versículo
Ponha as duas coisas lado a lado.
De um lado, um país com séculos de tradição acumulada em manter rãs, cobras e escorpiões longe de gente. Do outro, um versículo em que os profissionais dessa tradição fazem exatamente o contrário: trazem mais bichos para dentro.
É preciso dizer o que essa observação permite e o que não permite.
Permite registrar que o gesto descrito não tem paralelo conhecido na prática egípcia documentada. Não se conhece rito egípcio para convocar rãs, e a finalidade normal da técnica era o inverso.
Não permite dizer que eles fizeram a coisa errada, nem que deviam ter tentado outra, nem que o texto esteja rindo deles. O Êxodo não descreve procedimento, não explica motivo e não emite juízo — e a ausência de paralelo egípcio para o que o texto descreve não é argumento contra o texto nem a favor dele. É apenas o contorno do que se sabe.
Há ainda uma ressalva de método que vale a pena. O material mágico egípcio que sobreviveu é o que foi guardado em túmulo, gravado em pedra ou copiado em rolo de templo — isto é, o material que alguém teve interesse em conservar. O que se fazia e não se registrava está perdido, e nenhuma conclusão sobre "o que os egípcios não faziam" é segura. O que se pode afirmar é o que o acervo disponível mostra.
3. Análise Teológica do Versículo
"Mas os magos fizeram o mesmo com as suas artes ocultas"
A frase é quase idêntica à de Êxodo 7:22, e o essencial dela já tem dono.
Quem são esses profissionais, o que o termo hebraico designa e por que "artes ocultas" é boa tradução se entendida ao pé da letra — as artes cujo mecanismo fica encoberto — está no estudo de Êxodo 7:11, itens 2 e 10. O fato de o Êxodo usar para eles a mesma fórmula verbal que usa para Moisés e Arão, sem nenhuma palavra de contraste, está no estudo de Êxodo 7:22.
Duas notas curtas e próprias daqui.
A primeira: eles não são convocados. Em Êxodo 7:11 o texto conta que o rei mandou chamá-los. Aqui não há convocação registrada: eles simplesmente aparecem fazendo. O Êxodo não diz quem os mandou, se o rei ordenou ou se agiram por conta própria.
A segunda: é a última vez que dá certo. Onze versículos adiante, em Êxodo 8:18, os mesmos profissionais tentarão e não conseguirão. Aquele versículo é o dono do fracasso e do silêncio do texto sobre a causa dele; aqui basta saber que este é o terceiro e último sinal repetido com sucesso.
"e também fizeram subir rãs sobre a terra do Egito"
Aqui está o versículo inteiro, e vale ler devagar.
O verbo é o mesmo da ordem dada a Arão, na mesma forma — a forma causativa, a de "fazer subir". Em Êxodo 8:5 a instrução foi: faça subir as rãs sobre a terra do Egito. Aqui: fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
E o alvo também é o mesmo, palavra por palavra: sobre a terra do Egito. É a terceira vez que a expressão aparece em três versículos — na ordem, na execução e agora aqui.
Junte as peças e o resultado é o seguinte. A terra do Egito já estava coberta de rãs, segundo o versículo anterior. Os especialistas do rei acrescentam mais.
O que isso tem de estranho
Convém expor a estranheza com clareza, porque ela some numa leitura corrida.
Um rei com o país coberto de bichos tem um problema prático a resolver. O que se esperaria dos técnicos dele é uma tentativa de reverter — afastar as rãs, proteger o palácio, limpar a casa. É isso, aliás, que o próprio rei vai pedir no versículo seguinte, e vai pedir a Moisés.
Em vez disso, eles demonstram que também sabem fazer.
O Êxodo escreve isso sem uma palavra de comentário. Não diz que foi inútil, não diz que foi absurdo, não registra que alguém tenha achado estranho. E é importante não pôr na boca do texto a ironia que o leitor moderno sente: o Êxodo não está debochando de ninguém aqui.
O que o texto não diz, e que a leitura corrente costuma acrescentar
Quatro acréscimos comuns, e vale desmontá-los um a um.
Que era truque. O texto não diz. Usa para eles o verbo mais comum e mais neutro da língua — fazer —, exatamente o mesmo que usou para Arão. O estudo de Êxodo 7:11 mostra que o Êxodo não acrescenta uma sílaba de juízo ao nomear o ofício, e o de Êxodo 7:22 mostra que, quando os comentaristas propõem explicações de destreza manual, quem as propõe são eles e não o livro.
