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Mateus 17:25

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✍️ Por Alberto Adriano·14 de setembro de 2026·⏱️ 18 min de leitura·👁 30 acessos
“Paga”, respondeu ele. Ao entrar em casa, Jesus foi o primeiro a falar: “O que você acha, Simão? De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: dos seus próprios filhos ou dos outros?”
Interior escuro de uma casa de pedra de uma aldeia de pescadores, com um homem sentado falando a outro que acabou de entrar pela porta, iluminado por um facho de luz.

Estudo


“Paga”, respondeu ele. Ao entrar em casa, Jesus foi o primeiro a falar: “O que você acha, Simão? De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: dos seus próprios filhos ou dos outros?”

1. Introdução

O versículo tem duas falas, e elas vêm na ordem errada.

A primeira é de Pedro, na rua, para os cobradores: "Paga". Resposta de uma palavra, dada sem consultar ninguém.

A segunda é de Jesus, dentro de casa, para Pedro. E aqui está o dado principal: Jesus fala antes que Pedro conte o que aconteceu. Não espera o relato. Abre a conversa com uma pergunta que já é sobre o assunto.

A pergunta é sobre reis e impostos, e parece não ter nada a ver com o templo. Tem. Ela prepara a conclusão do versículo seguinte, e por isso este versículo é, sobretudo, uma montagem: põe as peças no lugar e deixa o resultado para depois.

2. Contexto Histórico e Cultural

O que os "reis da terra" cobravam

A pergunta de Jesus fala de dois tipos de cobrança, e os ouvintes conheciam os dois de perto.

O primeiro eram as taxas sobre circulação de mercadorias: pedágios, direitos de passagem, tarifas de porto e de mercado. Cafarnaum tinha posto dessas cobranças, por estar perto da fronteira entre os territórios de Herodes Antipas e de Filipe, e a presença de publicanos na cidade é conhecida dos estudos de Mateus 9. Era o imposto visível, pago na estrada e na banca.

O segundo era o imposto por pessoa, calculado a partir de um recenseamento. O nome grego que o versículo usa é emprestado do latim census, e a palavra diz de onde vinha a cobrança: do registro romano de pessoas e de bens. É desse imposto que os fariseus e herodianos vão perguntar em Mateus 22:17.

Quem pagava tributo a Roma

A regra geral do mundo romano era clara: quem pagava tributo direto eram os povos submetidos.

Os próprios cidadãos romanos estavam livres do imposto direto desde 167 a.C. Naquele ano, depois da vitória sobre a Macedônia, o saque trazido para Roma foi tão grande que a cobrança sobre os cidadãos foi suspensa — o dado está na Vida de Emílio Paulo, de Plutarco (escritor grego do século I e II), e na História Natural, de Plínio, o Velho (naturalista romano do século I). A partir daí, o imposto direto passou a pesar sobre as províncias.

Ou seja: no mundo que Pedro conhecia, os que pertenciam à casa dominante não pagavam; pagavam os de fora, os conquistados. A pergunta de Jesus não é teoria. É a descrição do sistema debaixo do qual todos viviam.

O recenseamento e a revolta

O imposto por pessoa tinha, na memória judaica recente, uma carga explosiva.

Quando a Judeia passou a ser governada diretamente por Roma, no ano 6, o governador da Síria, Quirino, fez um recenseamento para fins de imposto. Judas, o Galileu, levantou gente contra ele — o episódio e o seu fim já estão registrados no estudo de Mateus 16:20. O que interessa aqui é o argumento que Josefo lhe atribui, nas Antiguidades Judaicas e na Guerra Judaica: pagar o tributo aos romanos era aceitar senhores humanos depois de ter Deus por senhor, e isso equivalia à escravidão.

Esse argumento põe o imposto dentro de uma equação de pertença: quem paga reconhece um dono. É exatamente a equação que a pergunta de Jesus usa, com outro alvo.