Que o deles era menor. O texto não compara escalas. Não diz que Arão fez muitas e eles poucas, não diz que as rãs deles eram diferentes, não diz que duraram menos. Dá o mesmo verbo, o mesmo objeto e o mesmo alvo.
Que eles estavam tentando desfazer e erraram. Também não está no texto. O que o versículo registra é uma repetição bem-sucedida do mesmo efeito.
Que o rei ficou impressionado. O Êxodo não conta reação nenhuma. O versículo seguinte mostra o rei chamando Moisés e Arão, e nada mais se diz dos magos neste episódio.
O que se pode observar, e como dizê-lo honestamente
Feita a limpeza, sobra uma observação sólida, e ela é de posição, não de conteúdo.
A demonstração dos técnicos não resolve o problema do rei. Isso não é juízo sobre a arte deles nem sobre a competência deles: é uma constatação sobre o tipo de coisa que eles sabem fazer. Repetir um sinal prova capacidade; não prova controle sobre o que já está acontecendo.
E há um dado do texto que sustenta a observação sem que seja preciso interpretar nada: no versículo seguinte, o rei chama Moisés e Arão. Não chama os seus magos. É a primeira vez no livro que ele pede alguma coisa, e o pedido não é dirigido a quem acabou de fazer uma demonstração diante dele.
O Êxodo não liga as duas coisas com nenhuma palavra — não há "por isso", não há "vendo que". Apenas põe os dois versículos em sequência. O estudo de Êxodo 8:8 é o dono do pedido do rei.
Um detalhe de tradução
O "também" da versão portuguesa merece nota, porque não corresponde a palavra nenhuma do hebraico.
Em Êxodo 7:11 havia, ali sim, duas partículas de "também", e o estudo daquele versículo as analisa. Aqui não há nenhuma. O hebraico encadeia simplesmente: fizeram assim, e fizeram subir as rãs. O "também" foi acrescentado em português para a frase fluir, e o item 10 registra a diferença.
4. Pessoas, Lugares e Eventos
Os magos
É a terceira aparição deles no livro. Em Êxodo 7:11 foram convocados diante do cajado que virou serpente; em Êxodo 7:22 repetiram o sangue; aqui repetem as rãs.
Quem eram, que ofício egípcio corresponde ao termo hebraico e por que o cargo era oficial e respeitável — não clandestino nem vergonhoso — está desenvolvido no estudo de Êxodo 7:11.
Registre-se apenas a trajetória deles dentro do capítulo, porque ela é curta e tem fim. Depois deste versículo, aparecem mais duas vezes: em Êxodo 8:18, quando tentam produzir piolhos e não conseguem, e em Êxodo 8:19, quando dizem ao rei que aquilo é o dedo de Deus. Depois disso saem da narrativa — com uma única menção final, em Êxodo 9:11, para dizer que não podiam sequer ficar de pé diante de Moisés por causa das úlceras.
A terra do Egito
Terceira ocorrência da expressão em três versículos consecutivos. É o alvo da ordem, o alvo da execução e o alvo da repetição.
O que ela abrangia está no estudo de Êxodo 8:2.
Quem não está na cena
Vale notar duas ausências.
O rei não é mencionado neste versículo. Não se diz que ele mandou chamar os magos, não se diz que assistiu, não se diz o que achou. Em Êxodo 7:11 o texto tinha registrado a convocação com todas as letras; aqui, nada.
Moisés e Arão também não aparecem. Eles agiram no versículo anterior e voltam no seguinte, chamados pelo rei. Neste versículo, os únicos personagens são os técnicos egípcios.
5. Pontos de Ensino
Saber repetir não é saber desfazer
Os especialistas do rei mostram que também sabem produzir o efeito. O que o rei precisava era do contrário.
O ponto não é sobre a competência deles, e sim sobre a natureza do que eles dominam. Reproduzir um resultado e controlar um processo em curso são habilidades diferentes, e a primeira não implica a segunda — o que vale para muito mais coisa do que para rãs.
O texto não deprecia o outro lado
Este é o ponto de leitura mais importante do versículo, e ele é contraintuitivo.
O Êxodo usa para os egípcios o mesmo verbo que usa para Arão. Não diz truque, não diz imitação malfeita, não diz falsidade. Quem quiser sustentar que era engano estará acrescentando ao texto, e é melhor saber que está.
Uma demonstração não responde a um problema
O que acontece neste versículo é uma prova de capacidade. O que estava em jogo era outra coisa.
Vale reter a distinção, porque ela é comum em conversas de trabalho e de casa: mostrar que se sabe fazer é uma resposta a "você seria capaz?", e não a "como resolvemos isto?". Trocar uma pergunta pela outra é frequente e quase nunca é percebido por quem faz a troca.