Grau de certeza: a data do recenseamento de Quirino, no ano 6, e o argumento de Judas vêm de Josefo e são bem aceitos. A relação entre esse recenseamento e o de Lucas 2:2 é outra discussão, que não pertence a este versículo.

Galileia não era Judeia

Um detalhe evita confusão. Em Cafarnaum, no tempo da cena, o governante era Herodes Antipas, e não um governador romano. Os galileus pagavam impostos a Antipas, que por sua vez pagava a sua parte a Roma. Os "reis da terra" da pergunta, portanto, eram também presença local: havia um, a poucos quilômetros, cobrando daquela gente.

3. Análise Teológica do Versículo

"Paga", respondeu ele

Uma palavra só. A pergunta dos cobradores esperava um "sim", e Pedro deu o "sim".

O texto não diz se ele sabia. É possível que Jesus pagasse regularmente, e Pedro apenas informou. É possível que Pedro tenha respondido para encerrar a conversa e proteger a reputação do mestre, sem ter certeza. A rapidez da resposta combina com o Pedro que Mateus vem mostrando — o que fala antes —, mas o texto não permite afirmar que ele tenha errado.

O dado que interessa é outro: Pedro comprometeu Jesus. Disse, em nome dele, que ele reconhecia a obrigação. A conversa seguinte não desmente Pedro. Mas mostra que a questão tinha uma camada que a resposta de uma palavra não alcançava.

"Ao entrar em casa"

A cena muda de espaço: da rua para dentro.

A mudança não é só de lugar. Em Mateus, a casa costuma ser o lugar em que Jesus explica aos discípulos o que não disse em público — é assim em Mateus 13:36, quando eles pedem a explicação do joio. A conversa sobre o imposto segue o mesmo padrão: para fora, a resposta simples; para dentro, o fundamento.

Que casa é essa o texto não diz. A de Pedro, em Cafarnaum, é a hipótese natural, examinada nos estudos de Mateus 8:14 e Mateus 13:36.

"Jesus foi o primeiro a falar"

Aqui está o achado do versículo.

Pedro entra com uma notícia. A ordem esperada seria: Pedro conta, Jesus responde. O texto inverte. Jesus se adianta. Antes que Pedro abra a boca, a conversa já está no assunto.

Como Jesus sabia? O texto não diz, e há duas leituras.

A primeira é de conhecimento extraordinário. Mateus registra várias vezes que Jesus conhecia o que não lhe tinha sido dito: em Mateus 9:4, "vendo os pensamentos deles"; em Mateus 12:25, "conhecendo os pensamentos deles"; em Mateus 16:8, "percebendo isso". O episódio do imposto termina, no versículo 27, com uma ordem que também supõe um saber que ninguém tem. Lida assim, a antecipação é o primeiro sinal de uma cena inteira de conhecimento.

A segunda é de observação comum. A conversa com os cobradores aconteceu à porta; Jesus podia ter ouvido, ou alguém podia ter contado. Nada no texto exclui isso.

O modo como Mateus escreve pende para a primeira: ele marca a antecipação com um verbo próprio, e não teria por que marcá-la se fosse trivial. Mas a marca não prova o meio. Não é possível decidir.

Há, de todo modo, um efeito que não depende da leitura escolhida. Pedro perde a iniciativa. Na rua, ele falou por Jesus; em casa, Jesus fala antes dele. A ordem das falas corrige a ordem da cena anterior sem nenhuma palavra de censura.

"O que você acha, Simão?"

Duas coisas nesta pergunta curta.

A primeira é a forma. Jesus não dá uma resposta; pede um juízo. É o modo como ele introduz, em Mateus, vários argumentos por comparação: "o que vocês acham?", em Mateus 18:12, antes da ovelha perdida; em Mateus 21:28, antes dos dois filhos. O ouvinte é chamado a concluir por conta própria, e a conclusão fica sendo dele.