O problema continua depois da resposta
Terminado o versículo, o Egito tem mais rãs do que tinha no começo dele.
Não é preciso moralizar. Basta observar a aritmética da cena, que é do texto: a única ação registrada neste versículo aumentou aquilo de que todos queriam se livrar.
6. Aspectos Filosóficos
Provar que se sabe, quando o que se pedia era outra coisa
O versículo põe em cena um tipo de resposta que qualquer leitor reconhece: alguém, diante de um problema, demonstra domínio da técnica em vez de aplicá-la ao que está acontecendo.
A questão que isso levanta é sobre o que conta como resposta. Uma demonstração de capacidade responde a uma pergunta sobre a pessoa — se ela sabe, se está à altura, se merece o posto. Um problema pergunta sobre o mundo — o que fazer com o que já está aí. As duas perguntas usam as mesmas palavras e as mesmas habilidades, e é por isso que a troca passa despercebida.
Há ainda um traço que o versículo mostra e que vale isolar. A demonstração agrava o que pretendia enfrentar, e ninguém na cena aponta isso. Não é estupidez de quem age: é a lógica de quem responde à pergunta errada com o instrumento certo. Enquanto a medida for "eu também consigo", o resultado no mundo não entra na conta.
Convém marcar o limite, porque o texto é mais contido do que esta leitura. O Êxodo não faz nenhum desses comentários. Ele registra que os magos fizeram o mesmo e que houve mais rãs, e passa adiante sem juízo. A observação é de quem lê, e o único dado que a sustenta é a ordem dos fatos na frase.
7. Aplicações Práticas
Responder ao problema, não à pergunta sobre si
Há uma aplicação real e ela é estreita, mas serve todo dia.
Numa reunião, numa discussão de casa, num atendimento, existe a tentação de mostrar que se domina o assunto quando o que estava sobre a mesa era o que fazer agora. A resposta técnica correta e a resposta útil nem sempre são a mesma, e a diferença costuma ser medida por uma pergunta simples: depois do que eu fiz, o problema está menor?
Este versículo é o caso extremo dessa distinção — e é útil justamente por ser extremo. Ninguém acrescenta rãs de propósito; todo mundo já respondeu a um problema com uma prova de competência.
Quando não se sabe desfazer
O segundo uso é sobre reconhecer o limite do que se domina.
Saber montar não é saber desmontar; saber iniciar um processo não é saber interrompê-lo. Vale para quem instala um sistema, para quem começa uma conversa difícil, para quem toma uma decisão que mobiliza outras pessoas. A pergunta a fazer antes é a que este versículo não registra ninguém fazendo: e se eu precisar voltar atrás, eu sei como?
O contrapeso
Convém não transformar isto em condenação de quem demonstra competência — nem os magos são apresentados pelo texto como tolos, nem demonstrar capacidade é defeito.
A aplicação honesta é de ordem, não de valor: primeiro o problema, depois a demonstração, se ainda houver lugar para ela.
8. Perguntas e Respostas Reflexivas
Por que eles fariam mais rãs, se o país já estava coberto?
O Êxodo não diz, e essa é a resposta honesta.
Não há motivo declarado, não há ordem do rei registrada e não há explicação. Leituras existem — que fosse defesa da honra profissional, que fosse resposta a uma convocação não narrada, que o texto esteja apenas registrando o paralelismo das duas primeiras pragas. Não é possível decidir, e preencher o silêncio com a explicação mais engraçada é o risco deste versículo.
Eles não podiam simplesmente tirar as rãs?
O texto não levanta a hipótese e não registra tentativa.
O item 2 mostra que o repertório mágico egípcio conhecido é predominantemente de proteção contra bichos, o que torna a ausência de uma tentativa assim ainda mais notável — e convém dizer que a observação não é do Êxodo. Quem tira as rãs, três versículos adiante, é o SENHOR, a pedido de Moisés.
De onde os magos tiraram rãs, se todas já tinham subido?
É a mesma dificuldade que o estudo de Êxodo 7:22 expõe a respeito da água limpa, e a resposta é a mesma: o texto não diz.
Vale repetir o que aquele estudo estabelece, porque se aplica aqui inteiro: a pergunta é do leitor, não do texto. O Êxodo põe as duas frases uma ao lado da outra e segue, sem nenhum sinal de que veja ali um problema a resolver.
Este é o último sinal que eles conseguem repetir?
É. Na praga seguinte, em Êxodo 8:18, eles tentam e não conseguem.