E há uma ironia no evangelho: a mesma pergunta, "o que achas?", será feita a Jesus pelos enviados dos fariseus em Mateus 22:17 — sobre o tributo a César. Aqui é Jesus quem pergunta sobre tributos; lá, ele será perguntado.

A segunda é o nome. Os cobradores procuraram "Pedro". Jesus o chama de "Simão". Em Mateus, Jesus só se dirige a ele por esse nome em mais um lugar: Mateus 16:17, "Bem-aventurado é você, Simão, filho de Jonas". Nas duas vezes, a conversa gira em torno de quem Jesus é. É uma coincidência que pode ser só isso. Mas é o nome de antes do nome novo, e o evangelho o usa com parcimônia.

"De quem os reis da terra cobram tributos e impostos"

A pergunta parece mudar de assunto. O imposto do versículo 24 era do templo; esta fala de reis.

A mudança é o argumento. Jesus sai do caso concreto e vai para um caso que qualquer um entende, para depois voltar. É o raciocínio por comparação, do caso menor para o maior, que a tradição judaica conhecia bem e que já está descrito no estudo de Gênesis 44:8.

E a expressão "reis da terra" carrega um contraste implícito. Na Bíblia hebraica, os "reis da terra" são postos diante do Rei do céu — em Salmos 2:2, eles se levantam contra o SENHOR e o seu ungido. Se há reis da terra, há um rei que não é da terra. A pergunta não o nomeia. O leitor sabe de quem é o templo cujo imposto está em jogo.

"dos seus próprios filhos ou dos outros?"

A alternativa é montada para ter resposta óbvia. Nenhum rei cobra imposto dos próprios filhos; quem paga são os outros.

Mas a palavra "filhos" é mais larga do que parece, e as duas leituras dela importam para o versículo seguinte. Pode designar os filhos do rei em sentido estrito, a família real. Pode designar, por extensão, os de casa, os que pertencem ao reino — como os cidadãos romanos em relação às províncias, no item 2. E "os outros" são os de fora, os estrangeiros, os submetidos.

O versículo para aqui. Não aplica a comparação. Quem são os filhos e quem é o rei, nesta conversa, é o que o versículo 26 vai dizer — e o que ele diz é assunto daquele estudo.

4. Pessoas, Lugares e Eventos

Pedro

Aparece com os dois nomes na mesma cena: "Pedro" na boca dos cobradores, no versículo anterior; "Simão" na boca de Jesus, aqui. O papel de porta-voz está nos estudos de Mateus 14:28 e Mateus 16:22.

Jesus

Está dentro da casa quando Pedro entra, e fala primeiro. Não se dirige aos cobradores em momento algum do episódio.

Os reis da terra

Figura geral, sem nome. Para quem vivia em Cafarnaum, o exemplo mais próximo era Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, e acima dele o imperador romano, Tibério.

A casa

Provavelmente a de Pedro, em Cafarnaum. O texto diz só "a casa", com artigo, como quem fala de um lugar conhecido.

O que aconteceu antes

Os cobradores do imposto do templo abordaram Pedro na chegada a Cafarnaum e perguntaram se o mestre pagava. Pedro disse que sim. Não há, no texto, nenhuma cena intermediária entre a resposta na rua e a entrada em casa.

5. Pontos de Ensino

O discípulo pode responder rápido demais

Pedro responde "Paga" antes de saber o que Jesus pensa. Não mente, e o que diz não será desmentido. Mas fala por outro sem ter ouvido o outro.

O versículo mostra o custo sem acusar: a conversa seguinte existe porque a resposta curta não dava conta do assunto.

Jesus se antecipa

Antes que Pedro fale, Jesus já está na questão. O evangelho registra esse traço mais de uma vez, e aqui ele abre uma cena que vai terminar num conhecimento ainda maior, a moeda no peixe.

Ensinar perguntando

Jesus não diz a Pedro o que ele deveria ter respondido. Faz uma pergunta que obriga Pedro a chegar sozinho à conclusão. O método preserva o discípulo e faz dele parte do raciocínio.