O que aconteceu ali, e por que o texto não explica o fracasso, é assunto do estudo daquele versículo. Aqui basta registrar a sequência: três sinais repetidos com sucesso — o cajado, o sangue, as rãs — e depois o limite.
9. Conexão com Outros Textos
A ordem que eles repetem
O verbo e o alvo são idênticos aos da instrução dada a Arão, e a comparação é o achado do item 3.
Êxodo 8:5 — "E o SENHOR disse a Moisés: 'Diga a Arão: Estenda a mão com o seu cajado sobre os rios, sobre os canais e sobre os açudes, e faça subir as rãs sobre a terra do Egito.'"
O que já estava feito quando eles agiram
A terra do Egito já estava coberta.
Êxodo 8:6 — "Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito."
A primeira repetição, com o cajado
É a cena em que os magos entram no livro, e ali o rei os convoca expressamente.
Êxodo 7:11 — "Então Faraó chamou também os sábios e os feiticeiros; e os magos do Egito fizeram o mesmo com as suas artes ocultas:"
A segunda repetição, com o sangue
A fórmula é quase idêntica à deste versículo, e ali também o texto não comenta nada.
Êxodo 7:22 — "Mas os magos do Egito fizeram o mesmo com as suas artes ocultas; e o coração de Faraó ficou firme, e ele não os ouviu, como o SENHOR havia dito."
O limite, na praga seguinte
A mesma fórmula, agora com uma negativa no fim.
Êxodo 8:18 — "Os magos fizeram o mesmo com as suas artes ocultas para produzir piolhos, mas não conseguiram. E os piolhos ficaram nos homens e nos animais."
O que o rei faz em seguida
Terminada a demonstração dos seus técnicos, ele chama os outros dois.
Êxodo 8:8 — "Então Faraó chamou Moisés e Arão e disse: 'Supliquem ao SENHOR que tire as rãs de mim e do meu povo, e eu deixarei o povo ir, para que ofereça sacrifícios ao SENHOR.'"
10. Original Hebraico e Análise
Texto em português
Mas os magos fizeram o mesmo com as suas artes ocultas, e também fizeram subir rãs sobre a terra do Egito.
Texto hebraico
וַיַּעֲשׂוּ־כֵן הַחַרְטֻמִּים בְּלָטֵיהֶם וַיַּעֲלוּ אֶת־הַצְפַרְדְּעִים עַל־אֶרֶץ מִצְרָיִם׃
Transliteração
wa-ya'asu-khen ha-chartummim be-lateihem; wa-ya'alu et-ha-tsefarde'im al-erets Mitsrayim.
Análise palavra por palavra
וַיַּעֲשׂוּ־כֵן — wa-ya'asu-khen, "e fizeram assim".
Raiz asah, fazer, na forma encadeada da narrativa, terceira pessoa do plural, seguida do advérbio khen, "assim, do mesmo modo".
Duas palavras, e elas são exatamente as duas com que Êxodo 7:22 registrou a mesma coisa a respeito do sangue — e as mesmas com que Êxodo 7:20 registrou a obediência de Moisés e Arão. O estudo de Êxodo 7:22 é o dono dessa observação e não se repete aqui.
O que cabe registrar é uma diferença em relação a Êxodo 7:11, e ela é de partícula.
Naquele versículo havia duas ocorrências de gam, "também" — gam-Par'oh e gam-hem —, e o estudo daquele versículo analisa o que elas fazem. Aqui não há nenhuma. O hebraico apenas encadeia: fizeram assim, e fizeram subir.
O "também" que aparece na versão portuguesa é acréscimo de tradução, feito para a frase fluir em português, e praticamente todas as versões o trazem. Registre-se que ele não corresponde a palavra nenhuma do original.
הַחַרְטֻמִּים — ha-chartummim, "os magos".
Plural com artigo. O termo, a origem discutida dele e a distribuição no cânon estão desenvolvidos no estudo de Gênesis 41:8, e a correspondência com o ofício egípcio do sacerdote leitor, no de Êxodo 7:11.
Uma nota própria daqui: em Êxodo 7:11 a expressão era chartummei Mitsrayim, "os magos do Egito", e vinha depois do verbo, em posição de esclarecimento. Aqui vem só ha-chartummim, com artigo — já são gente conhecida do relato, e o texto não precisa mais identificá-los.
בְּלָטֵיהֶם — be-lateihem, "com as suas artes ocultas".
A palavra rara, com sufixo de terceira pessoa do plural, e esta é a grafia curta — latim, sem a consoante do meio.