O exemplo vem do mundo que todos conhecem

Para falar do templo de Deus, Jesus parte de reis e impostos. A comparação usa a experiência cotidiana de quem pagava taxas a Antipas e tributo a Roma. O ponto de ensino não está só no conteúdo, mas no caminho: o que se sabe da terra ajuda a pensar o que não se vê.

6. Aspectos Filosóficos

Chega-se mais longe sendo levado a concluir ou sendo informado?

Jesus poderia ter dito a Pedro: "eu não devo esse imposto". Em vez disso, perguntou. O versículo levanta uma questão antiga sobre o conhecimento: a verdade a que alguém chega por conta própria, a partir de um exemplo que já entende, é recebida de outro modo que a verdade que lhe é simplesmente comunicada.

O limite é que o texto não reflete sobre isso. Mostra o método em uso, numa conversa doméstica, e segue para a resposta.

7. Aplicações Práticas

Antes de responder por alguém, perguntar

A situação de Pedro é comum: alguém pergunta a um funcionário o que o chefe decidiu, a um filho o que os pais pensam, a um assessor o que o líder fará. A resposta rápida protege a imagem, mas pode comprometer quem não foi ouvido.

O versículo não censura Pedro. Mostra, porém, que a resposta dele precisou de uma conversa inteira para ganhar fundamento. Quando possível, vale dizer "vou confirmar" antes de dizer "sim".

Quem ensina pode abrir com uma pergunta

Pais, professores, líderes de grupo tendem a corrigir dando a resposta certa. Jesus corrige perguntando sobre algo que o outro já sabe. Em conversas difíceis — com um filho adolescente, com um colega que errou —, partir de um exemplo que a pessoa reconhece costuma produzir mais do que a correção direta.

8. Perguntas e Respostas Reflexivas

Pedro mentiu aos cobradores?

Nada indica isso. Jesus manda pagar no versículo 27, e a resposta de Pedro se confirma. O que o texto sugere é que a resposta estava certa quanto ao fato e incompleta quanto ao fundamento.

Por que Jesus não falou com os cobradores?

O texto não diz. A conversa sobre o direito de isenção é feita só com Pedro, em casa. É plausível que a questão da identidade de Jesus — o que está por trás de "os filhos" — continuasse reservada aos discípulos, como em Mateus 16:20. É leitura, não afirmação do texto.

A pergunta sobre os reis inclui Roma?

A expressão "reis da terra" é geral, e cobre qualquer governante que cobre imposto. O argumento não trata de Roma nem de Antipas: usa o comportamento deles como exemplo. Tirar daqui uma posição sobre pagar impostos ao Estado é ir além do versículo; a questão do tributo a César é tratada em Mateus 22.

9. Conexão com Outros Textos

Jesus sabe antes que lhe digam

Mateus 9:4 — "E Jesus, vendo os pensamentos deles, disse: Por que vocês pensam o mal em seus corações?"

Mateus 12:25 — "Conhecendo os pensamentos deles, Jesus lhes disse: 'Todo reino dividido contra si mesmo acaba destruído, e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma vai se manter de pé.'"

Dois casos em que Mateus registra o conhecimento de Jesus sobre o que não foi dito.

"O que você acha?" em outras bocas

Mateus 18:12 — "O que vocês acham? Se um homem tem cem ovelhas e uma delas se desgarra, ele não deixa as noventa e nove e vai pelos montes procurar a que se desgarrou?"

A mesma abertura antes de um argumento por comparação.

Mateus 22:17 — "Dize-nos, pois: o que achas? É lícito pagar tributo a César, ou não?"

A pergunta sobre tributo, agora feita a Jesus, e com a mesma palavra de "impostos" que aparece neste versículo.

O nome Simão

Mateus 16:17 — "Jesus lhe disse: 'Bem-aventurado é você, Simão, filho de Jonas, porque não foi carne e sangue que revelou isso a você, mas o meu Pai que está nos céus.'"

A outra vez, em Mateus, em que Jesus o chama de Simão.

Os reis da terra

Salmos 2:2 — "Os reis da terra se levantam, e os governantes conspiram juntos contra o SENHOR e contra o seu ungido."

A expressão ao lado do Rei que não é da terra.

A casa como lugar da explicação

Mateus 13:36 — "Depois de despedir as multidões, Jesus entrou em casa. Seus discípulos se aproximaram dele e disseram: 'Explica-nos a parábola do joio do campo.'"

O mesmo movimento: fora, a fala pública; dentro, o fundamento.

10. Original Grego e Análise

Texto em português

“Paga”, respondeu ele. Ao entrar em casa, Jesus foi o primeiro a falar: “O que você acha, Simão? De quem os reis da terra cobram tributos e impostos: dos seus próprios filhos ou dos outros?”

Texto grego

λέγει, Ναί. καὶ ὅτε εἰσῆλθεν εἰς τὴν οἰκίαν, προέφθασεν αὐτὸν ὁ Ἰησοῦς, λέγων, Τί σοι δοκεῖ, Σίμων; οἱ βασιλεῖς τῆς γῆς ἀπὸ τίνων λαμβάνουσι τέλη ἢ κῆνσον; ἀπὸ τῶν υἱῶν αὐτῶν, ἢ ἀπὸ τῶν ἀλλοτρίων;

Transliteração

legei, Nai. kai hote eisēlthen eis tēn oikian, proephthasen auton ho Iēsous, legōn, Ti soi dokei, Simōn? hoi basileis tēs gēs apo tinōn lambanousi telē ē kēnson? apo tōn huiōn autōn, ē apo tōn allotriōn?

Uma diferença entre manuscritos

O Textus Receptus (a edição grega impressa no século XVI que a ABC segue) traz kai hote eisēlthen eis tēn oikian, "e quando ele entrou em casa". Os manuscritos mais antigos trazem kai elthonta eis tēn oikian, "e, tendo ele chegado em casa", com um particípio. O sentido é o mesmo.

Análise palavra por palavra

λέγει, Ναί — legei, Nai, "diz: Sim".

Legei é presente de legō dentro de narrativa passada — o presente que aproxima a cena do leitor. Nai é a partícula de afirmação, "sim". A resposta de Pedro, no grego, é literalmente uma palavra: "Sim".

ὅτε εἰσῆλθεν εἰς τὴν οἰκίαν — hote eisēlthen eis tēn oikian, "quando entrou em casa".

Aoristo de eiserchomai, "entrar". O sujeito não é expresso. A leitura mais natural é que seja Pedro — ele entra, e Jesus já está lá dentro —, e é assim que a forma dos manuscritos mais antigos obriga a ler. Oikia com artigo, "a casa", indica uma casa conhecida.

προέφθασεν αὐτὸν — proephthasen auton, "antecipou-se a ele".

Esta é a palavra do versículo. Aoristo de prophthanō, composto de pro, "antes", mais phthanō, "chegar primeiro, alcançar antes".

O verbo significa fazer algo antes que o outro faça, tomar a dianteira. No grego comum, servia para quem chega antes a um lugar, quem ataca antes do adversário, quem responde antes de ser perguntado.

No Novo Testamento, prophthanō só aparece aqui. Mateus poderia ter escrito simplesmente "Jesus lhe disse". Escolheu um verbo raro que marca a precedência. O objeto é auton, "a ele": Jesus se antecipou a Pedro, não ao assunto em geral.

Τί σοι δοκεῖ — ti soi dokei, "o que te parece".

Dokeō, "parecer, julgar, ser de opinião". A construção impessoal, "o que parece a ti", é a fórmula corrente para pedir um juízo.