A diferença entre as duas grafias que o Êxodo usa, o que cada uma puxa no dicionário e por que não é possível decidir se são duas palavras ou duas escritas da mesma estão desenvolvidos no estudo de Êxodo 7:11, item 10. Não se refaz aqui.
Registre-se apenas a distribuição, que aquele estudo estabelece: a forma longa aparece uma única vez, em Êxodo 7:11; a curta, três vezes — em Êxodo 7:22, neste versículo e em Êxodo 8:18.
וַיַּעֲלוּ — wa-ya'alu, "e fizeram subir".
A palavra decisiva do versículo, e ela tem uma ambiguidade que o próprio texto resolve.
A raiz é alah, subir — a mesma que atravessa o episódio inteiro. O problema é que a forma escrita aqui pode ser lida de duas maneiras.
Na forma simples do verbo, a palavra significaria "e eles subiram" — os magos subindo. Na forma causativa (o Hifil), significa "e eles fizeram subir" — os magos trazendo as rãs para cima. As duas leituras, nesta pessoa e neste tempo, têm as mesmas consoantes.
O que decide é a palavra seguinte: et, a partícula que marca objeto direto definido. Um verbo intransitivo não rege objeto direto. Estando et ali, o verbo é transitivo, e portanto causativo: eles fizeram subir as rãs.
E aqui está o ponto que o item 3 desenvolve: é exatamente a mesma forma verbal do imperativo dado a Arão em Êxodo 8:5 — we-ha'al, "e faça subir". A ordem e a imitação usam o mesmo verbo na mesma forma.
Compare com os versículos do anúncio, onde a forma era a simples e o sujeito eram as rãs. Em cinco versículos o Êxodo usa esta raiz quatro vezes, alternando entre as duas formas conforme quem age.
אֶת־הַצְפַרְדְּעִים — et-ha-tsefarde'im, "as rãs".
Plural, com artigo e com a partícula de objeto direto.
Vale notar o contraste com o versículo anterior, que trazia a mesma palavra no singular — ha-tsefardea —, peculiaridade tratada no item 10 de Êxodo 8:6. Aqui o plural volta, e volta definido.
O artigo merece uma observação. "As rãs", e não "rãs": em hebraico, o artigo remete ao que já foi mencionado. Lido ao pé da letra, o versículo não diz que eles produziram rãs novas — diz que fizeram subir as rãs, as do episódio. A versão portuguesa traz "rãs", sem artigo, e é escolha defensável, porque o hebraico usa o artigo com nomes de espécie com mais liberdade do que o português.
Ainda assim o dado vale registrado, porque ele é o tipo de detalhe que muda uma leitura: não é possível decidir, pelo artigo, se o texto está falando de uma segunda remessa ou de mais das mesmas.
עַל־אֶרֶץ מִצְרָיִם — al-erets Mitsrayim, "sobre a terra do Egito".
Terceira ocorrência da expressão em três versículos: em Êxodo 8:5 como alvo da ordem, em Êxodo 8:6 como objeto do verbo de cobrir, e aqui de novo como alvo.
Note-se a preposição. É al, "sobre", a mesma da ordem dada a Arão — e não a construção do versículo 6, onde a terra era objeto direto do verbo. A frase deste versículo é, palavra por palavra, a segunda metade da ordem de Êxodo 8:5, com o verbo passado do imperativo para o relato.
11. Conclusão
Três conclusões saem deste versículo.
A primeira: os especialistas do rei repetem o gesto e aumentam a praga. O verbo é o mesmo da ordem dada a Arão, na mesma forma causativa, e o alvo é a mesma terra do Egito que o versículo anterior já dera por coberta. A aritmética da cena é simples e é do texto: a única ação registrada neste versículo deixou o Egito com mais rãs do que tinha.
A segunda: o Êxodo não comenta nada disso. Não diz que foi truque, não compara escalas, não ironiza, não registra a reação de ninguém — nem do rei, que sequer é mencionado aqui. Usa para os egípcios o mesmo verbo neutro que usa para Arão, exatamente como fez em Êxodo 7:22. Quem acrescentar deboche, fraude ou fracasso estará escrevendo por cima do texto, e é bom que saiba que está.
A terceira: o que se pode observar é de posição, não de juízo. Repetir um sinal prova capacidade e não dá controle sobre o que já está em curso. O dado que sustenta a observação não é uma opinião do comentarista: é o versículo seguinte, em que o rei, pela primeira vez no livro, pede alguma coisa — e pede a Moisés e a Arão, e não aos técnicos que acabaram de agir diante dele. O Êxodo não liga as duas cenas com nenhuma palavra; apenas as põe em sequência.