Em Mateus, a fórmula no singular só aparece aqui e em Mateus 22:17, na boca dos que perguntam sobre o tributo a César. No plural, ti hymin dokei, abre as comparações de Mateus 18:12, Mateus 21:28 e Mateus 22:42, e a votação do conselho em Mateus 26:66.

Σίμων — Simōn, "Simão".

Forma grega do nome hebraico Shimon, Simeão. É o nome de nascimento de Pedro. Petros, "pedra", é o nome dado por Jesus, e o seu sentido está no estudo de Mateus 16:18.

οἱ βασιλεῖς τῆς γῆς — hoi basileis tēs gēs, "os reis da terra".

Basileus, "rei", no plural, com o genitivo tēs gēs, "da terra". A expressão é frequente na versão grega do Antigo Testamento, e o Apocalipse a usa cerca de dez vezes, quase sempre para os poderes que se opõem a Deus.

ἀπὸ τίνων λαμβάνουσι — apo tinōn lambanousi, "de quem recebem".

Lambanō, "tomar, receber", o mesmo verbo dos cobradores no versículo 24 — "os que recebiam as duas dracmas". A repetição liga os dois quadros: os cobradores recebem, os reis recebem.

τέλη — telē, "taxas".

Plural de telos, que significa "fim, término" e, por extensão, "o que se paga": a taxa. No uso do período, designava sobretudo as taxas indiretas — sobre mercadorias, passagem, venda. É a palavra que dá telōnēs, "publicano", o cobrador dessas taxas.

ἢ κῆνσον — ē kēnson, "ou censo".

Palavra latina transcrita em grego: census, o recenseamento, e daí o imposto calculado sobre ele. Designava o tributo direto por pessoa.

No Novo Testamento aparece só em quatro lugares: aqui, em Mateus 22:17 e Mateus 22:19, e em Marcos 12:14 — sempre ligada a reis e ao imperador. A presença de um termo latino no meio de uma frase grega mostra de onde vinha o imposto.

O par telē ē kēnson cobre, portanto, os dois tipos de cobrança: a indireta e a direta. "Tributos e impostos", na tradução.

ἀπὸ τῶν υἱῶν αὐτῶν — apo tōn huiōn autōn, "dos filhos deles".

Huios, "filho". O possessivo autōn, "deles", se refere aos reis: os filhos dos próprios reis.

No uso semítico, "filhos de" também designa os que pertencem a algo — os "filhos do reino" de Mateus 8:12. As duas camadas estão disponíveis na palavra, e a aplicação delas pertence ao versículo 26.

ἢ ἀπὸ τῶν ἀλλοτρίων — ē apo tōn allotriōn, "ou dos alheios".

Allotrios vem de allos, "outro": é o que pertence a outro, o estranho, o estrangeiro. Na versão grega do Antigo Testamento, traduz com frequência o hebraico nokhri, "estrangeiro". O contraste não é entre ricos e pobres, mas entre os de dentro e os de fora da casa.

11. Conclusão

Com base no que foi examinado, o versículo leva a três conclusões.

A primeira é que a precedência mudou de lado. Na rua, Pedro falou por Jesus; em casa, Jesus fala antes de Pedro. O verbo raro que Mateus escolhe para isso não deixa a antecipação passar como detalhe. Daí se conclui que o episódio não é conduzido pela pergunta dos cobradores nem pela resposta do discípulo, mas por quem já sabia do que se tratava.

A segunda é que a resposta de Pedro não é desmentida, e sim aprofundada. Jesus não diz que ele errou; leva-o a um raciocínio que a resposta de uma palavra não continha. O que o versículo mostra é a distância entre dizer o que se faz e saber por que se faz.

A terceira é sobre o terreno da comparação. Jesus escolhe reis, filhos e estrangeiros — a experiência de gente que pagava imposto a senhores de fora. A pergunta faz Pedro reconhecer uma regra que ele conhece de sobra: quem é da casa não paga. O que o versículo deixa preparado, e só o seguinte conclui, é a aplicação dessa regra a um templo que tem dono.

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